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Jornal

Réus são condenados por tortura e assassinato de 3 mulheres

| Vila Velha | Julgamento entrou pela madrugada. Até 0h15min desta quinta, 2 dos 5 réus haviam sido condenados

Acusados de torturar e decapitar três mulheres no bairro Vila Velha em março de 2018 foram condenados por júri popular. Cinco dos seis réus - Francisco Robson de Souza Gomes, Bruno Araújo de Oliveira, Jeilson Lopes Pires, Júlio César Clemente da Silva e Rogério Araújo de Freitas - estiveram em julgamento que começou na manhã de ontem e entrou pela madrugada de hoje, no Fórum Clóvis Beviláqua.

Eles foram acusados por três homicídios triplamente qualificados — por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou defesa da vítima. E também, três vezes, por destruição e ocultação de cadáver. Além disso, por participação em organização criminosa, porte ilegal de arma de fogo e tortura. Até o fechamento desta página, Bruno Araújo e Jeilson Lopes tinham sido considerados culpados de todos os crimes. A pena, porém, só seria divulgada ao fim do julgamento dos demais três réus, o que se estendeu pela madrugada.

Os corpos de Darcyelle Ancelmo de Alencar, Ingrid Teixeira Ferreira e Nara Aline Mota de Lima foram encontradas em um manguezal há pouco menos de um ano. As cenas de tortura foram filmadas pelos assassinos. De acordo com a investigação, Nara foi morta porque seria integrante do Comando Vermelho (CV). "Se ela fosse GDE, não teria morrido", chegou a dizer Rogério, um dos acusados, durante a instrução. As outras vítimas teriam morrido apenas por estarem acompanhadas de Nara — moravam juntas na Barra do Ceará. Foi de lá que as vítimas foram raptadas, conforme a acusação.

O crime teria sido ordenado por Francisco Robson, conhecido como Mitol, apontado com principal liderança da Guardiões do Estado (GDE) no Vila Velha. Ele foi julgado por videoconferência, devido a transferência para presídio federal em decorrência da série de ataques ocorrida em janeiro.

Escuta telefônica autorizada pela Justiça flagrou Mitol discutindo o assassinato. Conforme a Polícia, ele disse saber da participação de Nara no CV por ter visto no Facebook fotos em que ela fazia gesto em referência à facção. Ela negara ser batizada, dizendo apenas "conhecer os caras".

Os demais réus teriam participado da execução. Conhecido como Léo Bifão, Júlio César afirmou que apenas observou a tortura e o assassinato das vítimas. O depoimento dele foi considerado peça-chave, pois apontou mais envolvidos no crime. Ele acabou "decretado" pela facção. Familiares dele foram expulsos do Vila Velha por criminosos. A Defensoria pediu, devido ao risco decorrente da delação, transferência de Léo Bifão para outro estado e inclusão no programa de proteção a testemunhas. "Não protegê-lo seria um desestímulo à colaboração", afirmou a defensora Sulamita Teixeira. Ontem, porém, ele entrou em contradição ao assegurar participação de outro homem no crime, quando havia negado anteriormente o mesmo questionamento.

Rogério de Freitas foi o único réu confesso. Ontem, preferiu não responder a nenhuma pergunta. (Colaboraram Rubens Rodrigues, Wanderson Trindade/ Especial para O POVO e Ingrid Campos/Especial para O POVO)

 

Lucas Barbosa