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Cenário: solução para evasão escolar tem de partir de todos

01:30 | 24/04/2018

Números não conseguem mensurar vidas. No Ceará, em 2016, quase 33 mil meninos e meninas entre 6 e 17 anos não tinham acesso a um dos principais e decisivos direitos garantidos pela Constituição — a educação. O efeito e as razões disso, entretanto, não costumam ser contemplados em pesquisas, o que talvez demonstre a prioridade que o tema mereça. 


Os dados, da Secretaria da Educação do Ceará (Seduc), exibem ainda um abandono escolar de 6,6% em 2017 na rede de ensino médio, que somam cerca de 21 mil alunos que já estiveram na escola e desistiram no meio do caminho. Se pensarmos a longo prazo, também podemos citar números: jovens com até três anos de estudo têm cerca de 4.473% mais chances de morrerem assassinados do que aqueles com 12 anos ou mais que estão na escola (dados de estudo da Flacso Brasil, de 2016).
 

É preciso conceber o problema como interdependente entre os poderes e as redes de ensino. Compreensão difícil se considerada a divisão de responsabilidades entre municípios, que executam os ensinos infantil e fundamenta; Estado, que tem maior atuação no ensino médio, e União, com papel decisivo no nível superior. O impacto dessa divisão é sentido desde a formulação de um currículo que não contempla contextos atuais dos alunos até a falta de estabilidade na geração de renda da familiar.
 

Qualquer medida que pretenda solucionar o abismo numérico precisa considerar as vidas e seus problemas, que começam na educação infantil, se agregam a outras questões no ensino fundamental e se tornam trágicos no ensino médio. 

 

EFEITOS DA EVASÃO
 

Jovens com até três anos de estudo têm cerca de 4.473% mais chances de morrerem assassinados do que aqueles com 12 anos ou mais de escola (dados de estudo da Flacso Brasil, de 2016)  

 

SARA OLIVEIRA
REPÓRTER
saraoliveira@opovo.com.br 

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