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Seminário sobre alimentação reunirá pesquisadores brasileiros e franceses

| Fortaleza | Seminário Interfaces tem como assunto as dinâmicas das práticas alimentares do Ceará. Encontro começa dia 14, na sede da Fiec

09/01/2019 01:30:00
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O Ceará é terra de chão seco, de frio da serra, de sol esturricando a pele, de mar. Diverso, inclusive, nos pratos que vão à mesa. A comida servida em todo o Estado tem três raízes distintas, do litoral, do sertão ou da serra. "Tem toda uma situação da experiência gastronômica do Estado em colocar a rota do turismo para o mar. O seminário vem para descortinar e ampliar isso", avisa Kadma Marques, professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

 

O IV Seminário Interfaces - Alimentar, que acontece de 14 a 19 de janeiro, na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), vem para mostrar que o Estado não tem somente pratos do litoral, mas vários sabores cultivados em cada região.

 

O encontro é uma iniciativa do Observatório Cearense da Cultura Alimentar (Occa), em parceria com a Associação dos Chefes de Cozinha do Ceará (ACC), da Escola de Gastronomia Ivens Dias Branco, Instituto Federal do Ceará (IFCE), Université Lumière Lyon 2 e do Institut Paul Bocuse (França).

 

Para Kadma, a segurança alimentar passa por questões sanitárias, de saúde e de garantias básicas. "É algo que os cursos de Nutrição vêm trabalhando ao longo dos últimos anos. De que pensar a distribuição do alimento é algo tão importante quanto se elaborar o modo de deixar o alimento fresco e que não faça mal à saúde", enfatiza.

 

O evento ocorre não somente para aproximar várias narrativas sobre a comida à mesa. Vem para entrelaçar essas histórias, de cultural popular e alimentar, com a perspectiva do universo profissional, delineada por chefes de cozinha do Brasil e da França. Existe uma cultura de alimentação típica do cearense que, para a professora, não é vista ou percebida como patrimônio cultural. A alimentação na vida cotidiana em 15 cidades, descritas pela tradição de donas de casa, dos pequenos restaurante do Interior e do Litoral, faz revelar, para a Kadma, uma cultura popular riquíssima em sabores.

 

Vanessa Santos, pesquisadora do Occa, defende o alimento como linguagem e símbolo identitário. "Os alimentos que a gente come fazem parte da nossa formação enquanto Estado. A farinha, o jerimum, a batata doce são comidos há mais de 300 anos no Ceará", endossa ela, que também é professora de Gastronomia da Unichristus e da Uninassau.

 

Serviço

 

IV Seminário Interfaces - Alimentar

 

Quando: 14 a 17 de janeiro

Onde: Fiec (avenida Barão de Studart, 1980 - Aldeota)

Inscrições e informações: http://uece.br/eventos/interfacesalimentar/

 

Feira 

 

Como parte da programação do seminário, será realizada a I Feira Occa, no dia 15 de janeiro, das 17 às 21 horas, no Mercado dos Pinhões. A feira terá exposição e venda, com destaque para insumos da agroecologia familiar.

 

BATE-PRONTO 

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Professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Kadma Marques defende o reconhecimento das culinárias do Ceará. Uma das fundadoras do Observatório da Cultura Alimentar do Ceará (Occa), ela apresenta a visão mais igualitária da distribuição da alimentação entre os próprios cearenses.

 

O POVO - De que forma o apoio ao pequeno agricultor ajuda a fortalecer a nossa base alimentar?

 

Kadma Marques - O apoio corresponde a um sistema de produção no qual a gente aposta que tem uma vinculação entre a produção familiar e o turismo sustentável. A produção familiar, feita e mantida como tradição e patrimônio, com práticas que passam de geração em geração no preparo da comida, fortalece esse vínculo simbólico com o alimento, com o que é consumido, os percursos que o alimento faz do campo até a mesa e traz para o consumidor uma noção mais clara, como uma cadeia produtiva menor, mais condensada. Portanto, aproxima o consumidor do produto que é consumido, assim como das maneiras de fazer e de se apropriar do alimento.

 

OP - A que se refere o conceito de segurança alimentar colocado pelo Occa?

 

KM - O conceito de segurança alimentar tem relação com o discurso formulado no campo da Nutrição. É a defesa de um alimento saudável, limpo, que tenha boas condições de produção, de circulação e de consumo. Dando margem ao que na Nutrição se chama de boas práticas. Esse conceito hoje convive com um outro, que assume um cunho mais político, que é o de soberania alimentar. Ela preconiza e defende o acesso de todos a um alimento que corresponda às condições de saúde, livre de agrotóxicos ou de manipulações que convertem os alimentos em transgênicos.

 

OP - A culinária do Ceará tem três bases distintas, do litoral, da serra e do sertão. Qual a diferença entre elas?

 

KM - As três bases da culinária cearense se distinguem porque nós temos uma que despontou como um elemento que foi apropriado pela produção do turismo. O turismo se centrou durante bastante tempo na ideia da venda da paisagem cearense a partir do sol e mar. Esse binômio diz do que é produzido em termos de alimento para o turista, seduzindo-o e atraindo-o, mas não resume toda a potencialidade que a gastronomia cearense tem. É esse o nosso esforço, mantendo aquilo que é valorizado em termos de produção da cultura alimentar, a partir do litoral, e coloca em evidência aquilo que é produzido na serra e no sertão. É justamente essa combinação que torna a cultura alimentar cearense tão rica e variada. Considero todo um universo que está num processo de descoberta de valorização.

ANGÉLICA FEITOSA

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