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A força do elenco tricolor

18:54 | 03/11/2018
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Enxuto, rápido pelo chão e seguro na bola aérea. Esse foi o perfil que Rogério Ceni traçou para o elenco do Fortaleza no dia em que foi oficialmente apresentado como técnico. A ideia era contar com no máximo 20 jogadores de linha, todos, porém, com uma qualidade técnica um pouco mais elevada que a exigida pela Série B. A prevenção de lesões era a aposta da Comissão Técnica para evitar as perdas de peças pelo desgaste durante a temporada.

Na prática, não foi bem assim. O elenco tricolor chega ao fim do ano com 32 jogadores de linha e quatro goleiros. O inchaço da folha de pagamento se deu pela tentativa de reposição das saídas de Osvaldo e Edinho, que foram jogar na Tailândia e Atlético Mineiro, respectivamente, o que culminou na contratação de mais cinco peças de ataque. Por lesão, encerraram a temporada mais cedo o arqueiro Matheus e o volante Jean Patrick.

Pela quantidade de gols que marcou com a camisa do Fortaleza, Gustavo é o mais citado do grupo, mas está longe de ser o único destaque do elenco competitivo montado sob o prestígio de Rogério Ceni. É impossível não dar importância na campanha a nomes como os de Marcinho, Marlon, Nenê Bonilha, Felipe, Ederson, dentre outros.

Ainda intocável

Diferente do ano passado, na campanha de acesso à Série B, quando ganhou o status de ídolo e renovou contrato por três anos, o goleiro Marcelo Boeck andou falhando em algumas partidas pela Segundona. Parte da torcida passou até a observá-lo com desconfiança, mas o fato é que em nenhum momento ele esteve sob risco de perder a camisa 1.

Das 34 partidas disputadas pelo Fortaleza até a confirmação de vaga na Série A, Boeck participou de 30. Ele só não defendeu a meta tricolor quando não tinha condições físicas para tal. Matheus Jesus e Max Wallef o substituíram nessas ocasiões e não comprometeram. 

Em setembro, após uma sequência de três jogos consecutivos sem vitória do Fortaleza, Boeck recebeu uma enxurrada de xingamentos nas redes sociais e chegou a excluí-las. As críticas só pararam quando o time voltou a vencer partidas de forma consecutiva. Foi o pior momento do arqueiro em quase dois anos no Pici.

Não dá para garantir ainda se Marcelo Boeck seguirá com vaga cativa no time titular na Série A, mas é fácil afirmar que ele ainda tem créditos com a diretoria e torcida do Fortaleza.

Encaixe perfeito

Depois de muitos testes no Campeonato Cearense, Rogério Ceni escolheu Diego Jussani e Ligger como dupla de zaga oficial do Fortaleza. Os dois jogaram juntos em mais da metade da Série B, sendo os únicos das quatro opções disponíveis no elenco que têm acima de dois mil minutos jogados. São também os dois mais altos, o que talvez tenha influenciado, já que força na bola aérea é prioridade do comandante do time.
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Com características diferentes, Jussani é melhor pelo alto e Ligger pelo chão. O primeiro tem perfil de xerife e vibra a cada lance, já o outro tem mais controle com a bola no pé e se arrisca mais à frente em campo. O resultado dos dois na retaguarda tricolor é a terceira defesa menos vazada da competição, com 29 gols sofridos em 34 jogos.

Quando acionados, Adalberto e Roger Carvalho não deixam cair o nível no miolo de zaga. Cada um jogou em dez oportunidades na Segundona. Dos quatro, apenas Adalberto não marcou pelo menos um tento na temporada.

Concorrência baixa 

É injusto dizer que eles não tiveram bons momentos na Série B, especialmente no primeiro turno, quando o Fortaleza foi avassalador até a nona rodada, mas do meio para o fim da competição a produção dos laterais do Leão esteve em nítida queda e ambos só perderam espaço por falta de concorrência.

Pela direita, Rogério Ceni fez uma troca de Felipe com Pablo, empurrando o primeiro para a volância e trazendo o segundo para opção na lateral. Com atuações discretas nas doze vezes em que entrou em campo - muitas delas pelo excesso de contusões do titular - Pablo não fez sombra para Tinga, que permanece titular.
 
Pela esquerda, a briga dava sinais de que seria acirrada, já que Leonan tinha ido bem no Estadual, mas durante a Série B, na maior parte das vezes que entrou, foi para a segunda linha de quatro jogadores, como um ponta esquerda e nem chegou a rivalizar - no bom sentido - com Bruno Melo pela posição.

Pesou a favor do lateral esquerdo titular também o fato de ser o cobrador oficial de penalidades. Bruno Melo tem seis gols marcados na Série B, um número incomum para quem faz a função.

Setor adaptável

Logo no início da Série B, Derley e Jean Patrick pareciam peças intocáveis na volância do Fortaleza. Natural, já que até a nona rodada o Fortaleza era, disparadamente, a melhor equipe da competição. Quando as primeiras turbulências chegaram, no entanto, o setor começou a sofrer mudanças.

Primeiro com Felipe, que foi fixado por Ceni na posição e se destacou com passes decisivos e gols importantes (marcou quatro). Depois com a chegada de Nenê Bonilha, que é bom de triangulações e tem muita velocidade. Os quatro passaram a se revezar tendo como parâmetro o adversário que o Tricolor tinha pela frente e o comportamento que o treinador queria do time em campo.

Ceni conseguiu equilibrar as coisas entre eles. A minutagem de todos é semelhante, com natural queda em Nenê Bonilha, porque chegou com a competição em andamento, e Jean Patrick, que teve duas lesões sérias que o tiraram de combate por muito tempo, a última, inclusive, encerrou a temporada para ele.

Igor Henrique foi uma opção mais distante, tendo jogado ainda 5 partidas, sendo apena suma como titular. O garoto Sérgio, da base, não teve oportunidade na Série B, assim como o experiente Anderson Uchôa.

Dono do meio

O Fortaleza carimbou passaporte para a Série A com 64 pontos ganhos. Destes, ele ajudou a faturar 61. Fora de combate apenas na vitória do Leão por 3 a 0 sobre o Juventude, na 18ª rodada da Série B, Dodô jogou todos os demais jogos da Série B, recordista do elenco. 

A camisa 10 é dele, portanto, falar no meio campo tricolor e não citá-lo não faz sentido. Emprestado pelo Atlético-MG até o fim da temporada, para reforçar o Leão na Série B, foi um dos acertos da direção tricolor. Tem três gols marcados.
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Marlon também é um destaque dentre os meias do Fortaleza, mas foi muito utilizado na ponta direita desde a saída de Edinho, que ocupava aquele setor. Rogério Ceni até admite que o jogador não foi feito para atuar naquela posição, mas, acredita que ele dá equilíbrio tático ao time devido a ofensividade de Marcinho pelo lado esquerdo. 

Leque variado

Nenhum outro setor foi tão preenchido pela diretoria do Fortaleza quanto o de ataque. O clube chega ao fim da temporada com dez atacantes, das mais variadas características. Contando com Osvaldo, Edinho, Léo Natel, Alípio e Alan Mineiro, que deixaram o clube durante a Série B do Campeonato Brasileiro, o técnico Rogério Ceni teve até quinze peças à disposição - não simultaneamente - para montar o ataque que queria.

Com um setor inchado, é natural que algumas peças tenham menos oportunidades que outras, como foram os casos de Minho, Getterson, Douglas Coutinho e Rodolfo, por exemplo. Em contrapartida, não faltou quem brilhasse também. Além de Gustavo, artilheiro do Brasil, Marcinho, Ederson e até Wilson tiveram participações importantes em momentos decisivos da Segundona.
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Presença de área, velocidade pelas pontas, dribles e arremates de longa distância certeiros. Todas essas características presentes no setor ofensivo do Fortaleza deram condições para Rogério Ceni implantar um estilo de jogo que buscava o gol o tempo inteiro e acuava adversários no campo de defesa.

O esquema preferido era o 4-3-3, mas com as perdas de alguns jogadores, o 4-2-3-1 passou a ser o mais utilizado. No período de adaptação, entretanto, foi possível ver o Leão distribuído de outras formas, ora com três zagueiros - sem perder a ofensividade -, ora com dois atacantes de área. 
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