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Golpe via WhatsApp que vitimou mais de 5 mil pessoas no País é investigado

Golpistas se passam por parentes, amigos ou chefes para pedir depósitos bancários às vítimas

01:30 | 06/12/2018

Cerca de 5 mil pessoas de todo o País transferiram dinheiro para conta de golpistas após terem recebido mensagens via WhatsApp de pessoas se passando por amigos ou familiares. É o que aponta investigações da Polícia Civil do Ceará. Em Fortaleza, 50 boletins de ocorrência já foram registrados dando queixa sobre o crime, informou o delegado Julius Bernardo, diretor da Célula de Inteligência Cibernética do Departamento de Inteligência Policial (DIP).

Ele explicou, em entrevista coletiva, como funciona o golpe. Os criminosos compram chip e solicitam o resgate do número para uma nova conta do aplicativo, procedimento comum quando, por exemplo, o aparelho é roubado. Com o resgate, a quadrilha passa a ter acesso aos contatos daquele número. Então, fingindo ser o titular da linha, mandam mensagens para pessoas próximas solicitando transferências bancárias. Pela necessidade de documentos para solicitar o resgate do número, a Polícia Civil investiga se funcionários de operadoras de telefonia estão envolvidos com o golpe.

"Estamos identificando se é alguma falha técnica, se eles descobriram algum bug, se é funcionário, se infectaram o celular das vítimas".

O golpe bloqueia a linha telefônica. Por isso, o delegado alerta que, em casos em que a linha para repentinamente de funcionar, "é possível suspeitar que foi esse golpe".

Conforme a investigação, os criminosos contam uma história que justifique a transferência: troca do pneu do carro, compra de eletrodoméstico ou outras necessidades básicas. Mas também a compra de carro ou pagamento de serviço contratado. "Normalmente, eles procuram pessoas com poder aquisitivo elevado. Já atacaram políticos e outros funcionários de instituições públicas", disse o delegado-geral da Polícia Civil do Estado, Everardo Lima, também na coletiva.

Também é investigado se prefeituras e prefeitos do Estado foram vítimas do golpe. Como O POVO mostrou nas edições dos dias 4 e 5, pelo menos oito prefeitos tiveram celulares clonados, que dispararam mensagem a secretários e assessores solicitando transferências. Somente a Prefeitura de Camocim teve R$ 552 mil desviados, em cinco operações.

O dinheiro é transferido para contas de "laranjas". Everardo Lima alerta que  também essas pessoas podem responder por estelionato. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), alguns suspeitos foram identificados, mas prisões ainda não foram efetuadas. (Colaborou Wanderson Trindade/Especial para O POVO)

PREJUÍZO 

Somente em Fortaleza, as vítimas desse golpe do WhatsApp foram lesadas em valores que variam entre R$ 70 e R$ 80 mil.

COMO SE PREVENIR 

A verificação em duas etapas no WhatsApp pode prevenir o golpe, informa a Polícia Civil. A opção torna a verificação do número de um celular possível apenas mediante a digitação de uma senha numérica previamente estabelecida.

Para ativar a opção, basta abrir o WhatsApp e ir até a seção Configurações. Lá, clique em Conta. Aparecerá a opção Verificação em Duas Etapas. Em seguida, clique em Ativar.

Será solicitada uma senha de seis dígitos. Depois, um e-mail. Para esse endereço será enviada a senha, em caso do usuário esquecê-la.

O WhatsApp, no entanto, alerta que, se você receber um e-mail para desativar a verificação em duas etapas mesmo sem ter solicitado, não é recomendável que se clique no link. "Outra pessoa pode estar tentando registrar o seu número no WhatsApp", diz a empresa.

Para ajudar a lembrar a senha, o WhatsApp solicita o código periodicamente.

Em casos em que se torna necessário fazer o registro da conta novamente, o WhatsApp pedirá a senha. "Se isso acontecer, e você tiver esquecido seu PIN, você perderá o acesso à conta durante 7 dias".

LUCAS BARBOSA