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Seleção feminina de vôlei da Unifor busca apoio para jogar a Superliga

Campeãs dos Jogos Universitários em outubro, as atletas e a universidade estão em busca de um maior patrocínio para jogar a liga nacional

09:44 | 26/11/2019
Equipe de voleibol feminino da Unifor que venceu os Jogos Universitários Brasileiros neste ano
Equipe de voleibol feminino da Unifor que venceu os Jogos Universitários Brasileiros neste ano (Foto: Divulgação)

O sucesso nas quadras fez o time de vôlei feminino da Universidade de Fortaleza (Unifor) sonhar com coisas maiores. Campeãs dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) no fim de outubro deste ano, em Salvador, as atletas querem ir além e ingressar na Superliga C, a terceira divisão da principal liga de voleibol do país. Mas para que isso aconteça, a instituição de ensino, junto com as jogadoras, precisará captar mais recursos e buscar um aporte financeiro maior.

Mayra Dias é uma das “alunas-atletas” da Unifor. Advogada formada em Direito pela universidade, hoje ela divide as aulas no curso de Ciências Contábeis com os treinos da seleção feminina de vôlei. A líbero de 27 anos não esteve presente no JUBs, mas vendo o desempenho de suas colegas, ela se empolgou com o futuro da modalidade: “A gente viu que nosso time é muito forte e consegue até ir além”.

A seleção chegou ao topo do pódio depois de bater na trave (ou rede) algumas vezes. Em 2018, ficou no quarto lugar. Nos anos anteriores, voltou com a medalha de bronze. Neste ano, o título veio com uma vitória por 3 sets a 0 sobre a UNOCHAPECÓ, de Santa Catarina. Algumas das equipes vencidas nos mata-matas da competição, segundo Mayra, possuem jogadoras que atuam na primeira e segunda divisões da Superliga.

As atletas têm direito a uma bolsa meritória de desconto na matrícula no ano subsequente à conquista de um título nacional. Além disso, a universidade oferece sua estrutura para treinos, além de custear despesas nas viagens universitárias, como transporte e alimentação. Por meio da Divisão de Assuntos Desportivos (DAD), a Unifor administra os trâmites internos e externos das suas modalidades que oferece: atletismo, basquetebol, judô, futsal e futebol de campo, além do voleibol.

Para disputar a Superliga C, porém, é praticamente unânime que a estruturação financeira deve ser maior. Diretor do DAD, Ralciney Barbosa alega que a Unifor procura captar recursos e patrocínios por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, que permite que empresas e pessoas físicas destinem parte de seu imposto de renda a projetos desportivos: “Caso esses projetos sejam aprovados, a universidade possui mecanismos para buscar empresas para incentivá-los. Além disso, estamos buscando patrocínio direto para essa participação”. Neste ano, a competição foi realizada entre os dias 30 de setembro e 6 de outubro.

Segundo Mayra, os custos para ingressar na liga nacional são altos. Além da despesa com a taxa de inscrição, também existem gastos com transporte e alimentação. Neste ano, o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), organizador do torneio junto à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), se comprometeu a pagar passagens aéreas e hospedagem. A Unifor até chegou a inscrever sua equipe, mas voltou atrás antes do prazo final de confirmação.

Sem o apoio necessário para disputar o campeonato, as atletas estariam “pagando pra jogar”, como diz a líbero. “Se a gente conseguisse patrocínio pra colocar esse projeto pra frente, talvez a gente conseguisse mais. Mesmo com todas as limitações, derrotamos alguém que é acima da gente”, destacou, referindo-se às adversárias no JUBs.

O investimento na comissão técnica também deve ser incrementado. Atualmente, a equipe é comandada pelo técnico Luiz Marcelo Vieira, mas Mayra avalia que as atletas também precisam de um preparador físico. Ralciney afirma que a própria Unifor pode fornecer essa mão de obra por meio de seu quadro de alunos e professores, sem necessidade de contratar profissionais por fora, e sim aumentar suas cargas horárias.

Atualmente, o Ceará não tem nenhuma equipe nas três divisões da Superliga feminina. O panorama do estado é de escassez, e a nível nacional esse cenário também não indica um bom futuro: “O voleibol brasileiro como um todo passa por um momento de crise. Hoje, nossas equipes de base não conseguem resultados em nível mundial como há dez anos, o que vai refletir daqui a pouco tempo nas equipes adultas”, diz Ralciney.

O diretor desportivo da Unifor ainda afirma que a situação do vôlei cearense está em condições precárias que vêm desde a formação de base: “No caso do Ceará, os clubes acabaram e os atletas são formados nas escolas com muitas lacunas físicas, motoras e técnicas. Se observarmos os campeonatos cearenses, não temos a participação de clubes e sim de escolas ou grupos que se reúnem para ‘rachar’ e entram na competição”.

Mesmo que as perspectivas do esporte no estado não sejam muito positivas, Mayra não deixa de expressar seu otimismo em relação à seleção feminina da Unifor. Ela acredita que o esforço e o merecimento podem levar a equipe a conquistar coisas maiores no futuro: “Quem é atleta e sabe dos resultados e dos benefícios que tem o esporte na sua vida, realmente joga muito mais por amor. Através de tudo isso, a gente acredita no resultado, a gente merece esse retorno por todas as nossas lutas”.