Mais prestigiado que antecessores, Raí completa um ano como diretorSão Paulo Futebol Clube | Times | Esportes O POVO
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Mais prestigiado que antecessores, Raí completa um ano como diretor

Raí completou na última sexta-feira um ano como diretor-executivo de futebol do São Paulo. Neste período, o ex-jogador demonstrou possuir estabilidade e prestígio no cargo, contando com o apoio até de oposicionistas, ao contrário do que ocorria com seus antecessores: Gustavo Vieira de Oliveira e Vinicius Pinotti, que acumulavam críticas dentro e fora do clube. Sobrinho [?]

07:30 | 09/12/2018

Raí completou na última sexta-feira um ano como diretor-executivo de futebol do São Paulo. Neste período, o ex-jogador demonstrou possuir estabilidade e prestígio no cargo, contando com o apoio até de oposicionistas, ao contrário do que ocorria com seus antecessores: Gustavo Vieira de Oliveira e Vinicius Pinotti, que acumulavam críticas dentro e fora do clube.

Sobrinho de Raí, Gustavo teve duas passagens pelo Tricolor. A primeira, iniciada em 2013, terminou no ano seguinte, quando Carlos Miguel Aidar, rival político de Juvenal Juvêncio, foi empossado na presidência. Seu retorno se deu após a renúncia do mandatário, no fim de 2015.

Sua nomeação, contudo, não foi bem aceita quando se soube que ele teria direito a comissão por vendas de jogadores ? item que foi retirado do contrato mais tarde. Quase um ano depois, já desgastado no clube, foi demitido.

Já Pinotti, antigo diretor de marketing, assumiu o departamento de futebol com a vitória de Leco nas eleições de abril de 2017. No fim do mesmo ano, após o time brigar contra o rebaixamento, o criticado executivo deixou o posto por divergências com o presidente.

Seja como for, nestes primeiros 365 dias como dirigente do clube no qual é ídolo, Raí colecionou sucessos e fracassos, além de decisões polêmicas.

Demissões

Uma dessas decisões, o desligamento de Diego Aguirre a cinco rodadas do fim do Campeonato Brasileiro, passou longe de ter unanimidade no clube. A medida, encabeçada pelo próprio Raí, se mostrou pouco eficiente, uma vez que o time não conseguiu voltar ao G4 sob o comando de André Jardine, efetivado no cargo ? outra decisão que divide opiniões no Morumbi.

Jardine, aliás, é o terceiro técnico da era Raí. Em março, Dorival Júnior foi demitido após resultados ruins no Campeonato Paulista. Na época, a exemplo de Aguirre, Dorival havia colocado o veterano Nenê, um dos principais reforços da temporada, no banco de reservas.

O certo é que nenhum dos três treinadores conseguiu fazer o time incorporar uma identidade semelhante àquela do São Paulo dos anos 90, expectativa que o próprio Raí confessou possuir durante sua apresentação como diretor, em 8 de dezembro de 2017.

Jejum mantido

Outro objetivo não alcançado tem a ver com títulos. Eliminado nas semifinais do Paulistão e na quarta fase da Copa do Brasil, o São Paulo caiu logo em seu segundo duelo eliminatório na Copa Sul-Americana ? o que não foi muito lamentado na ocasião, pois o time liderava e vislumbrava a conquista do Brasileirão.

Com uma vertiginosa queda de rendimento no segundo turno, o Tricolor não atingiu seu objetivo no torneio nacional e completou seis anos sem acrescentar um troféu à sua galeria.

Raí também não agradou a todos quanto a reforços. Dos 11 jogadores contratados sob sua gestão, poucos mantiveram a regularidade na temporada. Everton é uma das raras unanimidades. Joao Rojas, Anderson Martins, Valdívia e Régis foram bem avaliados, embora os dois últimos já tenham deixado o clube.

Apesar dos altos e baixos, Nenê e Diego Souza também foram vistos como contratações necessárias e fazem parte do planejamento de 2019. Já Tréllez, Gonzalo Carneiro e Bruno Peres ainda não convenceram a torcida, algo que Jean tentará fazer no ano que vem.

De todo modo, os reforços foram insuficientes para tornar o elenco robusto. A avaliação é de que as peças de reposição não deram conta do recado quando jogadores importantes se lesionaram ou caíram de produção na reta decisiva do Brasileirão, comprometendo a briga pelo título.

Bastidores

Internamente, Raí não mostrou hesitação quando detectou problemas disciplinares no elenco. Caso do meia Christian Cueva, que foi multado no salário por se reapresentar com atraso para pré-temporada da equipe. Também repreendeu o peruano quando este pediu para não jogar contra o Mirassol, pelo Paulista ? na ocasião, o meia havia recebido uma proposta do Al-Hilal, da Arábia Saudita, e queria sair.

Em nota, Raí condenou a postura do jogador e o cortou da partida. Meses depois, Cueva seria vendido ao Krasnodar, da Rússia. Outro episódio que exigiu a intervenção de Raí foi o aborrecimento de Nenê com o banco de reservas. Após deixar o Morumbi às pressas por nem sequer ter entrado em campo no empate com o Flamengo, o armador teve uma conversa com o dirigente na qual foi repreendido. Pouco depois, porém, Aguirre foi demitido, e o camisa 10 voltou a ser titular.

Retorno à Libertadores

Se não conseguiu montar um time capaz de ser campeão, Raí viu o São Paulo ser mais competitivo do que em anos anteriores e conquistar uma vaga na pré-Libertadores. O retorno à principal competição sul-americana, da qual ficou de fora em 2017, veio com o quinto lugar no Campeonato Brasileiro.

Planejamento

Com o início da temporada antecipado em razão da Libertadores, Raí agiu rápido e já confirmou dois reforços: o lateral direito Igor Vinícius e o lateral esquerdo Léo Pelé. O clube trabalha para trazer ainda neste ano um volante, um meia e dois atacantes. Tudo para facilitar o trabalho do técnico André Jardine no começo de 2019.

O dirigente também reforçou a comissão técnica, trazendo de volta o preparador físico Carlinhos Neves e contratando o auxiliar Sandro Forner. Além disso, contratou o analista de desempenho Carlos Vargas como parte do projeto de ampliar o departamento, responsável, por exemplo, por indicar contratações.

Gazeta Esportiva

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