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Menor cota de TV do Paulistão é 10 vezes maior do que Ceará e Fortaleza ganham no Cearense

Soma de cotas de todos os times chega a ficar perto de R$ 200 milhões; no Cearense, clubes nem recebem premiação em dinheiro

12:08 | 27/12/2019
Neste ano, o Cearense rendeu apenas R$ 600 mil para Ceará e Fortaleza
Neste ano, o Cearense rendeu apenas R$ 600 mil para Ceará e Fortaleza (Foto: JÚLIO CAESAR)

No futebol brasileiro, já faz um bom tempo que existe uma discussão sobre a rentabilidade dos campeonatos estaduais. Os críticos dizem que os torneios são deficitários e não rendem muita coisa além do título regional, que já foi muito mais valorizado do que hoje. Esses questionamentos podem ser compreendidos quando se analisam as diferenças de cotas de TV entre o Campeonato Paulista, o maior do país, e o Campeonato Cearense.

A Rede Globo paga apenas R$ 600 mil para transmitir os jogos de Ceará e Fortaleza na televisão, em contrato que abrange apenas o canal aberto. É a maior quantia entre os times que jogam na primeira divisão do futebol local. No Paulistão, a menor cota é exatamente dez vezes maior do que esse valor. Times como Água Santa, Red Bull Bragantino, Ferroviária e Oeste ganham R$ 6 milhões da maior emissora do país, em acordo que inclui também TV fechada e pay per view.

No total, somando também as cotas recebidas por Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras, que giram em torno de R$ 26 milhões, a bolada chega a R$ 187,9 milhões. As verbas de premiação também são elevadas, somando R$ 11,79 milhões. Em 2019, esse valor nem existiu no futebol local: os times cearenses não receberam premiações em dinheiro por títulos ou classificações, e sim apenas o valor pela venda dos direitos de transmissão.

Depois de Ceará e Fortaleza, o Ferroviário recebeu a segunda maior quantia no Estadual: R$ 180 mil. Os demais times embolsaram apenas R$ 75 mil. Um valor irrisório comparado ao que ganham as equipes do estado mais rico do país.

Segundo levantamento do Podcast 45 Minutos, os R$ 6 milhões recebidos pelo Água Santa, por exemplo, representam todo o dinheiro que Sport, Vitória, Santa Cruz, Ceará, Fortaleza, Náutico e Bahia recebem juntos para disputarem seus estaduais. A cota de Pernambuco é a maior, com R$ 1 milhão para cada equipe do trio de ferro.

A Copa do Nordeste, principal torneio em termos de rentabilidade no futebol nordestino, paga R$ 2,2 milhões para os times do Pote 1, que estão nas melhores posições no ranking da CBF. A quantia é cerca de 2,7 vezes menor do que a menor cota do Paulistão. Em valores totais, o Nordestão paga R$ 34,3 milhões pelas venda dos direitos de transmissão – quase cinco vezes menos do que recebem todos os times paulistas somados.