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Edifício em processo de tombamento é demolido no Centro

| PATRIMÔNIO | O prédio, localizado entre as ruas Franklin Távora e 25 de Março, estava em análise de tombamento pela Prefeitura desde 2010

04/05/2018 01:30:00
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A Agência de Fiscalização (Agefis) da Prefeitura de Fortaleza vai averiguar os escombros do prédio demolido em pleno processo de tombamento provisório no Centro da Capital. Penalidades para quem ordenou o desabamento ainda não foram definidas. Tanto porque não se sabe exatamente quem detém a propriedade do imóvel — se os antigos moradores ou um atual comprador — como porque, para a Prefeitura, que vistoriou o local pela última vez na sexta-feira passada, 27, tinham sido constatadas apenas “obras e atividades irregulares”.
[SAIBAMAIS] 

O POVO apurou com a vizinhança que o prédio, localizado na esquina entre as ruas Franklin Távora e 25 de Março, estaria em processo de venda desde o ano passado.
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Ocorre que o pedido de tombamento histórico provisório foi iniciado em 2010 por Maria Iraci Alves Coelho, hoje falecida, nora do então proprietário do imóvel, também falecido, o que, por si só, já impedia legalmente qualquer intervenção sem autorização municipal.

Mesmo assim, ainda que as derrubadas estivessem acontecendo há mais ou menos um mês e que do prédio histórico tenham restado somente duas grandes paredes descascadas, a Secretaria da Cultura (Secultfor) informou, em nota, que o processo de tombamento continua em análise e que, “no momento, estão sendo realizados estudos técnicos sobre o bem”. O órgão também informou que nenhuma solicitação de autorização para reformas e intervenções foi feita por parte da antiga família responsável pelo imóvel.
 

Antônio Pinto, corretor de imóveis que trabalha ao lado da edificação, contou que a família teria vendido o terreno e ido embora do País. No entanto, segundo ele, o contrato com o novo proprietário não foi concluído. “Não tem característica (de tombamento histórico)”, avaliou.
 

Segundo ele, a proteção estaria, inclusive, em vias de ser encerrada. “O problema todinho é que ele (atual comprador) está fazendo isso (demolindo) sem pedir licença”.
 

A reportagem identificou o comprador e tentou contatá-lo por telefone, mas as ligações não foram atendidas. No entanto, atendeu ao telefone a imobiliária que confirmou ter tentado intermediar a venda. Na ligação, um corretor próximo ao comprador interessado disse que não sabia da demolição e reforçou, como Antônio, que a venda não chegou a ser concluída. Também disse que o prédio já não existia mais e que, devido ao “abandono”, a vizinhança rotineiramente reclamava da presença de cupim no local.

 

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS


> Quem, atualmente, detém a propriedade do terreno?


> Quem se responsabiliza pela demolição do prédio?
 

> Qual penalidade será aplicada para quem ordenou e executou a demolição?
 

> A partir de agora, o que acontece com o pedido de tombamento provisório?  

 

Rubens Rodrigues

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