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Fortaleza Esporte Clube
NOTÍCIA

Exclusiva com Marcelo Paz | Bastidores do sim do Ceni ao Fortaleza, horas de conversa, WhatsApp e força do Nordeste: ‘pesou o fator emocional'

O Esportes O POVO traz abaixo trechos da entrevista exclusiva do presidente Marcelo Paz. O material mais amplo será publicado na edição do jornal O POVO desta quarta-feira

14:53 | 17/12/2019
Fortaleza, Ce BR - 16.12.19 Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Esporte Clube, em entrevista ao Jornal O POVO. Foto: (Fco Fontenele/O POVO)
Fortaleza, Ce BR - 16.12.19 Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Esporte Clube, em entrevista ao Jornal O POVO. Foto: (Fco Fontenele/O POVO) (Foto: FCO FONTENELE)

Dois dias depois de a renovação de Rogério Ceni ser anunciada oficialmente pelo Fortaleza, o presidente do clube, Marcelo Paz, recebeu com exclusividade a equipe do Esportes O POVO. Na sala do dirigente, com os troféus do Campeonato Cearense, da Copa do Nordeste e da Série B ao fundo, o mandatário tricolor contou detalhes de bastidores sobre a transação com o treinador, o planejamento para a temporada 2020, como contratações e elenco, e a expectativa pela Sul-Americana.

+ Rogério Ceni doou R$ 100 mil ao Fortaleza como legado antes mesmo de decidir ficar no clube

O Esportes O POVO traz abaixo trechos da entrevista exclusiva do presidente Marcelo Paz. O material mais amplo será publicado na edição do jornal O POVO desta quarta-feira, 18. O bate-papo completo com o dirigente será publicado em duas partes no canal do O POVO Online, no Youtube, e nos perfis no Instagram e Facebook.

O POVO – O que foi determinante para o Rogério Ceni dizer sim para o Fortaleza?

Marcelo Paz – As pessoas muitas vezes gostam de causa única. As causas não são únicas, são multifatoriais. E acredito que a permanência do Ceni é multifatorial. A história construída por ele no clube, a torcida. Claramente ele tem um carinho especial. A cidade de Fortaleza que ele aprendeu a gostar, fez amigos, se sente bem, gosta do clima, do calor, da praia, as pessoas do clube, continuidade do projeto. O elenco de jogadores, que boa parte continua e está adaptada ao modelo de jogo que ele estabeleceu. A flexibilidade do clube de se adequar ao que ele entende como ideal. A proposta financeira também teve peso. Não foi só por gostar do clube, porque ele é profissional. Foi uma série de fatores. Pesou muito o fator emocional mesmo. Ele possui coisas aqui que não tem em outro canto. A soma disso tudo contribuiu.

O POVO – Pesou na decisão do Ceni de entender a possibilidade de repetir o bem-sucedido ano de 2019?

Marcelo Paz – O ano de 2019 foi muito bom, histórico, para colocar no quadro de conquistas, mas não garante nada em 2020. É outro momento. Não dá para cravar. A gente entra forte, mas é um processo de fazer história. A gente vende realidade ao torcedor. Jamais vou dizer para o torcedor que 2020 vai ser melhor do que 2019. Todos os desafios são difíceis. Gosto de reforçar isso. Não posso vender fantasias, tenho que vender o que é real. Qualquer time que conquiste por dois anos seguidos o máximo de coisas é muito difícil permanecer. É só olhar o histórico do futebol brasileiro e até mundial. Quanto tempo um time carioca não ganhava um título brasileiro? Não dá para cravar. Posso garantir trabalho e dedicação.

O POVO – Qual vai ser o valor da folha salarial para 2020?

Marcelo Paz – A gente pretende trabalhar com a folha salarial de R$ 3 milhões.

O POVO – E conta um pouco sobre os bastidores da negociação? Quando que o Ceni, de fato, bateu o martelo?

Marcelo Paz – Posso garantir que qualquer pessoa que deu como certo (a saída do Ceni) se precipitou. O Rogério não acertou nada com ninguém antes de conversar com a gente e dizer que iria ficar no Fortaleza. Ele negociou (com outros clubes), a gente sabia que ele estava negociando. Foi sempre muito transparente e profissional. É natural que aconteça isso nesse período do ano. Nós conversamos com Rogério sexta, antes do jogo do Bahia, e apresentei a ele o projeto formal, com prazo, valores, metas, objetivos, perfil do elenco, melhoria estrutural. A negociação sempre foi entre eu e ele. Ele falou da doação que faria ao clube, veio propor e sugeriu ficando ou não. No vestiário, após o jogo do Bahia, ele me procurou para conversar um pouco. Era a última oportunidade de a gente conversar porque ele iria viajar para o Rio de Janeiro. Ele propôs essa questão de doar os R$ 100 mil para as obras do Centro de Excelência. ‘Parte que tenho (da premiação da Sul-Americana) quero deixar no Fortaleza, independente de ficar ou não’, disse ele. Eu me surpreendi com isso. Depois nos falamos por telefone. Todas as noites nos falávamos por telefone, trocava ideia, falava por WhatsApp. E sempre sabendo que havia outra possibilidade. Ele foi sempre transparente. Nunca fez leilão, nem fez comparativo. Sabia que tinham outros clubes que poderiam oferecer proposta mais vantajosa do ponto de vista esportivo e estrutural. Ele prometeu responder até sexta e cumpriu o prazo. Respondeu antes da meia-noite de sexta. Não divulgamos logo porque fomos para a parte burocrática, de redigir contrato. Isso entrou na madrugada. Foi todo mundo dormir e retornou às 12 horas (do dia seguinte). Prepararam o material e fizemos a divulgação.

O POVO – No futebol, a gente está acostumado a ver jogadores e técnicos saírem do Nordeste para irem a clubes do Sudeste. Você acha que o acerto de Ceni com o Fortaleza deixa uma mensagem diante deste cenário?

Marcelo Paz – O futebol nordestino está mostrando grandeza que pode duelar com grandes do País. Dentro de campo e fora dele. Antes do sim do Ceni para o Fortaleza, teve o sim do Diego Cerri (dirigente) de ficar no Bahia e não ir para o Palmeiras. Tem alguma coisa no Nordeste que está valendo a pena. Às vezes, parte de nós mesmos. Dei entrevista a semana inteira, quem me perguntava só perguntava já com a possibilidade de ele ir embora, sobre o plano ‘B’, dando como certo. Acho que primeiro nós temos que nos valorizar, quanto clube, imprensa, o ambiente todo tem que entender que é possível. Quando houver saída é natural também. Agora, sem dúvidas, o futebol nordestino tem força que tempos atrás não tinha. A permanência do Ceni tem a ver com isso. Ele escolheu continuar o projeto que já dura três anos no Fortaleza.

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