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Ponto de vista. Contextos

01:30 | 01/02/2018

A violência doméstica contra mulher é cotidiana e todas as mulheres podem ser vítimas, sem distinção.  

Mas há que se voltar o olhar para um subgrupo: a mulher pobre da periferia. Antes elas assistiam aos irmãos, aos pais, aos companheiros terem as vidas ceifadas pelos passos errados que deram em direção às drogas. Agora, no contexto de acirramento da guerra de facções e com as trajetórias marcadas pela exclusão e a vulnerabilidade, mais que criar os filhos órfãos de pais, ou viver às beiras dos presídios, mulheres têm morrido, num número que cresce a galope. Envolvidas ou não com o tráfico e a disputa de territórios, mulheres viram alvos de vingança entre inimigos; ou estão no lugar e no local errados; ou ocupam lugar de destaque na organização criminosa; ou têm a morte como exemplo numa doutrina de facção para qual não importa de quem foi o erro cometido; numa lógica cada vez mais desumana e irracional.  

Os contextos que levam às mortes dessas mulheres são complexos e difíceis de aferir com certeza, sem a devida investigação policial. Certo é que, na periferia, a vida de quem fica cambaleia na constância de que todo dia outro fato isolado pode levar embora mais alguém sem distinguir gênero. DOMITILA ANDRADE domitilaandrade@opovo.com.br