LeBron chega às finais da NBA pelo oitavo ano seguido; relembre a trajetóriaMais Esportes | Esportes O POVO
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LeBron chega às finais da NBA pelo oitavo ano seguido; relembre a trajetória

Há oito temporadas, LeBron James vem fazendo jus ao apelido de ?Rei?. Senão da NBA, pelo menos da Conferência Leste, já que, com a vitória do Cleveland Cavaliers sobre o Boston Celtics no último domingo, o astro confirmou presença na grande final da liga pelo oitavo ano seguido. O adversário será o mesmo das últimas [?]

10:15 | 30/05/2018

Há oito temporadas, LeBron James vem fazendo jus ao apelido de ?Rei?. Senão da NBA, pelo menos da Conferência Leste, já que, com a vitória do Cleveland Cavaliers sobre o Boston Celtics no último domingo, o astro confirmou presença na grande final da liga pelo oitavo ano seguido. O adversário será o mesmo das últimas três decisões: o Golden State Warriors, de Kevin Durant, Stephen Curry e companhia, em série que começa nesta quinta-feira, com Jogo 1 previsto para começar às 22h (no horário de Brasília).

Antes desta sequência absurda, que teve início em 2011, o camisa 23 só havia disputado uma final em sua carreira. Na ocasião, o jogador, ainda com apenas 22 anos de idade e em sua primeira passagem pelos Cavaliers, foi derrotado pelo San Antonio Spurs sem vencer um jogo sequer na série. Foram médias de 22 pontos, 7 rebotes e 6.8 assistências nos quatro jogos de sua primeira finalíssima, em 2007.

Pressionado pelo fracasso, que se acumulou nas três temporadas seguintes, ao ser eliminado duas vezes para os Celtics em semifinais de conferência e uma para o Orlando Magic, na final do Leste de 2009, James, que havia sido eleito MVP da Temporada Regular por duas vezes consecutivas, se viu obrigado a tomar uma decisão. Ao fim da temporada 2009/2010, o ala anunciou sua saída de Cleveland. Em projeto ambicioso, passaria a defender o Miami Heat, formando um trio estelar com Dwyane Wade e Chris Bosh.

O anel passou a ser obrigação. Em seu ano de estreia na Flórida, ficou com a segunda melhor campanha do Leste na primeira parte da temporada. Nos playoffs, desbancou o Chicago Bulls de Derrick Rose nas finais de conferência e voltou a decidir o campeonato, após quatro anos de ausência. O adversário foi o Dallas Mavericks, comandado pelo alemão Dirk Nowitzki, que levou a melhor na série, vencendo por 4 a 1 com direito a jogo do título em Miami. Foram 17.8 pontos, 7.2 rebotes e 6.8 assistências de média para LeBron, que conviveria com o rótulo de ?pipoqueiro? por mais um ano.

A ressurreição veio em 2012. Reforçando o banco de reservas e disponibilizando um plantel mais qualificado para ajudar seu ?Big 3?, o Miami Heat voltou à final da NBA. O adversário seria o Oklahoma City Thunder, das sensações Kevin Durant, Russel Westbrook e James Harden. Contudo, desta vez não teve quem tirasse o tão suado anel de LeBron James. Com 28.6 pontos, 10.2 rebotes e 7.2 assistências de media na série, que terminou 4 a 1 para o Heat, o ?Rei? finalmente levantou o troféu Larry O?Brien e tirou o peso de suas costas.

A partir daí, até hoje, o camisa 23 nunca mais esteve ausente nas finais da competição. Das oito decisões disputadas por ele na carreira, contando a primeira, que não faz parte da atual sequência monstruosa, saiu campeão em três. As outras duas foram contra San Antonio, no ano seguinte ao seu primeiro título, anotando médias de 25.3 pontos, 10.9 rebotes e 7 assistências, e contra o Golden State Warriors, em 2016, já de volta ao Cleveland Cavaliers, com marcas de 29.7 jogos, 11.3 rebotes e 8.9 assistências por jogo na série que terminou em 4 a 3.

Em 2014, foi derrotado pelos Spurs, em revanche do time texano. Em 2015, Warriors campeões, com destaque para a dupla dinâmica formada por Stephen Curry e Klay Thompson. Com a ida de Kevin Durant ao já campeão Golden State, em 2016, a situação se complicou. Mesmo com a grande parceria formada junto a Kyrie Irving, LeBron e os Cavaliers não suportaram o volume imposto pelos adversários na temporada passada e perderam a finalíssima por 4 a 1.

A situação piorou ainda mais nesta temporada, quando Irving optou por dar rumos diferentes à sua carreira, fechando com o Boston Celtics. O time dos Cavs teve de ser reconstruído ao longo da campanha e, mesmo assim, acabou alcançando outra decisão de NBA. E não é arriscado dizer que, dadas as circunstâncias, James passou a se ver obrigado a jogar ?como nos velhos tempos?, praticamente sozinho em Cleveland.

E os números comprovam o fato. Na atual pós-temporada, são 34 pontos, 9.2 rebotes e 8.8 assistências de média nas 18 partidas que disputou. A marca referente à pontuação é maior em relação a todos os playoffs anteriores. Só não supera o feito de 2009, quando nem na final chegou. Ademais, são 23.2 tentativas de arremessos por confronto, número este que só não é maior do que os de 2015. A média de arremessos convertidos, 12.6 por jogo, também é a maior já alcançada.  Os passes são outro quesito que não deixa a desejar e indicam uma participação predominante do astro nas ações com bola do time. Afinal, a média de assistências do jogador nunca foi tão alta em pós-temporadas.

Se as estatísticas principais do jogador nestes playoffs forem comparadas às que obteve, em média, em todas as últimas sete finais que disputou, os números são animadores. Os 34 pontos por jogo superam os 28.4 de toda a sequência de finalíssimas em que tem marcado presença, assim como as 8.8 assistências, maiores do que as 7.5 alcançadas no histórico. Apenas os rebotes são inferiores, já que os 9.2 não batem a marca de 10.3 das decisões.

Analisando o índice de plus-minus, que mede o impacto de determinado jogador no placar das partidas enquanto está em quadra, a enorme importância de LeBron para o atual time dos Cavs, sobretudo no ataque, fica ainda mais evidente. Com o ?Rei? em quadra, a equipe leva vantagem de 14.7 pontos no marcador, em média, a cada 100 posses de bola nesta pós-temporada. Ou seja, quando seu principal jogador está em ação, o time de Cleveland tende a ganhar entre 14 e 15 pontos de frente no placar, marca bem superior em relação às edições anteriores. Vale lembrar que LeBron tem jogado cerca de 41 minutos por jogo.

Por essas e outras que o título deste ano é, sem dúvidas, especial para LeBron James. O camisa 23 nunca fora tão essencial e tão efetivo na campanha de um time como nesta temporada. Seria uma espécie de redenção da primeira final que disputou, há mais de 10 anos. Além do mais, quer provar, acima de tudo, que é capaz de superar os Warriors mesmo com todas as adversidades enfrentadas. Se vencer, igualará o número de conquistas dos rivais em relação à disputa dos últimos quatro anos. Fato é que, independentemente do resultado, ele vem provando que quanto mais tempo passa, mais completo e mais decisivo fica.

 

Gazeta Esportiva

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