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Eliminação precoce reflete decadência do handebol brasileiro desde título em 2013

Em 2013, a Seleção Brasileira surpreendeu ao se sagrar campeã Mundial de handebol. A equipe vinha numa reta ascendente, após um quinto lugar no Mundial de 2011, e a conquista alçou de vez o país a um novo patamar no esporte, crescendo assim a expectativa em relação ao time. No entanto, a ascensão não se [?]

17:45 | 08/12/2017

Em 2013, a Seleção Brasileira surpreendeu ao se sagrar campeã Mundial de handebol. A equipe vinha numa reta ascendente, após um quinto lugar no Mundial de 2011, e a conquista alçou de vez o país a um novo patamar no esporte, crescendo assim a expectativa em relação ao time. No entanto, a ascensão não se confirmou após dois resultados abaixo do esperado.

No Mundial de 2015, a equipe decepcionou ao cair nas oitavas de final e terminar a competição na 10ª colocação. Um ano depois, jogando em casa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil foi mais longe, porém acabou eliminado nas quartas de final, dando adeus ao sonho do pódio inédito.

Como se não bastassem os resultados negativos, a seleção viu a saída do técnico Morten Soubak, em dezembro do ano passado e uma longa demora em sua substituição. O espanhol Jorge Dueñas foi anunciado em maio, porém apresentado apenas em agosto de 2017, quando encerrou seus compromissos com a seleção júnior da Espanha.

Apesar de Dueñas e a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb) negociarem desde o início do ano, o comandante teve pouco tempo para de fato treinar a seleção para o Mundial na Alemanha, tendo o primeiro contato com as atletas em novembro. Mas mesmo assim, esperava-se que o Brasil pudesse surpreender novamente.

No entanto, o sonho do bicampeonato mundial chegou ao fim mais cedo do que o esperado, com a queda da seleção, nesta sexta-feira, logo na primeira fase do Mundial de 2017. Com uma vitória, dois empates e duas derrotas, esta é a pior campanha do time desde 2003, quando a seleção fechou o Mundial na 20ª posição.

A decadência da equipe verde e amarela passa por dois fatores essenciais: uma crise política vivida dentro da Confederação Brasileira, tendo o mesmo presidente há 27 anos, e uma transição de gerações. Dentro de um ano, sete atletas deixaram a equipe para a chegada de novatas e jogadoras que já haviam tido chances na seleção. E essa mescla não deu muito certo em seu primeiro teste, especialmente no ataque, setor que mais sofreu neste Mundial. As pivôs Dara e Dani, que defenderam a seleção por 15 anos, foram as que mais fizeram falta, já que Tamiris Costa, Tamiris Morena e Ligia não corresponderam à altura.

A eliminação precoce foi um ?balde de água fria? em Dueñas em seu primeiro compromisso à frente da seleção. Mas nem tudo está perdido e é preciso usar este Mundial como aprendizado. O espanhol teve pouquíssimo tempo para treinar o time e entrosar as atletas. Porém, a seleção foi crescendo de produção e evoluindo durante a competição, após estrear jogando muito mal diante do Japão. Nos jogos seguintes, o desempenho foi melhor, apesar do resultado não refletir isso.

Dueñas tem em mãos uma seleção diversa e com atletas jovens, que têm potencial para crescer. Além, claro, das veteranas, que seguirão no time com um importante papel de líder. O próximo grande teste ? e objetivo ? será os Jogos Pan-Americanos de 2019, que vale vaga em Tóquio 2020. O técnico e o time terão um ano inteiro para se preparar e ganhar entrosamento para retomar, assim, o rumo vitorioso iniciado em 2013, visando encerrar o ciclo olímpico em alta e, quem sabe, o inédito pódio em Olimpíadas.

Gazeta Esportiva

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