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No lançamento da Campanha da Fraternidade, pastorais cobram apoio

| CATÓLICOS | No evento estadual sobre a campanha, lideranças da Igreja ressaltam necessidade de refletir sobre formas de violência. Pastorais sociais reclamam que falta suporte

01:30 | 16/02/2018

ARCEBISPO DE Fortaleza afirmou: %u201CSomos muitos cristãos de nome, mas não de fato%u201D MAURI MELO
ARCEBISPO DE Fortaleza afirmou: %u201CSomos muitos cristãos de nome, mas não de fato%u201D MAURI MELO

Em um cenário nacional e local de agravamento da criminalidade, para além da violência traduzida no altos índices de homicídios, é preciso colocar em pauta a violência simbólica. A partir da perspectiva de lideranças da Arquidiocese de Fortaleza, o preconceito e o estigma social, bem como a falta de políticas públicas e de incentivo ao trabalho das pastorais são entraves para uma efetiva superação da violência.

 

Este ano, a questão será alvo de ações da Campanha da Fraternidade. Com tema “Fraternidade e Superação da Violência”, a campanha foi lançada em nível estadual na manhã de ontem, no Centro de Pastoral Maria, Mãe da Igreja.  

Uma visão violenta sobre a vida, de acordo com dom José Antônio Aparecido Tozzi Marques, arcebispo de Fortaleza, é um tipo de comportamento que prejudica a sociedade.

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“Somos muitos cristãos de nome, mas não de fato. Quando nossas convicções não são cristãs, quando nossa experiência é violenta, como a questão da pena de morte, de ‘bandido é na cadeia mesmo’. Todo esse modo humano de falar está presente e se manifesta em todos os níveis na vida da sociedade”, analisa.

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De acordo com o arcebispo de Fortaleza, a Campanha da Fraternidade nasce com uma proposta “conversão e nova fé”. “A gente espera que comece a partir daqueles que têm fé cristã e acolhem a orientação do papa, possam ser movidos para uma nova atitude. Começa no dia a dia, o próprio papa fala disso, em pequenas ações”. 

A atuação da Igreja de forma efetiva no enfrentamento à violência, de acordo com coordenadores de pastorais, demanda maior apoio às pastorais.

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“Infelizmente, dentro da Igreja institucional, dioceses e paróquias, não tem ainda o apoio que deveria ter. As paróquias estão muito preocupadas com organização interna da paróquia, liturgia, sacramento, catequese e dízimo, mas têm pouco cuidado e pouca atenção para dar mais força e ânimo a essas pastorais sociais que convivem com os problemas do nosso povo”, considera o padre Marcos Passerini, coordenador da Pastoral Carcerária. De acordo com ele, apesar das “limitações e do número ainda insuficiente de voluntários”, as pastorais tentam atuar nas comunidades no intuito de diminuir a violência.

Para o padre Lino Allegri, coordenador da Pastoral do Povo da Rua, há um “descaso”. “A nível de instituição falta um pouco de interesse em fortalecer as pastorais sociais”, diz.

ANA RUTE RAMIRES