PUBLICIDADE
Mais Esportes
NOTÍCIA

Crítica de filme: drama mostra bastidor pouco conhecido do mundo da NBA

13:42 | 15/06/2020
High Flying Bird é um filme de 2019  (Foto: Divulgação)
High Flying Bird é um filme de 2019 (Foto: Divulgação)

Steven Soderbergh é um cineasta que tem diversos trabalhos marcantes em sua filmografia. E em 2019 esteve envolvido em três lançamentos abordando temas parecidos: bastidores obscuros de algumas entidades poderosas.

Scott Z. Burns foi seu parceiro em dois desses projetos (o excelente 'O Relatório' que conta a verídica investigação sobre como a CIA fazia os interrogatórios dos atentados das torres de 2001 e o irregular 'A Lavanderia' falando sobre o escândalo fiscal Panamá Papers de 2016).

Só que antes desses dois trabalhos Soderbergh já tinha apresentado algo relevante no começo do ano em 'High Flying Bird', uma ficção dos bastidores da NBA (liga de basquete americana) inspirada vagamente na paralisação que houvera em 2011.

Ao lado do premiado dramaturgo e roteirista Tarell Alvin McCraney (do premiado Moonlight), Soderbergh apresenta o agente profissional de basquete Ray (André Holland) que está sofrendo com a paralisação dos jogos da NBA há meses, pois está prestes a ser demitido por sua agência por falta de recursos. Ray, porém, tem uma ideia revolucionária que pode mudar a forma como as negociações estão travadas e até no futuro da liga americana.

A obra debate temas interessantes sobre propriedade e justiça num mercado esportivo conhecido por movimentar cifras exorbitantes. E o roteiro de McCraney é certeiro em mostrar esses temas na perspectiva também dos jovens atletas que após draftados (processo de recrutamento de jogadores para ingressar na liga) se mostram os mais vulneráveis nesse ambiente. Outro aspecto que chama a atenção é a questão racial, estabelecida na NBA como o fato da prevalência majoritária de homens brancos tendo total controle na carreira dos atletas, muitos dos quais são obviamente negros.

High Flying Bird' é uma mistura de fatos e ficção que permite percorrer uma variedade de temas que ressoam em diversos níveis do mundo esportivo. E essa excelente história ainda é muito bem conduzida por Soderbergh, que mostra muita qualidade em sua direção (além de assinar fotografia e montagem com seus pseudônimos, como habitual) provando ser realmente um dos cineastas mais importantes de sua geração. (Thiago Minhoca)