PUBLICIDADE
Esportes

Após ?colocar a casa em ordem?, Modesto quer nova arena e Mundial para o Santos

A Gazeta Esportiva encerra nesta sexta-feira a série de matérias com os quatro candidatos à presidência do Santos. O último entrevistado foi o atual mandatário Modesto Roma Júnior, que buscará a reeleição neste sábado, a partir das 10h (de Brasília). Comandando o clube desde 2015, o jornalista de 65 anos afirma que passou os últimos [?]

07:15 | 08/12/2017

A Gazeta Esportiva encerra nesta sexta-feira a série de matérias com os quatro candidatos à presidência do Santos. O último entrevistado foi o atual mandatário Modesto Roma Júnior, que buscará a reeleição neste sábado, a partir das 10h (de Brasília).

Comandando o clube desde 2015, o jornalista de 65 anos afirma que passou os últimos três anos ?colocando a casa ordem?, por conta das dívidas que assumiu da gestão anterior, de Odílio Rodrigues.

Segundo Modesto, após os problemas financeiros diminuírem e um novo programa de sócios ser criado, o principal objetivo para o próximo triênio será a formação de um time capaz de conquistar o treta da Libertadores e o tri mundial, além da construção de uma nova arena para o Peixe na Baixada Santista.

No pleito de 2014, Modesto venceu com 1.321 votos. Agora, o atual presidente irá concorrer com José Carlos Peres, da chapa ?Somos Todos Santos?, Andres Rueda, da ?Santástica União?, e Nabil Khaznadar, do grupo ?O Santos Que Queremos?.

Gazeta Esportiva: Por que o senhor deseja continuar como presidente do Santos?

Modesto Roma Júnior: ?Porque nós temos uma missão para cumprir. Cumprimos o primeiro tempo, que foi colocar a casa em ordem. Em 2015 não tinha dinheiro para nada. Planejando a festa de fim de ano com o pessoal do RH, a gente começou a lembrar que estava todo mundo chorando pois não tinha dinheiro nem para comprar comida em casa. Hoje a situação é bem diferente. Temos o que festejar. Nesses últimos três anos nós pagamos quase R$ 150 milhões só de acordos para quitar dívidas. Se tivéssemos esse dinheiro só para investir no futebol, talvez nós seríamos campeões do mundo. Mas tivemos que colocar a casa em ordem. Nós não podemos deixar acontecer isso de novo. Não podemos deixar uma gestão ruim colocar o Santos em uma situação difícil. Preocupado com isso que estamos partido para o segundo tempo, colocando o Santos campeão. Agora, com a casa em ordem, podemos fazer um time forte para trazer alegrias. E mesmo com todos esses problemas, fomos campeões paulistas duas vezes, vice do Brasileirão, vice da Copa do Brasil e ainda classificamos o time duas vezes para a Libertadores?.

Gazeta Esportiva: Quais são os principais pontos da sua proposta de governo?

Modesto: ?Caminhando para acabar com as dívidas passadas e com a criação do novo plano de sócios, que já fizemos nesta temporada, dá para dizer que os dois principais objetivos para os próximos três anos serão as conquistas de títulos no time profissional e avançar para erguermos a nossa casa nova. Teremos condições de montar uma equipe que possa buscar o treta da Libertadores e quem sabe o tri mundial. E com relação a arena, nós não entregar ela em três anos, pois o processo ainda é burocrático. Mas vamos deixar tudo pronto para que se comece a construção da nossa arena no futuro ou até mesmo durante a nossa gestão?.

Gazeta Esportiva: O senhor é a favor do Comitê Gestor nos moldes de hoje? Se não, qual é o modelo ideal na sua opinião?

Modesto: ?Não gosto do modelo do Comitê de Gestão atual. Tenho um CG ótimo, oito membros fantásticos. Mas na minha visão o modelo atual do Comitê engessa o clube. Porém, não é uma questão que cabe a mim. Quem precisa definir é o Conselho Deliberativo e o sócio. Acredito que deveria mudar, mas eu preciso cumprir o estatuto?.

Gazeta Esportiva: Muito se fala hoje sobre a rixa dos santistas que moram na Baixada com os que residem na Grande São Paulo. Como resolver isso?

Modesto: ?Essa divisão não existe. Quem prega isso tem uma atitude xenófoba, sectarista. Santista é santista em todo lugar. Eu não posso admitir essa história de santista ?de cá? e ?de lá?. Todo mundo é santista igual. Agora precisa saber um pouquinho o que se fala. Tem candidato falando em assumir o Pacaembu. Assumir a administração do estádio para quê? Por que eu tenho que assumir uma dívida que nem a prefeitura de São Paulo quer? Não vou fazer isso. É melhor ficar do jeito que está, alugando e jogando sempre no Pacaembu, como estamos fazendo. Tanto que muitos falam, mas nós fomos a gestão que mais mandou jogos em São Paulo nos últimos anos?.

Gazeta Esportiva: O senhor entende como necessária a construção de uma nova Arena?

Modesto: ?É necessária sim, mas que seja lucrativa para o Santos e em Santos. Não existe mais espaço para arena em São Paulo. Não existem investidores dispostos a pagarem por mais uma arena na capital, já tem o Allianz Parque, o Itaquerão e o Morumbi. Espaço comercial para se construir uma arena é na Baixada Santista. E temos três locais para isso. Uma área é no estádio do Jabaquara. Outra fica em um espaço que pertence ao Grupo Peralta, próximo da Ponte Estaiada. E tem a área onde fica a Associação Atlética dos Portuários, que está mais adiantada, pois estamos em tratativas com o Governo Federal, já que é uma área da União. Acertando a área e tendo um bom projeto, achar um investidor é consequência. Tem muitos investidores interessados nessa obra. Ao lado do presidente do Portuários, Leonardo Berringer Martins Costa, estive há 25 dias conversando com o deputado federal Marcelo Squassoni, em Brasília, e avançamos bem. Mantemos contato com o Ministério das Cidades. Em troca do espaço para construir a arena, nós oferecemos outra área similar em Guarujá para construção de casas populares. Entregamos o projeto e ele está em análise pela União. É um sonho bem possível e vamos lutar bastante para ele acontecer?.

Gazeta Esportiva: É viável uma reforma na Vila?

Modesto: ?A reforma na Vila como um segundo estádio é possível. Como primeiro estádio não dá. O investimento seria muito grande e os problemas atuais seguiriam. O Santos precisa realmente de uma nova casa. A Vila Belmiro de 17 mil m², não tem estacionamento e um transporte público deficiente. Esses aspectos precisam ser corrigidos. Se é para vir sem conforto e sem segurança, o torcedor prefere ficar na televisão. E com a construção da arena, uma revitalização da Vila irá acontecer?.

Gazeta Esportiva: Como vai ser o relacionamento de Modesto com as torcidas organizadas do Santos nos próximos três anos? Elas precisam de apoio do clube?

Modesto: ?A torcida organizada é importante. Muita gente taxa torcida organizada como bandidagem. A bandidagem é ruim, mas é torcida é boa para o clube. Precisamos resgatar a raiz das torcidas organizadas. Tenho certeza que os presidentes da Força Jovem, da Sangue e da Torcida Jovem estão trabalhando para resgatar essa história e estamos vendo uma evolução?.

Gazeta Esportiva: Como você avalia a situação das categorias de base do Santos? O que o senhor para melhorar e o que pretende fazer pelos próximos anos?

Modesto: ?Ainda tem muita coisa para ser feita, mas nós já temos revelações no sub-13, sub-15, sub-17 e até sub-20 que estão em ponto de maturação. Readquirimos a credibilidade das categorias nos últimos anos. Vamos continuar lutando para manter os profissionais sérios que temos para seguir crescendo na base?.

Gazeta Esportiva: De que forma você vê a relação do Santos com seus associados? Recentemente o clube lançou um novo programa de sócios. O que foi feito no seu primeiro mandato e o que pretende fazer caso seja reeleito?

Modesto: ?Por questões contratuais, infelizmente só pudemos mudar o programa de sócio em maio deste ano. Estamos avançando muito. Desde o lançamento do novo programa, nós ganhamos mais de 7 mil novos sócios. A adimplência aumentou e a inadimplência caiu. Agora existem benefícios reais para os associados, são quase R$ 1,5 milhão de convênios para benefícios. Na última semana, dez sócios ganharam passagens para a Europa. Além disso, ganham dias de jogos na Vila Belmiro, podem acompanhar treinos, etc. São benefícios reais, não tem nenhuma ilusão da carochinha?.

Gazeta Esportiva: Como você vê a relação do Santos com seus ídolos, principalmente Pelé e Neymar. Acredita que existe um distanciamento do clube com eles? Se sim, como consertar isso?

Modesto: ?Temos os ídolos muito próximos sim. Quem vem para a Vila irá esbarrar com Pepe, Dorval, Mengálvio, Giovanni, entre outros que se eu ficar falando a entrevista só acabará na eleição. É lógico que o Pelé tem uma vida bem atripulada, até porque não é só ídolo do Santos, mas é o maior ídolo do mundo. Não acho que ele esteja afastado, até porque dentro do coração dele o Santos sempre estará presente. Não dá para querer que o Pelé fique por aqui sempre, pois ele tem a vida corrida. Já o Neymar tem sua carreira ligada a outro clube. Existem as disputas judiciais contra o Barcelona. E que fique bem claro, não temos ação contra o Neymar. E não vejo distanciamento ou necessidade de aproximação. Vejo uma realidade de pessoas que seguem sua vida profissional como têm que seguir. Se a Gazeta Esportiva te mandar cobrir um clube de São Paulo, obviamente você irá se distanciar do Santos, mas isso não quer dizer que você acabará completamente com a relação que teve com o Santos?.

Gazeta Esportiva: Hoje o Santos tem Elano como treinador. Se eleito, o senhor pretende efetivar o Elano ou buscar um novo técnico? Se for buscar, já tem alguns nomes em mente?

Modesto: ?Não dá para adiantar nomes antes da eleição, obviamente. Precisamos primeiramente saber quem será o presidente. Se ganharmos, é claro que temos alguns nomes discutidos e vamos em busca deles. Sobre perfil eu posso falar, né. Temos que buscar treinador experiente, mas que saiba trabalhar bem com a base e aprecie o DNA do Santos, que sempre foi do futebol bonito, para frente?.

Gazeta Esportiva: Com relação a reforços, o que o senhor tem de ideia? Com o Santos garantido na Libertadores de 2018, é fundamental trazer reforços ?tops? ou é melhor investir no bom e barato para não comprometer as finanças?

Modesto: ?Estamos em busca de mais quatro jogadores para fortalecer o elenco principal. Precisamos de mais um lateral-direito, um meia, um atacante pela beirada e um centroavante. Obviamente nós temos nomes, mas não poderei falar sobre eles?.

Gazeta Esportiva: O que o torcedor santista pode esperar da chapa ?Santos Gigante??

Modesto: ?Muito trabalho, dedicação e a certeza de que a gente busca um Santos cada vez maior. Não dá para se aventurar. O santista precisa da certeza e da seriedade de uma gestão que leve o Santos a essa grandeza que estamos levando?.

 

Gazeta Esportiva

TAGS