PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Meac pretende dobrar número de leitos do Método Canguru

| ATÉ 2020 | Sete novos leitos com o método, implantado há 20 anos, devem ser inaugurados nos dois próximos anos. Atualmente com cinco leitos, média de atendimento é de dez mães por mês

20/09/2018 01:30:00
NULL
NULL (Foto: )
[FOTO1]

A Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac) celebrou ontem, com mães, pais, médicos e ex-pacientes, os 20 anos da implementação do Método Canguru, que integra a norma de Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso. Na comemoração, o gerente de Atenção à Saúde da Meac, Carlos Augusto Alencar, informou que pretende, até 2020, abrir sete novos leitos neste perfil. Atualmente, há cinco leitos onde o atendimento do bebê é feito diretamente no colo da mãe ou do pai.

 

O Método Canguru, segundo Alencar, é uma política de saúde com benefícios muito claros. O tratamento pode ser feito tanto com a mãe quanto com o pai, já que na Meac é estimulada também a participação do homem no cuidado com a criança.

 

"A metodologia tende a diminuir o tempo de internação, aumenta o contato pele a pele e melhora a segurança. Isso é visto tanto na criança, porque faz com que ela fiquei mais calma, quanto na mãe, porque é ela e não a equipe hospitalar que vai cuidar do filho", detalha o médico.

 

A Meac foi pioneira na implantação do tratamento com estímulo ao vínculo entre pais e bebês nascidos prematuros ou com baixo peso em 1998, dois anos antes de ser adotado pelo Ministério da Saúde (MS) no ano 2000. E esse é um dos fatores que levaram a Maternidade Escola a ser reconhecida pela pasta como o primeiro Centro de Apoio às Boas Práticas de Parto e Nascimento do País.

 

"Imagine o que é chegar em casa com uma criança de 1,9 kg. As mães pensavam 'como é que eu vou fazer para cuidar desse bebê?'", diz o Carlos Augusto Alencar. Enquanto estão junto ao filho no hospital, mães e pais recebem orientações de cuidado, como dar banho, realizar a amamentação, colocar na posição correta para dormir.

 

A neonatologista Rosalina Ramos, chefe da Unidade Canguru da Meac, analisa que os 20 anos de uso da metodologia trouxe melhoria na qualidade do atendimento. "A mãe vai ser acolhida em todas as suas angústias e a equipe vai ter o cuidado de explicar e estimular, pouco a pouco, o toque, a conversa com o bebê".

 

Na própria UTI neonatal, antes mesmo de avançar para a Unidade Canguru (intermediária), os bebês já são colocados em contato pele a pele com a mãe. "Vamos pensar em uma mulher cujo bebê nasceu muito pequeno, que vai precisar de um suporte respiratório, cheio de aparelhos. Para ela é muito difícil", completa.

 

O estímulo dado dentro da Meac é de que a criança mame em até meia hora após o nascimento. E, mesmo que seja necessária a ida à incubadora, ela receba leite materno, retirado sob forma de ordenha.

 

Foi o que aconteceu com a vendedora Ingrid Lima. Aos 28 anos, ela teve parto prematuro do primeiro filho, Kaio Arthur, hoje com dois meses de vida. "Ele passou por respirador com oxigênio. E mesmo assim, eu tirava o leite e dava para ele", orgulha-se. O menino saiu da incubadora direto para o colo da mãe. "Fez com que ele se sentisse mais seguro". 

 

Ajuda a criar vínculos

 

O método canguru ajudou a Talita Alves, 20, a estreitar ainda mais os laços com as filhas gêmeas Isabela e Alice, que completaram 21 dias ontem. Nascidas prematuras, com 32 semanas, as meninas tiveram o calor do corpo, o cuidado e o carinho da mãe. O cuidado em conjunto com a equipe do hospital fez com que elas ganhassem 200 gramas de peso cada. A mãe teve o aprendizado sobre como cuidar das filhas, trazendo confiança para o momento de ir para casa. "Estou bem mais confiante. O pai também usa o Método Canguru com elas. É bonito de se ver".

 

CANGURU

 

Método, segundo Ministério da Saúde, entre outros benefícios, reduz o tempo de internação do recém-nascido e a incidência de infecção hospitalar, diminui o choro, e auxilia no controle e alí da dor

TAGS