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Fortaleza Esporte Clube
NOTÍCIA

Ceni diz que não precisa "defender o emprego" no Fortaleza e avalia técnicos brasileiros

Treinador também falou alguns dos pilares do seu sistema 4-2-4 e colocou Leão como "contraponto" a equipes de maior poder aquisitivo

11:33 | 12/06/2020
Rogério Ceni está no Fortaleza desde o fim de 2017, com três títulos conquistados  (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)
Rogério Ceni está no Fortaleza desde o fim de 2017, com três títulos conquistados (Foto: FÁBIO LIMA/O POVO)

Em entrevista à coluna do jornalista Mauro Cézar Pereira, no Uol, Rogério Ceni falou sobre como a implementação de suas ideias táticas no Fortaleza funcionam como um “contraponto” aos times de regiões mais ricas do Brasil. O técnico comemorou a liberdade que tem para exercer o trabalho e falou que não precisa sacrificar a qualidade do esquema de jogo para “defender o emprego”.

“No Fortaleza não tenho condições para jogar de igual para igual. Então tenho que fazer o que é o contraponto. Ficar lá atrás somente me defendendo eu não quero, de jeito nenhum, não me presto a esse serviço. Mas posso usar a velocidade, o toque de bola”, disse Ceni, adepto do sistema 4-2-4, com quatro atacantes, desde a temporada 2019.

A ideia de jogar ofensivamente mesmo contra equipes de maior poder aquisitivo não seria possível, claro, se Ceni não conquistasse resultados e não tivesse respaldo. Esses fatores fazem com que o técnico diga que não precisa mudar suas ideias de jogo para “defender o emprego”: “Obtive relativo sucesso como atleta e em lugar algum irei trabalhar para defender o emprego, mas para ter prazer no meu trabalho. Fui goleiro e trabalhei lá atrás por muito tempo. Posso afirmar que é muito mais divertido jogar lá na frente”.

“Jogamos ofensivamente muitas vezes aqui, com até quatro velocistas, jogadores que tenham essa percepção. Na minha visão, não tenha a qualidade de posse de bola que diante de alguns times vou encontrar. Mas o desequilíbrio e a velocidade podem me ajudar”, prosseguiu o técnico. Em 2019, jogando prioritariamente no 4-2-4, o Fortaleza terminou o Brasileirão na nona colocação, com uma classificação inédita para a Sul-Americana.

Os pilares desse sistema vão muito além dos quatro atacantes lá na frente. Ceni explica a importância do goleiro para o início das jogadas e também fala do seu meio-campo, composto por apenas dois volantes: "busquei um goleiro (Felipe Alves) que possa participar. Jogo com volantes que são mais (camisa) 8 do que 5, e na minha concepção, quem arma o jogo é meu goleiro, então fui atrás de um que possa oferecer essa opção. Por que o campo fica grande e o adversário tem que correr mais. Dá mais trabalho sim, e dá mais orgulho também".

Questionado sobre outros treinadores do futebol brasileiro que admira, Ceni citou alguns que atuam no eixo Sul-Sudeste: “vejo o (Fernando) Diniz bem no São Paulo, (Vanderlei) Luxemburgo pode dar um ânimo ao Palmeiras, Roger (Machado), que é um jovem treinador, tenta jogar de forma ofensiva ou reativo, mas não ficando apenas lá atrás. O Inter, com (Eduardo) Coudet, vem crescendo, tem o Odair (Hellmann) no Fluminense, Renato vem de um trabalho mais estruturado”.