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Exclusivo: Narrador do Clássico-Rei na Fox, João Guilherme fala sobre pôr o duelo "no currículo"

Autor do bordão "toca a música do Fox Sports" fala sobre a ascensão do Nordestão, o protagonismo do futebol cearense e arrisca dizer qual equipe chega em melhor momento para a decisão

Vinícius França
12:05 | 28/07/2020
Narrador experiente, João Guilherme terá a missão de narrar um dos Clássicos-Rei mais importantes da história  (Foto: Divulgação/Fox Sports)
Narrador experiente, João Guilherme terá a missão de narrar um dos Clássicos-Rei mais importantes da história (Foto: Divulgação/Fox Sports)

Narrador do canal Fox Sports, João Guilherme terá uma responsabilidade e tanto nesta noite de terça-feira: narrar o Clássico-Rei histórico da semifinal da Copa do Nordeste, valendo vaga na decisão. A partida será a primeira entre Ceará e Fortaleza fora do Estado, e também a primeira em um mata-mata na competição regional mais importante do País.

O autor do bordão “toca a música do Fox Sports!” conversou com exclusividade com o Esportes O POVO para falar da expectativa de narrar um duelo tão importante não só para torcedores alvinegros e tricolores, mas para todo o Nordeste. Ele fala sobre a ascensão do Nordestão, o protagonismo do futebol cearense e arrisca dizer qual equipe chega em melhor momento para a decisão.

Pra pôr no currículo

Experiente, João Guilherme já narrou várias finais de Libertadores e títulos importantes de grandes clubes brasileiros. Nas palavras dele, o Clássico-Rei do Nordestão será mais um jogo para “colocar no currículo”. "É um jogo muito especial, diferente, envolve uma das maiores rivalidades do Brasil. Narrar o jogo mais importante da história do Clássico-Rei, valendo uma vaga na decisão, é um orgulho e é algo que é pra colocar numa relação dos grandes jogos da carreira”, diz.

O duelo não só coloca os holofotes sobre o futebol cearense, mas também evidencia o crescimento esportivo e estrutural de Vovô e Leão. Para o narrador, o protagonismo dos clubes deve servir de exemplo para as equipes do Sudeste: “Ceará e Fortaleza se tornaram grandes exemplos de modelos para grandes clubes do futebol brasileiro muito tradicionais, da região Sudeste e Sul, que estão numa situação muito delicada. Eles têm se destacado por essa organização, por esse trabalho muito bem feito há alguns anos e, por consequência, dentro de campo também estão fazendo boas campanhas”.

Visibilidade do Nordestão

Essa ascensão está diretamente ligada a um interesse maior pela Copa do Nordeste por parte de outras regiões do Brasil. Além da dupla cearense, João Guilherme também cita o Bahia como um exemplo de equipe bem administrada que cresce e, por consequência, aumenta a visibilidade da competição. O Nordestão, disputado ininterruptamente desde 2013, é considerado um “case” de sucesso em todo o país pela forma como consegue atrair a atenção do torcedor local.

Diante desse cenário, o narrador avalia que nos últimos anos o público da competição foi mudando, e hoje também engloba quem não torce para um time nordestino: “A gente percebia que a Copa do Nordeste só chamava a atenção dos nordestinos e daqueles que eram parentes de nordestinos e estavam no Sudeste. Hoje em dia, não. Como os times estão cada vez mais aparecendo bem, todas as torcidas têm interesse em acompanhar. Sem falar que é uma competição que reúne times muito tradicionais do futebol brasileiro”.

Copa do “Sudeste”?

Todo o sucesso do Nordestão faz surgir a dúvida se uma competição nos mesmos moldes não poderia ser replicada no Sul ou no Sudeste. Para o narrador, a competição é mais atrativa que os Estaduais e deixa o calendário do primeiro semestre mais interessante. Mas a falta de continuidade de torneios como o Rio-São Paulo e a Copa Sul-Minas, disputadas no começo do século, faz com que ele não tenha certeza se um torneio igual faria sucesso em outras partes do Brasil:

“O torcedor, os clubes, a imprensa: todos preferem acompanhar a Copa do Nordeste do que um Estadual. Acho que essa é a principal reflexão. A região Nordeste é muito grande, populosa, tem um potencial enorme e times tradicionais. Então, esse modelo encaixou muito bem. Não sei se encaixaria tão bem em outras regiões do país”, opina.

Palpite?

Com a responsabilidade de narrar um jogo tão importante, João Guilherme prefere não arriscar quem sairá vencedor do confronto entre Ceará e Fortaleza. Na sua visão, uma das duas equipes pode até chegar em um melhor momento. Mas a imprevisibilidade do duelo pode mudar tudo na hora da decisão:

“O Fortaleza, por ser o atual campeão, por estar fazendo uma campanha melhor, por ter vencido o último clássico por 2 a 1, antes da bola eu acho que ele chega em melhores condições pra esse jogo. Mas é um campeonato à parte. Na hora que a bola rolar, o Clássico nivela tudo”.