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Dois PMs presos por envolvimento na morte de turista espanhola

Maria Esperanza Ruiz Jimenez foi vítima de tiros quando o motorista do carro no qual se deslocava na Rocinha teria tentado furar barreira policial

24/10/2017 01:30:00
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMRJ) informou, em nota sobre a morte da turista espanhola Maria Esperanza Ruiz Jimenez, de 67 anos, na Favela da Rocinha, que a corregedoria da corporação determinou a prisão em flagrante dos dois policiais diretamente envolvidos no fato – um oficial (tenente) e um soldado. Os dois policiais foram encaminhados para Unidade Prisional da PM, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro. “Após análise do fato, caberá ao Ministério Público Militar do Estado Rio de Janeiro decidir os rumos da investigação”, diz a nota divulgada pela PM.

 

A nota diz, ainda, que a Polícia Militar, assim como das demais forças de segurança do país, segue os procedimentos estabelecidos no Manual de Abordagem. O manual diz que, em casos como o que ocorreu nesta segunda-feira, os policiais não devem fazer disparos e sim perseguir o veículo que não obedeceu à ordem de parar e bloquear sua passagem assim que for possível. A razão pela qual esse procedimento não foi cumprido é também objeto da investigação em curso.


Os dois militares foram ouvidos na 1ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar da PM, e, em seguida, seriam encaminhados para a Divisão de Homicídios onde o delegado Fábio Cardoso, encarregado do inquérito, deveria ouvi-los.

 

Não viu


O motorista do carro, que é italiano e mora há quatro anos no Brasil, foi contratado por uma empresa de turismo da Espanha para o transporte dos turistas no Rio. Com ele, viajava também uma guia de turismo contratada por uma microempresa para levar os turistas espanhóis para um passeio turístico pela cidade, informou a delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia Especial de Apoio ao Turista, que está dando apoio à investigação. Ele disse à Polícia Civil não ter visualizado o bloqueio policial de dentro do carro, que tem película escura nos vidros.


Segundo o delegado Fabio Cardoso, da Delegacia de Homicídios do Rio, onde ficarão concentradas as investigações, informações preliminares dão conta de que “o motorista não viu a suposta blitz”.


“Foi ouvido o disparo e a turista caiu dentro do carro. A irmã dela estava no carro e disse que também não viu o bloqueio”, afirmou o delegado. “Uma turista vir ao Rio e ser assassinada é inadmissível. A gente vai identificar e colocar na cadeia quem fez essa covardia,” disse ele.

Adriano Nogueira

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