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CIDADES
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Jornal

Além das ruas, a folia também ocupa os espaços privados em Fortaleza

| FESTAS | Shoppings de Fortaleza se apresentam como alternativas na programação carnavalesca

20/01/2018 01:30:00
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A alegria carnavalesca já pulsa nas ruas de Fortaleza nesta época do ano. Nos fins de semana que antecedem o Carnaval, a festa se espalha por blocos na Capital. E há foliões que preferem trocar as ruas pelos espaços privados, embora abertos, dos shoppings.


É o caso da analista judiciária Érica Costa, 46, que já frequentou Pré-Carnavais nas ruas, mas este ano escolheu aproveitar a festa com a família e os amigos no RioMar Fortaleza, no Papicu, por ser próximo de casa. “Os Carnavais na rua são muito lotados e no shopping é mais tranquilo”.

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O administrador Vladimir Moreira, 39, também fez a troca. Ele, que até dois anos atrás ia ao Mercado dos Pinhões e à Praça do Ferreira, resolveu optar pelos shoppings. Os motivos foram a aglomeração de pessoas e a menor sensação de segurança. “Não que lá não deixe de ter paz, só que a gente vê uma bagunça maior”. Justificativa semelhante à da professora Catherine Dourado, 31, que busca um “Carnaval em família” porque fica mais fácil levar a filha Beatriz, 3. “A única desvantagem é que termina cedo”, opina.

 

O que acontece hoje não é muito diferente de décadas atrás. Nos anos 1950, a folia de Fortaleza se espalhava por espaços públicos, como a Rua Senador Pompeu e a Avenida Duque de Caxias, e pelos ambientes fechados dos bailes em clubes, como Náutico, Diários, Iracema e Círculo Militar.

 

A tendência de promover festas em shoppings está relacionada à adaptação desses empreendimentos, que buscam atrair o consumidor a um ambiente que una conveniência e lazer. “O nosso Carnaval procura ser uma festa que congrega todos os públicos e que seja para toda a família”, define a gerente de marketing do RioMar Fortaleza, Michele Ribeiro. A expectativa de público do shopping é de 10 mil pessoas em cada dia fim de semana de festa gratuita.


No Iguatemi Fortaleza, o Bloquinho Charmoso, evento pago, é realizado na Área Verde do shopping com média de público de 2.500 pessoas por dia. Marcelo Rocha, sócio da Multi Entretenimento, empresa à frente da festa junto com a Solo Music, ressalta a diversidade de estilos, além do amplo estacionamento. “O Iguatemi oferece entretenimento com conforto e segurança. Tudo isso convergiu para a idealização do Bloquinho Charmoso”.


O estudante Alexandre Rebouças, 30, só costuma ir a Pré-Carnavais em espaços fechados, como o Bloquinho de Verão, no Colosso Lake Lounge. É o mesmo caso da estudante de Enfermagem Lídia Clara, 21, que optou pelo Iguatemi por causa da programação.


A empreendedora na área de moda Geyse Mendes, 33, que nunca foi aos Pré-Carnavais de rua, define o que motiva a escolha pelas festas privadas: “Nos shoppings eu acho mais seguro. O carro fica perto, é melhor para quem tem criança, o acesso é também mais fácil para estacionar”. (Lívia Priscilla)


VIVER A CIDADE


O dia a dia das crianças tem sido cada vez mais limitado a locais privados. As famílias têm escolhido condomínios fechados para criar os filhos e lazer direcionado aos apelos consumistas.


Nesses tempos em que nos fazemos apáticos a áreas verdes sendo reduzidas e festas populares — tão democráticas em essência — sendo transferidas para shoppings, é bom refletir sobre a cidadania que queremos que nossos filhos aprendam. Cidadania é conviver com empatia. Não há empatia se não conhecemos. Se não conhecemos, não há cuidado. Há desprezo, esquecimento, apatia, exclusão, violência. As crianças precisam conhecer a cidade, suas belezas e seus problemas.Não podemos negar a elas o direito à cidade, a viver esse relacionamento que gera afeto e responsabilidade. Quanto mais nos fecharmos, mais seremos coagidos, violados, resumidos. Viver a cidade é resistir, é subverter à maquiagem de “segurança e conforto”. Sou mãe preocupada e zelosa também. Sou pelo Carnaval nos espaços públicos!


Sara Rebeca Aguiar

professora e jornalista (vidaciranda.com.br)

Gabrielle Zaranza

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