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Alternativas ao gás de cozinha aumentam risco de queimaduras

| ACIDENTES| Com alto preço do botijão, 23,4% dos lares cearenses usam carvão para cozinhar

01:30 | 16/05/2018

QUEIMADURAS em acidentes com álcool
tendem a ser de 2º e 3º graus
QUEIMADURAS em acidentes com álcool tendem a ser de 2º e 3º graus
“Pelo amor de Deus, procure comprar um gás. Viver isso aqui é triste”. A frase de Antônio Carlos Barbosa, 37, morador de Pentecoste, foi dita em uma enfermaria do Centro de Queimados do Instituto Dr.José Frota (IJF). Driblando a falta de dinheiro para comprar fogão e botijão de gás, ele cozinhava em uma latinha e fazia fogo usando álcool. Durante dois anos, nunca achou que algo errado poderia acontecer. Hoje está com 20% do corpo queimado. Nas estatísticas do IJF, Antônio está na categoria de exposição a combustão de substância muito inflamável. Dos 3.647 atendidos pelo Centro de Queimados em 2017, 36 sofreram acidentes semelhantes. 

O POVO mostrou na edição de segunda-feira, 14, que 23,4% dos lares cearenses usam como combustível lenha ou carvão, impulsionados pelo alto preço do gás — o valor médio do botijão de 13kg no Estado é de R$ 70,43, aponta a Agência Nacional do Petróleo. A realidade econômica desnuda situações de risco iminente de ferimentos graves: acendimento do fogo com álcool, cozimento de alimentos a partir desse combustível e até formas inadequadas de utilização do botijão. “Antes, os choques elétricos e os acidentes com líquidos quentes eram maioria no atendimento. Mas temos percebido que problemas com gás e as alternativas de fazer alimentos em casa têm causado muitos problemas”, afirma o chefe do Centro de Queimados do IJF, João Neto. Apesar do destaque, os números de atendimentos com este perfil este ano ainda não foram contabilizados pela unidade. O grande causador de acidentes, conforme o médico, é o álcool. Utilizado para tornar mais rápido o acendimento de churrasqueiras, fogões a lenha e a carvão, e também como base para acender fogareiros de pequeno porte, a substância esconde um grande perigo.  

“A maior parte dos acidentes acontece quando o fogo está apagando e a pessoa vai alimentar o fogareiro com álcool. No lugar de colocar uma pequena porção, alimenta com a própria garrafa de álcool. A chama do álcool é transparente, as pessoas têm a impressão que já apagou, mas o fogo entra na garrafa e então há explosão”, descreve o médico João Neto.  

Na maioria dos casos, as queimaduras decorrentes desses acidentes são de 2º e 3º graus. Isso porque é fácil que haja uma explosão, o que potencializa as lesões. Resultado do processo que se chama combustão, quando o oxigênio que está no ar entra em contato com o fogo e o combustível inflamável. “A queimadura com álcool hoje é de 2º grau e amanhã é de 3º grau, porque continua queimando no corpo. É energia cinética, e como a pele está muito quente, continua a queimar”, explica o especialista.  

João Neto faz questão de alertar também para os perigos dos botijões de gás. Ano passado, foram 32 atendimentos no IJF por explosão ou ruptura de cilindro de gás. A atenção deve estar direcionada à validade e qualidade da mangueira e às válvulas do botijão.  

“Para se ter ideia, tem gente que pega um fósforo, acende e testa perto do botijão para saber se está fugindo gás. Tem que testar com sabão e, se fizer bolha, é porque está saindo gás”.

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES 

O que fazer quando sofrer queimadura? > A primeira indicação é tomar banho em água corrente fria. É preciso haver troca de calor para que não continue queimando. > Nenhum produto deve ser utilizado: pomadas, óleos, hidratantes etc. > O próximo passo é seguir para o Centro de Queimados do IJF, que funciona 24 horas, com médicos de plantão. Quais as partes do corpo que geram mais problemas ao serem queimadas? Pés e mãos: pela funcionalidade que possuem. Rosto: queimaduras nessa área podem ainda lesionar as córneas ou gerar inalação de fumaça, afetando também o pulmão. Partes genitais: são locais de contaminação, por onde passam urina e fezes, que, portanto, podem agravar infecções. > Queimaduras são mais graves em crianças e idosos. Nas crianças, por terem uma área corporal pequena, qualquer queimadura ganha mais potencial. Nos idosos, os efeitos de outras comorbidades podem tornar o prognóstico pior. Fonte: chefe do Centro de Queimados do IJF, João Neto  

 

SERVIÇO Instituto Dr.José Frota (IJF) Onde: Rua Barão do Rio Branco, 1816 - Centro, Fortaleza (85) 3255 5000 

SARA OLIVEIRA