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Ex-preparador físico e técnico do Timão recorda sua São Silvestre

José Carlos Teixeira entrou para a história do Corinthians ao fazer parte da comissão técnica, liderada por Oswaldo Brandão, que se sagrou campeã paulista de 1977, acabando com o jejum de títulos de 22 anos do clube. No entanto, o ex-preparador físico tem histórias que vão muito além do futebol. Há exatas seis décadas, Teixeira, [?]

13:15 | 26/12/2017

José Carlos Teixeira entrou para a história do Corinthians ao fazer parte da comissão técnica, liderada por Oswaldo Brandão, que se sagrou campeã paulista de 1977, acabando com o jejum de títulos de 22 anos do clube. No entanto, o ex-preparador físico tem histórias que vão muito além do futebol. Há exatas seis décadas, Teixeira, então estudante de educação física da Universidade de São Paulo (USP), participava pela primeira vez da Corrida Internacional de São Silvestre.

Confira com detalhes o percurso da São Silvestre

Eterno amante dos esportes, o Professor Teixeira, como também é conhecido, trilhou uma carreira vitoriosa no futebol. Permaneceu por 11 anos no São Paulo, viveu momentos gloriosos ao longo de 12 temporadas no Corinthians, acumulou passagens pela Seleção Brasileira, foi o responsável por viabilizar a chegada de craques como Garrincha e Sócrates ao Parque São Jorge, além de marcar época no Ituano, Novorizontino e até mesmo treinar o Santos.

Já no atletismo a sua história começou nos tempos da faculdade, onde se preparou para brilhar em 1957. Representando a Federação Universitária Paulista de Esportes (Fupe), o corintiano pôde concorrer com os melhores atletas do mundo após chegar entre os 250 primeiros na seletiva da São Silvestre. Com um regulamento bem diferente do atual, a prova filtrou os melhores atletas para competir contra os grandes nomes do esporte, como Vladimir Kuts, soviético campeão olímpico dos 5000m e 10000m no ano anterior, em Melbourne, na Austrália.

?Eu olhava o [Vladimir] Kuts, o Manuel Farias [português vencedor desta edição], começava a olhar todos os competidores, parecia uma criança olhando para o Pelé ou para o Neymar. Eram todos ídolos?, relembrou José Teixeira à Gazeta Esportiva, garantindo, no entanto, que não se sentiu pressionado ao lado das estrelas. ?Para mim, era tudo normal. Estava lá no meio por alguma razão, porque fui o primeiro. Sempre conversei muito comigo mesmo. Me preparei muito para estar lá?.

Hoje com um percurso de 15km, a São Silvestre de 1957, ano em que foi realizada a 33ª edição, desafiou o potencial dos corredores ao longo de 8,4km. Sem ruas asfaltadas na época, os atletas tinham de se policiar para não se lesionarem a cada contato com os paralelepípedos. José Teixeira crê, inclusive, que Vladimir Kuts só não cruzou a linha de chegada em primeiro ? acabou na oitava colocação -, o que foi considerado por todos como uma surpresa, justamente por conta da irregularidade do percurso. O ex-preparador físico e técnico do Corinthians, por sua vez, terminou em 159º.

?Saía da Av. Cásper Líbero, as ruas eram todas de paralelepípedo. Se você pisasse um pouquinho torto, já podia machucar o pé. O [Vladimir] Kuts estava com uma sapatilha fininha. Por conta dos paralelepípedos, ele deve ter se machucado. Com certeza, foi prejudicado. A gente saía da Av. Cásper Líbero,  passava pela Av. São João, Av. Angélica, ia até o Higienópolis, pegava a Rua das Palmeiras, Largo do Arouche, Av. Ipiranga e chegava na Av. Cásper Líbero de novo?, contou o ex-preparador físico e também ex-treinador do Corinthians, recordando que a largada e chegada aconteciam na antiga sede da Gazeta Esportiva.

Além do formato e distância do percurso, o horário da prova foi outro elemento da São Silvestre alterado ao longo do tempo. Há anos, a disputa acontece no período da manhã, no último dia do ano, porém, a competição já chegou a acontecer nas últimas horas do dia 31 de dezembro. Outras diferenças marcaram a história do Professor Teixeira, como a maneira com que as pessoas lidavam com atletas que queriam treinar para a corrida. Se hoje é comum ver pessoas praticando esportes nas ruas das cidades, seis décadas atrás o fato era tratado quase como loucura.

?Eu treinava à noite, era uma vergonha as pessoas correrem na rua. As pessoas achavam um absurdo. A única rua perto da minha casa que tinha paralelepípedo era a Rua Pedro de Toledo. Eu saía meia-noite para correr para ninguém me ver. Pensava: ?Imagina alguém me vê correndo? ??, concluiu aos risos.

Gazeta Esportiva

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