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Apreensão recorde de haxixe aponta para esquema internacional especializado

| Tráfico de Drogas | Dois portugueses foram presos na ocasião em que a Polícia apreendeu quase 2 toneladas da droga em Fortim. Um terceiro está foragido

19/01/2019 01:30:00
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Parte de um mercado internacional de drogas, envolvendo pelo menos três continentes, e com um sistema "extremamente especializado", com divisão de tarefas e equipes isoladas para cada etapa. Assim, as quase duas toneladas de haxixe atracaram no Litoral Leste do Ceará e desembarcaram no município de Fortim, a 135 quilômetros de Fortaleza. Considerada pela Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD) da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) a maior apreensão de haxixe já registrada no Brasil, a carga foi descoberta pela Polícia Militar na quinta-feira, 17, como O POVO publicou ontem. 

[SAIBAMAIS]

Vindos, provavelmente, do Marrocos, no norte da África, os 1.984 kg da droga têm valor estimado em cerca de R$ 10 milhões, segundo o delegado Ismael Araújo, da DCTC. Dois portugueses, identificados como Alexandre Antônio Ribeiro Guerra, 41, e Rúben Adriano Morgado Pereira, 27, foram presos e autuados por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. Um terceiro suspeito, também de Portugal, está foragido.
 

A investigação aponta que ele seria viciado na droga e estaria desaparecido há três dias, após fazer uso dela. Os detalhes da operação foram divulgados ontem em coletiva na sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
 

De acordo com o delegado Ismael Araújo, a carga de haxixe foi trazida por embarcação de grande porte e depois transferida para outra menor. Ao chegar no litoral, foi levada por duas caminhonetes até uma casa alugada com o intuito de estocar os pacotes. Uma pessoa desconfiou da "movimentação estranha dos pacotes" e acionou a Polícia. O material ilícito seria distribuído para as regiões Nordeste, Norte e Sul do Brasil, por uma outra "equipe terceirizada". A duas caminhonetes, mais de 1 mil euros, celulares, aparelhos eletroeletrônicos e outros apetrechos também foram apreendidos.
 

"Acreditamos que é um serviço extremamente especializado. Eles terceirizam cada etapa do tráfico internacional. Esses dois que foram autuados não têm conhecimento de a quem pertence a droga. Os grandes traficantes evitam contato com os bandidos de patamares mais inferiores", aponta Araújo.
 

Conforme o delegado, Alexandre esteve no Ceará por um mês, em novembro de 2018, quando teria recebido a encomenda da droga. Já Rúben teria agora vindo pela primeira vez ao Brasil, teria ficado responsável por carregar a droga da praia à casa e estava com passagem para voltar a Portugal hoje.
Citando uma apreensão de 2,7 toneladas de haxixe feita em dezembro, na Espanha, Araújo falou que a investigação caminha para que as duas apreensões tenham a mesma origem. "Isso vai ser objeto de investigação, que (seria) parte dessa droga", afirmou.
 

Os 62 pacotes da carga de haxixe que ocupavam um cômodo inteiro da residência alugada em Fortim estavam embalados em material de lonas de polietileno e com inscrições. Na droga apreendida na Espanha, os pacotes guardam muita semelhança com os descobertos no Ceará, e também teriam origem no Marrocos. As siglas podem ser sobre origem, destino ou mesmo qualidade do produto. A investigação deverá desvendar detalhes como esses e quem são os outros envolvidos.
 

Um caminhão do Batalhão de Choque da Polícia Militar fez o transporte da droga até Fortaleza, onde será submetida a análise pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).

Domitila Andrade,

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