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Micale critica ?sistema? e pede reflexão por parte de dirigentes

Não durou dois meses a trajetória de Rogério Micale no comando técnico do Atlético-MG. Após a derrota sofrida para o Vitória neste domingo, por 3 a 1, na Arena Independência, a paciência da diretoria do Galo se esgotou, e o treinador acabou sendo demitido ainda no vestiário. Consternado com a situação, o comandante campeão olímpico [?]

22:15 | 24/09/2017

Não durou dois meses a trajetória de Rogério Micale no comando técnico do Atlético-MG. Após a derrota sofrida para o Vitória neste domingo, por 3 a 1, na Arena Independência, a paciência da diretoria do Galo se esgotou, e o treinador acabou sendo demitido ainda no vestiário. Consternado com a situação, o comandante campeão olímpico no Rio 2016 tratou de criticar a maneira como os cartolas gerem o futebol brasileiro e como enxergam o papel dos treinadores no país.

?Na verdade, existe um sistema por trás de tudo isso e ele começa a gritar muito quando o resultado não vem. Aí é muito mais fácil trocar uma peça. A gente tem que aprender com isso, não só o Atlético-MG, mas o futebol brasileiro também. Enquanto nós vivermos em cima desse sistema, vamos ter muita dificuldade em toda competição que o futebol brasileiro disputar. O único treinador que iniciou e terminou a Libertadores da América foi o Renato Gaúcho. Então, a estatística está aí para olharmos e repensarmos o que estamos fazendo?, disse Micale.

Ao ser questionado se estava preparado para assumir o comando do Atlético-MG em uma situação delicada, Rogério Micale garantiu que tinha bagagem suficiente para lidar com a situação e usou como exemplo a campanha da Seleção olímpica para justificar seu posicionamento.

?De forma nenhuma me senti pressionado. Nunca me senti despreparado para isso. Até porque quando você dirige uma Seleção Brasileira dentro do seu país após uma eliminação em uma Copa do Mundo, com todas as pressões inerentes ao cargo, é uma grande escola também. Então saio chateado de não poder dar o resultado imediato que todos esperavam?, prosseguiu o ex-treinador do Galo.

Com o novo tropeço, o Atlético-MG já começa a ver os times que lutam contra o rebaixamento se aproximarem na tabela. Justamente por isso, a diretoria preferiu dar um fim ao trabalho de Rogério Micale, crendo que o treinador pouco conseguiria agregar ao time nesta reta final de temporada. Ainda assim, o ex-treinador do Galo crê que o clube segue em uma situação relativamente confortável no Campeonato Brasileiro quando o assunto é o risco de queda para a Série B.

?Ia fazer dois meses amanhã [no cargo], isso não é muito tempo, é muito pouco tempo. Não vejo terra arrasada. Tínhamos 13 partidas para conquistar 14 pontos, ou seja, são quatro vitórias e dois empates que nos levam aos 45 pontos, o necessário para fugir da zona de rebaixamento. O que está acontecendo aconteceu só na minha gestão ou vem acontecendo? São perguntas que a gente precisa reavaliar. Vou torcer muito para o Atlético-MG sair dessa situação?, completou.

Por fim, Rogério Micale garantiu o compromisso de todo o elenco no dia-a-dia na Cidade do Galo e lamentou mais uma vez o modo como a diretoria do Atlético-MG se comportou diante dos maus resultados. ?Trabalhamos muito essa semana, esse mês. Todos os dias foram aproveitados com conteúdo e não se faz futebol de um dia para o outro. Esse sistema não muda. Cada vez mais vamos ter dificuldades?.

Gazeta Esportiva

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