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Causas da "doença da urina preta" ainda estão pouco esclarecidas

| DOENÇA DE HAFF | De 2016 a 2017, o Ceará confirmou 12 casos, dos quais oito tinham relatos de ingestão de peixe arabaiana

25/05/2019 18:05:48

Uma nova ocorrência da doença de Haff, diagnosticada em casal cearense que comeu peixe do tipo arabaiana, acende alerta para risco de surto. A enfermidade, também chamada "mialgia aguda a esclarecer" ou "doença da urina preta", tem causas pouco conhecidas e, segundo especialistas, não há métodos de prevenção específicos.

Os sintomas são dores musculares intensas e urina de cor escura e, se não tratado rapidamente, o quadro pode evoluir para insuficiência renal.

Gúbio Soares, pesquisador do Laboratório de Virologia da Universidade Federal da Bahia, alerta que "não há como detectar (previamente) se o peixe tem a toxina que causa a doença". "É uma coisa que acontece raramente, mas pode acontecer. É uma fatalidade", aponta.

Segundo ele, a infecção é causada por uma toxina proveniente de um tipo de alga ingerida pelo peixe. A substância, ainda não conhecida, provoca necrose muscular, o que provoca as dores intensas nos pacientes.

Gúbio é um dos pesquisadores que identificaram o zika vírus e que também diagnosticaram os casos da doença de Haff registrados na Bahia entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, foram mais de 50 casos.

Na mesma época, a doença também se manifestou no Ceará. Segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), foram registrados dois casos da doença de Haff em 2016 e dez em 2017. Destes, oito tiveram relato de consumo de peixe arabaiana.

"Esses pacientes foram identificados por meio de notificações ao Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (Cievs) e investigações hospitalares (em prontuários) e domiciliares. À época, houve monitoramento dos casos notificados, busca de novos casos, elaboração e divulgação de nota técnica para os profissionais da saúde", informou a Sesa, em nota.

Sobre o que poderia ter influenciado o surto nessa época, Gúbio indica que "o câmbio climático pode ter levado ao aumento de produção dessa alga no meio ambiente marinho".

O médico infectologista Anastácio Queiroz explica que os casos da doença têm relatos de ingestão de diferentes espécies de peixe, inclusive não só os de origem marinha, mas também os de água doce.

A destruição das fibras musculares pela toxina provoca aumento da enzima creatina fosfoquinase (CPK) na corrente sanguínea, o que acarreta numa sobrecarga dos rins.

Apesar de os casos serem esporádicos, Anastácio Queiroz ressalta a importância de buscar rapidamente o atendimento médico, uma vez que o agravamento da doença pode acarretar em insuficiência renal. Por isso, a necessidade de iniciar o tratamento de suporte, que inclui hidratação e analgesia, o quanto antes.

Isaac de Oliveira

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