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"Em caso de perseguição, não se deve efetuar disparos",diz André Costa

| ERRO POLICIAL | O tiro de um policial militar, que deveria atingir o pneu do carro, resultou na morte de Giselle Távora Araújo

01:30 | 13/06/2018
GISELLE Távora Araújo tinha 42 anos e era mãe de dois filhos REPRODUÇÃO/FACEBOOK
GISELLE Távora Araújo tinha 42 anos e era mãe de dois filhos REPRODUÇÃO/FACEBOOK

ABORDAGEM que resultou na morte de Giselle ocorreu na avenida Oliveira Paiva  ALEX GOMES/ESPECIAL PARA O POVO
ABORDAGEM que resultou na morte de Giselle ocorreu na avenida Oliveira Paiva ALEX GOMES/ESPECIAL PARA O POVO

Tudo ainda será apurado. Procedimentos, circunstâncias e detalhes técnicos. Mas algo já se pode afirmar: um erro resultou na morte de Giselle Távora Araújo, 42. O policial que disparou afirmou, em depoimento, ter mirado o pneu do carro que ela dirigia, mas a bala atingiu um pulmão da mulher. De acordo com especialistas e com o próprio secretário da Segurança Pública do Estado, André Costa, “em caso de perseguição, não se deve efetuar disparos”.

As informações dão conta de que policiais militares (PMs) do motopatrulhamento receberam denúncia de roubo de carro e suspeitaram se tratar do veículo dirigido por Giselle, de cor e modelo semelhante (HB20 branco). A abordagem desastrosa aconteceu na noite de segunda-feira, 11, na avenida Oliveira Paiva, e a vítima faleceu na manhã de ontem.

 

Segundo a filha de Giselle, que também estava no carro, a mãe não teria atendido à solicitação de parar, feita pelos policiais, por medo. Ela pensava que um assalto acontecia no carro logo atrás.

 

A irmã de Giselle, Clara Moura Fontoura Távora, afirmou que o relato da filha da vítima é de que mais de um tiro foi disparado, que os agentes de Segurança estavam encapuzados e usavam armas longas. “Ela parou no sinal e eles (PMs) já balearam, eles já vinham atirando. A filha dela disse que era um assalto no carro de trás, não sabiam que era com ela”, reconta Clara. Já com Giselle baleada, as duas conseguiram estacionar o veículo e foram, então, abordadas pelos PMs.

O relato repassado por Clara é de que a filha de Giselle foi colocada de joelhos enquanto pedia que a mãe fosse socorrida. “Depois que viram ela banhada de sangue chamaram a ambulância que ia passando. Tinha uma paramédica”, diz.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) apenas afirmou que o policial foi ouvido na noite da ocorrência. Ontem, durante entrega de 125 motos para a Polícia, o secretário André Costa destacou as dificuldades de trabalho dos policiais e afirmou que erros acontecem também em outras categorias profissionais. “Ainda é muito no início para fazer afirmações. Mas, a gente confia muito no trabalho dos nossos policias. Em qualquer Polícia do mundo, não só no Brasil, a gente vê situações como essa, em que talvez tenha havia algum erro, algum equívoco”, ponderou, ressaltando que disparos durante perseguições só devem ser efetuados caso haja risco a alguma vida.

No mesmo evento, o governador Camilo Santana (PT) defendeu que a Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp) é uma das melhores do País. “Esse caso específico, tomei conhecimento, determinei apuração do fato para que sejam apresentadas as justificativas. É lamentável, mas tudo deverá ser investigado e identificados os motivos dessa fatalidade”.

Giselle tinha dois filhos, de 13 e 19 anos. Era graduada em Pedagogia e cursava Administração. Após confirmação da morte, a família autorizou a doação das córneas.

 

PM

FORMAÇÃO

CURSO

A formação para ingresso no cargo de soldado é a terceira etapa do concurso e tem carga horária de 1.020 horas/aula.

 

ESPECIFICIDADES

Para conhecimentos em armas e munições letais e menos letais são dedicadas 36 horas; para tiro policial defensivo são 54. Direção aplicada à atividade policial demanda 36 horas.

 

POLÍCIA MILITAR

O POVO tentou saber há quanto tempo o PM que depôs ter atirado em Gisele estava ativo e quantos tiros são efetuados durante o curso. A assessoria da PM não atendeu as ligações e a da Aesp não informou os dados de tiros.

SARA OLIVEIRA