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O que é o HIIT?

Diferentemente de uma modalidade específica, o treinamento intervalado se trata muito mais de um modus operandi que pode ser adaptado a diversas modalidades

14/08/2018 12:19:22
 SEGUNDO os profissionais da educação física, o Hiit é uma ótima opção de treino, desde que seja feito com técnica e acompanhamento
SEGUNDO os profissionais da educação física, o Hiit é uma ótima opção de treino, desde que seja feito com técnica e acompanhamento (Foto: Mateus Dantas/Mateus Dantas)

Apesar de estar em alta principalmente nos últimos três anos, o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (Hiit, sigla em inglês) não é algo novo. A prática já é adotada em preparações físicas desde a década de 1990. De acordo com o educador físico Rossman Cavalcante, são sequências de exercícios de intensidade alta ou máxima, intercalados com descanso ou exercícios de baixa intensidade com fins recuperativos. O exercício é antes de tudo uma metodologia que pode ser aplicada a diversas modalidades como nado, esteira, musculação ou treinamento funcional.

Em outras palavras, a ideia é que a pessoa que pratica o exercício possa chegar na maior intensidade possível no menor espaço de tempo. Apesar de existirem diversos protocolos, a média pode ser de 20 a 30 segundos em treinamento intenso para cada dez de descanso intercalando em séries. Por se tratar de exercício de alta intensidade, o tempo máximo de realização é de 30 minutos. A atividade que costumava ir de encontro a metodologias antigas, hoje tem diversos estudos e protocolos da eficácia.

“Da mesma forma que existem vários protocolos de Hiit, com claras diferenças nas variáveis empregadas (exercício principal, intensidade, duração dos estímulos intensos, duração dos intervalos de recuperação e volume total do treino), existem diferentes indicações que incluem desde a preparação física esportiva, emagrecimento e até programas de reabilitação cardiovascular”, explica Cavalcante.

Com aulas diárias de Hiit, a educadora física Samira Santos vê o exercício ganhar cada vez mais adeptos. Além dos resultados na perda de peso, ela acredita que o tempo curto de exercício também é um atrativo. “Ele atende muito às necessidades da nossa rotina agitada do dia a dia. Há uma sensação de bem-estar em pouco tempo, a pessoa consegue emagrecer, melhorar o condicionamento físico e isso fica mais otimizado”, afirma. Samira dá aulas de HIIT na academia Ayo Fitness e explica ainda que o efeito ocorre devido à rápida aceleração do metabolismo, que faz com que o corpo continue tendo gastos calóricos por muito mais tempo após o exercício.

É o chamado efeito Epoc (Excess Post-Exercise Oxygen Consution), em livre tradução, o consumo excessivo de oxigênio após o exercício que é bem maior em exercícios de alta intensidade do que em exercícios de menor intensidade como os aeróbicos tradicionais e a musculação. Estudos mostram que esse efeito mantém o corpo em gasto metabólico muitas horas pós exercício. Samira alerta que a condição ideal do treino é aliá-lo à musculação, já que a metodologia não é tão indicada para ganho de massa muscular.

Mas será que intensidades tão altas não podem trazer prejuízos para o corpo? Bom, conforme os profissionais, não existe necessariamente uma contraindicação no exercício em si desde que ele seja realizado de forma correta e com acompanhamento. Há, sim, algumas pessoas que podem estar contraindicadas a realizar o Hiit. É o caso de pessoas com alguma doença cardiorrespiratória ou articular. Nesta última condição, é importante que os exercícios ocorram de modo personalizado e dirigido.

Rossman Cavalcante levanta ainda o risco da questão mercadológica. “As pessoas estão "sedentas" de soluções prontas e rápidas para seus problemas, entre os quais a falta de tempo e o excesso de peso. O Hiit surgiu mais recentemente "envelopado" como a solução para quem quer emagrecer e não dispõe de muito tempo para treinar... Não é bem assim, muita calma nessa hora,” alerta. Conforme o profissional, a metodologia é, sim, uma excelente opção de treinamento, desde que utilizada com técnica, acompanhamento e controle.

EDUARDA TALICY