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Não bastaram os tiros?

01:30 | 19/03/2018

A sociedade ainda chora o assassinato cruel e intolerável da vereadora Marielle Franco, numa ação que custou também a vida do seu motorista Anderson Gomes, e uma outra maldade vai se manifestando de maneira igualmente ameaçadora sobre todos nós. Não apenas em relação à força política que a vítima principal representava, ou às ideias que defendia, trata-se de algo capaz de, no limite, minar o próprio processo democrático do País. O nome pomposo e universal é “fake news”, mas pode chamar de notícia falsa que o resultado será igualmente devastador. Nos últimos dias, as redes sociais infestam-se de informações e comentários com o objetivo inconfesso de denegrir a imagem da vereadora, criar constrangimentos, macular sua história e, em situações extremas, relativizar a barbaridade violenta que a atingiu. O pior é a participação de agentes da institucionalidade, parlamentares, magistrados, promotores, enfim, aquela parcela que deveria agir pela tranquilidade social, especialmente em momentos de turbulência, e opta pelo contrário, alimentando uma discussão desqualificada e de baixíssimo nível. Espera-se que a história de resistência de Marielle ajude a inspirar uma reação, na forma de um combate firme e de uma disposição de levar os culpados identificados à punição. É inaceitável a um povo civilizado que razões políticas menores sirvam a assassinatos virtuais sem que isso leve às responsabilizações necessárias. Já basta, considerando-se o caso específico, a dor da morte material.


GUÁLTER GEORGE

EDITOR-EXECUTIVO DE POLÍTICA

gualter@opovo.com.br

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