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Na escola e na família

01:30 | 02/02/2018

Michel Chauvière, doutor em Sociologia e pesquisador de políticas sociais e processos de profissionalização, explica que o conceito de inclusão muda conforme realidades sociais. Ele separa os papeis de família e de escola neste processo. 

O POVO – No que consiste a educação inclusiva?  

Michel Chauvière – A ideia de inclusão é antiga, a própria democracia é uma forma de inclusão. A ideia de reforçar essa dimensão é que é mais recente. Ela vem pelas políticas para necessidades especiais ou através das políticas escolares. Então será que a ideia de inclusão mudou ao longo do tempo? Sim. Mas, a ideia de inclusão vai variar muito dentro da realidade de cada país, das configurações sociais. Na verdade, o próprio sistema político, os valores que são colocados em cima disso, sejam eles individuais ou de convivência coletiva, são diferentes em cada país.

OP – Como a família pode ajudar no processo? 

Chauvière – A família é um sistema, um espaço de vida. Ela tem uma responsabilidade grande também, mas engloba outros problemas que fazem parte do universo da família, que é diferente de problemáticas que fazem parte da escola, por exemplo. Como problemas de educação e doenças, os pais podem começar os primeiros problemas nesse pequeno mundo da família. 

Mas não é aí que se fala de inclusão, é uma questão de responsabilização, porque a gente não escolhe família. Não temos o direito de “se divorciar da família”, somente num caso de violência, mas não é a pessoa que pede essa separação, é um juiz que pede essa separação especializada. 

Inclusão na família não é bem o termo. Eles podem ajudar no sentido de guiar até a escola, até os meios que fazem e colaboram com a inclusão. Por outro lado, na escola é realmente interessante ver o histórico das necessidades específicas educativas e que a escola redescubra a educação para todos, não importa que tipo de necessidade especial, mas na prática não é tão fácil. Os professores não são preparados para isso, não são preparados para a heterogeneidade. Os salários não permitem essa formação. Então, se a escola realmente é para todos e quer acolher todos, precisa investir. Para ter mais pessoas capacitadas, mais meios, melhores salários. O salário é importante porque dessa forma as pessoas tomam gosto pelo trabalho. Mas as organizações estão longe de serem satisfeitas nessa questão.