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Evento da UFC celebra a cultura africana

| 3ª EDIÇÃO | A Semana Cultural Africana ocorre em meio a casos de racismo e xenofobia na universidade. Mesas-redondas, rodas de conversa e oficinas de dança e culinária são algumas da atividades

24/05/2018 01:30:00
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É preciso discutir a cultura, a influência e a presença africana nas universidades federais brasileiras. A importância é defendida pelos intercambistas africanos estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os temas serão abordados na III Semana Cultural Africana, com tema “África-Brasil, elos eternos”. Não obstante já estar no calendário da UFC, o evento é realizado em meio a casos de racismo e xenofobia contra alunos da instituição. Em uma semana, dois bilhetes com mensagens de ódio foram encontrados nas dependências da universidade.


Segundo Inês Cardoso, professora do Departamento de Letras Estrangeiras da UFC e uma das organizadoras, o evento visa priorizar o protagonismo dos estudantes. “Esses alunos, embora de países distintos, se identificam muito como africanos. A exemplo de outras universidades federais, fizemos essa celebração para dar visibilidade ao Dia da África, dia 25”.


Com programação diversificada a partir de hoje até sábado, 26, o evento discute o processo de internacionalização da UFC e o papel da mulher africana e afro-descendente. Além de palestras e mesas-redondas, a Semana também conta com oficinas de tranças, turbantes, culinária e dança, e desfiles de trajes e acessórios. Outros aspectos abordados serão o ensino das literaturas africanas e afro-brasileiras e as práticas religiosas.


Em atividades-satélite, alunos africanos da UFC vão a escolas públicas para falar sobre o continente de origem. “Isso vai dar uma dimensão muito mais humana e próxima ao ensino das literaturas africanas e afro-brasileiras e da história e cultura africanas. Uma coisa é o aluno ler; é muito oportuno ouvir as informações de um africano”, frisa Inês.


De acordo com a professora, a ideia é que projeto seja ampliado. “Esse projeto ainda está engatinhando. A UFC certamente dialogará para ampliar esse programa. É a empatia o primeiro passo para quebrar preconceitos como racismo, xenofobia. Esse projeto também tem esse viés, embora não seja pensado principalmente para isso”.


Eveline Amado, aluna de Arquitetura e Urbanismo, participou das atividades nas escolas para falar sobre o país de origem, Cabo Verde. “Um dos estereótipos que ainda existem é de que a África não tem cidades grandes como no Brasil. Acham que é só deserto, selva, que é tudo tribal. As pessoas não veem o desenvolvimento dos países africanos”.

 

Apesar do esforço para a internacionalização da universidade, segundo ela, também é preciso um processo para que a comunidade acadêmica entenda a presença dos alunos africanos. “Acham que a gente vem roubar vagas deles. Devem ser feitas ações não só reativas. Não é só ter uma resposta da UFC, que não funciona. E aí a importância do evento. Eu nunca sofri preconceito do tipo, mas sei de vários casos constrangedores de preconceito dentro da UFC. Não só vindo de colegas de cursos, mas também de professores”.

 

Atualmente, são 95 matriculados na UFC oriundos do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). Destes, 84 são de países africanos. A maioria vem de Cabo Verde e de Guiné-Bissau, segundo a assessoria da universidade.


Dois bilhetes anônimos direcionadas a estudantes africanos, com mensagens de cunho racista e xenófobo, foram denunciados na UFC nas últimas semanas. Um foi encontrado no banheiro masculino da biblioteca do Centro de Humanidades II no dia 11; o outro, no dia 15, no mural do Núcleo de Pesquisa e Estudos Regionais (Nuper). Nas ocasiões, a UFC afirmou “repudiar qualquer atitude que transgrida a dignidade das pessoas”. O reitor, Henry de Holanda Campos, escreveu nota frisando que a instituição tem política inclusiva “com esforço de internacionalização que a transformou em uma das universidades brasileiras que mais acolhem estudantes estrangeiros”. (Ana Rute Ramires)

 

SERVIÇO


III Semana Cultural Africana da UFC


Onde: Centro de Humanidades da UFC (Av. da Universidade, 2683, Benfica) Quando: 24 a 26 de maio Informações: (85) 98151 0446 e 99838 4188 ou www.facebook.com/culturalafricanaufc

Gabrielle Zaranza

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