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Pancadaria encerrou primeiro jogo entre Corinthians e Independiente

?O Corinthians foi um time macho.? Dessa maneira, o jornal A Gazeta Esportiva de 21 de novembro de 1981 definiu a campanha do campeão do Troféu Feira de Hidalgo. Enviado à cidade de Pachuca, no México, especialmente para acompanhar a competição amistosa, o jornalista João Bosco tinha em mente os episódios do primeiro confronto da [?]

08:45 | 18/04/2018

?O Corinthians foi um time macho.? Dessa maneira, o jornal A Gazeta Esportiva de 21 de novembro de 1981 definiu a campanha do campeão do Troféu Feira de Hidalgo. Enviado à cidade de Pachuca, no México, especialmente para acompanhar a competição amistosa, o jornalista João Bosco tinha em mente os episódios do primeiro confronto da história entre o clube brasileiro e o Independiente, da Argentina, ao escolher o adjetivo.

Três dias antes de aquela publicação chegar às bancas de jornal, o Corinthians estreara no quadrangular mexicano contra o Independiente, mesmo adversário que o time dirigido por Fábio Carille terá pela frente na noite desta quarta-feira, em Avellaneda, pela Copa Libertadores da América. À época, quem estava recém-recuperado de lesão era um dos destaques ofensivos da equipe, tal qual ocorre com Jadson atualmente ? Sócrates.

O ídolo da Democracia Corinthiana não demorou a mostrar o seu talento. Abriu o placar aos 22 segundos de partida. ?Foi o gol mais rápido que fiz até o momento. Esse gol deixou os argentinos um pouco desesperados. Para o Corinthians, foi muito bom, porque, com 1 a 0 no placar logo no início, não se desesperou e teve tranquilidade para estudar o adversário?, comentou Sócrates, naquele 18 de novembro.

Apesar de ter começado a distribuir pontapés já no primeiro tempo, o Independiente conseguiu devolver o empate ao marcador aos 22 minutos, com Alzamende. Pouco depois, porém, Zenon recolocou o Corinthians em vantagem e ?fez o jogo descambar para a violência?, nas palavras de Sócrates.

Na segunda etapa, com o argentino Killer já expulso, o Independiente esquentou ainda mais a partida disputada a 6º C e passou a abusar das jogadas violentas. A última delas foi uma falta de Alzamende em Wladimir, que, caído no gramado, foi chutado por Giuste. Biro-Biro tomou as dores do companheiro e partiu para cima do rival. ?Eles apelaram mesmo?, protestou o folclórico meio-campista corintiano. ?Mas não tem nada, não.?

Giuste recebeu o cartão vermelho e, quando deixava o gramado, foi insultado pelos jogadores reservas do Corinthians. Iniciou-se uma nova confusão, que o árbitro Fermín Ramírez não conseguiu conter. ?Resolveu terminar ali (aos 39 minutos do segundo tempo) a partida. Aos gritos, a plateia (formada por aproximadamente 4.000 torcedores, a maioria mexicanos) apupava o time argentino, dizendo que eles não sabiam perder. O jogo foi televisionado para a capital, e a conduta dos brasileiros foi bastante elogiada pela crítica?, relatou A Gazeta Esportiva.

Recém-chegado, o técnico Mário Travaglini também ficou satisfeito com o seu Corinthians, que, de acordo com ele, ?representou com dignidade o futebol brasileiro?. ?O mais triste foi a pancadaria dos argentinos. Eles não admitiam a derrota e começaram a apelar para a violência. Mas o Corinthians se preocupou em jogar futebol e não entrou no esquema deles. Isso os deixou ainda mais preocupados e desesperados. O Corinthians foi gigante, mostrou que o futebol do Brasil ainda continua sendo melhor?, orgulhou-se. Três anos antes, a Argentina havia conquistado a sua primeira Copa do Mundo.

Premiados com US$ 150 pela vitória, os jogadores do Corinthians aproveitaram o dia seguinte para comprar roupas de inverno. Naquela estadia no México, também eram aquecidos pelo calor dos torcedores, que passaram a se aglomerar diante da concentração da equipe após a vitória sobre o Independiente. ?Amo esse Corinthians. Estou morando no México, mas nunca me divorciei dele?, declarou um dos corintianos.

Na partida posterior, que valeria o título do Troféu Feira de Hidalgo, o Corinthians se sentiu incentivado mesmo contra uma equipe mexicana, o América. ?Quando o jogo começou, comentei com o Biro: ?O Corinthians é realmente uma coisa inexplicável?. Jamais poderíamos imaginar que tantos torcedores fossem presenciar a decisão?, afirmou Sócrates. Biro-Biro referendou: ?Parecia até que estávamos no Brasil. Esse apoio prova que o Corinthians é uma religião. Nenhuma distância separa o clube do seu torcedor?.

Com gols de Wágner e Sócrates em uma nova partida acirrada ? Zenon e Biro-Biro foram expulsos ?, o Corinthians derrotou o América por 2 a 0 em Pachuca e levou ao Parque São Jorge a taça e os US$ 20 mil oferecidos pela competição amistosa. Após aquele evento, o clube reencontraria o Independiente em outras cinco ocasiões, a última delas na Copa Mercosul de 2001. Ao todo, foram três vitórias e três derrotas contra o adversário, com seis gols marcados e sete sofridos.

Para Fábio Carille, que viu o Corinthians ceder às provocações do Racing na última vez em que esteve em Avellaneda, o time de 2018 não precisará ser ?macho? como defendia A Gazeta Esportiva de 1981. ?Não acredito que a pressão será maior do que contra o Palmeiras (na recente final do Campeonato Paulista), quando trabalhei para que a gente jogasse futebol, chegasse firme e não entrasse em confusão. As determinações são as mesmas?, minimizou o técnico, com a expectativa de repetir a vitória do Corinthians de Mário Travaglini sobre o Independiente.

Gazeta Esportiva

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