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Casamento coletivo em unidade prisional beneficia 15 detentos

| Humanização | Os matrimônios foram oficializados por um líder religioso e um juiz de paz

01:30 | 06/12/2018
NOIVA aguarda momento da cerimônia de casamento na CPPL 4 FABIO LIMA
NOIVA aguarda momento da cerimônia de casamento na CPPL 4 FABIO LIMA

"Prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe". Apesar desses votos parecerem comuns, eles significam muito para os 15 internos que casaram ontem, na Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL 4). As cerimônias foram realizadas pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado (Sejus), com a presença de um líder religioso e de um juiz de paz, para efetuar o casamento civil.

 

Cosme Nascimento é um dos detentos que casou. Condenado a sete anos de prisão por assalto, ele já completou um ano e três meses da pena. Estava ansioso para ver mãe, avó, tia, amigos, enteada e os filhos, que testemunharam o casamento com Nildiane Gomes. Para ele, o matrimônio significa humanização. "Para muitas pessoas, a gente não passa de nada. O cárcere me fez valorizar a convivência com a esposa e o crescimento dos filhos", conta.

 

Quando o marido foi preso, Nildiane ficou sozinha com os três filhos. A dona de casa nunca pensou que casaria, mas foi contrariada pelo vestido e o véu brancos no altar. Agora, o desejo é que Cosme volte para casa "como um novo homem".

 

A cerimônia foi possibilitada pela Igreja Missionária Libertos em Cristo, que trabalha com um grupo de detentos dentro da unidade prisional. O pastor Lúcio Vieira esclarece que a igreja assiste as famílias dos internos e os acompanha durante a decisão de casar. Além dos casamentos, também são feitos batismos e comemorações do dia das mães e dos pais.

 

De acordo com o pastor, 200 homens já foram ressocializados pela igreja a partir da alfabetização e formação em atividades como mecânica e artesanato.

A titular da Sejus, Socorro França, diz que o casamento é tanto um direito dos internos quanto uma oportunidade para não voltarem a cometer crimes. "Na medida que você leva educação, espiritualidade e valorização da família, você humaniza a pessoa".

 

Ela ressalta a importância da família para a ressocialização dos presos, principalmente por causa do preconceito que os homens enfrentam ao sair da unidade prisional.

 

Como prova, ela cita as poucas empresas trabalhando com os presídios, mesmo com a efetivação da Lei de Incentivo Fiscal que permite que empresas destinem parte dos valores declarados no imposto de renda para projetos contemplados pelas leis de incentivo.

 

CATALINA LEITE