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O desmonte da cultura no governo Temer

01:30 | 13/06/2018

Apenas dois presidentes extinguiram o Ministério da Cultura (Minc): Fernando Collor em 1992 e Michel Temer em 2016, quando ainda era interino. Sob o governo do emedebista, a gestão da cultura passa maus bocados. Em dois anos, o ministério foi rebaixado a secretaria e depois recriado. Para comandar a pasta, foi nomeado Marcelo Calero, que pediria demissão seis meses depois por se recusar a ceder a interesses nada republicanos do então ministro Geddel Vieira Lima. 

 

Com a saída de Calero, entrou em cena o deputado federal Roberto Freire (PSB), cuja passagem pelo Minc se destacou pela grosseria disparada contra Raduan Nassar durante cerimônia de homenagem ao autor de Lavoura arcaica. E quando tudo fazia crer que mais ninguém toparia chefiar o ministério, eis que chega Sérgio Sá Leitão, que logo tratou de cultivar as próprias polêmicas. Primeiro, ao defender mudanças na Lei Rouanet para atender o lobby do conservadorismo. Em seguida, na escolha do concorrente brasileiro ao Oscar, preterindo Aquarius, de Kleber Mendonça Filho. A controvérsia da vez – se o ministro vai deixar ou não a pasta – é irrelevante diante do potencial estrago da aprovação da medida provisória 841, que transfere recursos da Cultura para a área da Segurança, reduzindo o percentual de repasse para o Minc de 3% das verbas oriundas das loterias para cerca de 1% ou 0,5%. Por nota, Sá bateu no presidente. Fez menção de que sairia, mas, ao fim do dia, recuou da decisão.

 

IDAS E VINDAS NO MINC
 

Quando tudo fazia crer que mais ninguém toparia chefiar o Ministério da Cultura na gestão Temer, eis que chega Sérgio Sá Leitão, que logo tratou de cultivar suas próprias
polêmicas  

 

HENRIQUE ARAÚJO
JORNALISTA DO O POVO
henriquearaujo@opovo.com.br

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