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Justiça determina inclusão dos dez acusados na lista de procurados pela Interpol

| GEGÊ E PACA | Entre os acusados de participação nas mortes dos traficantes do PCC, em fevereiro deste ano, somente um deles, o piloto Felipe Ramos, está preso. Para a Justiça, há risco de fuga

01:30 | 21/09/2018
AQUIRAZ,CE,BRASIL,18.02.2018: Local onde os dois corpos, de vítimas líderes do PCC, foram encontrados em mata fechada às margens da lagoa da Encantada, que fica a 35 minutos de caminhada da sede da reserva indígena Jenipapo-Kanindé. Aquiraz fica na região metropolitana de Fortaleza.  (fotos: Tatiana Fortes/ O POVO)
AQUIRAZ,CE,BRASIL,18.02.2018: Local onde os dois corpos, de vítimas líderes do PCC, foram encontrados em mata fechada às margens da lagoa da Encantada, que fica a 35 minutos de caminhada da sede da reserva indígena Jenipapo-Kanindé. Aquiraz fica na região metropolitana de Fortaleza. (fotos: Tatiana Fortes/ O POVO)

Os dez réus acusados de participação nas execuções dos traficantes Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Sousa, o Paca, ambos membros da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), terão os nomes incluídos na lista de procurados pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Nove deles estão foragidos.

 

A determinação foi emitida pela 1ª Vara de Aquiraz e assinada pelo colegiado de três juízes que atua no processo. Datada do último dia 6 de setembro, a decisão de compartilhar os mandados de prisão no Canal de Difusão Vermelha da Interpol, que trata de casos de prisão de foragidos da Justiça, com vista à extradição, foi tornada pública somente na última quarta-feira, 19.

Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, chefões do PCC mortos em uma reserva indígena, em Aquiraz, litoral do Ceará, em 15 de fevereiro deste ano,  Tatiana Fortes
Fabiano Alves de Souza, o Paca, e Rogério Jeremias, o Gegê do Mangue, chefões do PCC mortos em uma reserva indígena, em Aquiraz, litoral do Ceará, em 15 de fevereiro deste ano, Tatiana Fortes

Os magistrados argumentam que existem "indicativos de que os acusados estariam foragidos no exterior ou na iminência de fugir". Neste último caso, fazem referência ao piloto Felipe Ramos Morais, 31, único dentre os réus que está preso. Foi capturado em 14 de maio, em Caldas Novas (GO), quando negociava os termos de sua apresentação à Polícia.

 

O POVO apurou que Felipe, classificado na lista como "preso com risco de fuga", era mantido na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, no Ceará, e foi transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, unidade de segurança máxima, no Rio Grande do Norte. Ele teve negado um pedido de revogação da prisão preventiva, no último dia 6.

 

Os juízes não detalharam os motivos pelos quais acreditam em risco de fuga do piloto, que contribuiu com as investigações do Ministério Público do Ceará (MPCE) e da Polícia Civil. Destacaram, porém, que a decisão complementa o recebimento da denúncia, em 17 de Agosto, quando foi decretada a prisão preventiva dos dez denunciados.

 

Todos são acusados de também pertencerem ao PCC, que tem atuação internacional e estaria garantindo abrigo ao grupo em "país estrangeiro ou mesmo em território brasileiro, na iminência de evasão". Conforme O POVO mostrou, em reportagem publicada no último dia 21 de agosto, o réu Gilberto Aparecido dos Santos, 48, apontado como mandante dos crimes, é considerado foragido desde 1999. Ele estaria na Colômbia.

 

Na decisão, os juízes demandaram que os nomes dos réus constem em consulta pública, no site da Interpol (www.interpol.int/en), e se comprometeram a "requerer formalmente a extradição, caso os procurados sejam localizados e presos no exterior", diz o texto.

 

Conforme informações prestadas ao O POVO pela Superintendência da Interpol no Ceará, uma difusão (divulgação) fica ativa por cinco anos, sendo elas renováveis ou canceladas, a qualquer tempo, a pedido da autoridade solicitante. Até o fechamento desta matéria, os nomes dos acusados ainda não constavam na busca disponibilizada no site.

 

OS NOMES QUE SERÃO INCLUÍDOS NA LISTA DA INTERPOL

 

Mandante

 

Gilberto Aparecido dos Santos, 48, o Fuminho. Foragido com prisão decretada. Teria ordenado os crimes. Foi acusado de duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, por organização criminosa e por manter uma casa de prostituição.

 

Planejamento e execução

 

André Luís da Costa Lopes, o Andrezinho da Baixada, 40. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

 

Erick Machado Santos, o Neguinho Rick da Baixada, 34.

Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, por organização criminosa e uso de documento falso.

 

Ronaldo Pereira da Costa, 33. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

 

Carlenito Pereira Maltas, 39, o Carlos ou Ceará. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

 

Tiago Lourenço de Sá de Lima, 31. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, organização criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.

 

Apoio na logística e fuga

 

Renato Oliveira Mota, 28. Foragido com prisão decretada. Foi denunciado por duplo homicídio, com concurso material e de pessoas, e por organização criminosa.

 

Denunciados por associação criminosa

 

Jefte Ferreira Santos, 21. Foragido com prisão decretada.

Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos, 45. Foragida com prisão decretada.

 

Ambos atuaram na logística de permanência do grupo no Ceará.

 

Único preso

 

Felipe Ramos Morais, 31, é piloto de helicóptero e guiou a aeronave utilizada na ação. Único preso, ele é mantido em uma penitenciária Federal. Denunciado por falsificação de documento público e por integrar organização criminosa.