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Coronavírus: Ceará e Fortaleza se reúnem com a CBF para discutir pagamento aos atletas

Medidas apresentadas no encontro visam a reduzir o impacto financeiro causado por continuar pagando os jogadores sem que haja competições

Vinícius França
10:00 | 20/03/2020
Sede da CBF, no Rio de Janeiro.
Sede da CBF, no Rio de Janeiro. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Ceará, Fortaleza e outros clubes do futebol brasileiro vão se reunir nesta sexta, 20, com a CBF para discutir o pagamento aos atletas profissionais em meio às paralisações devido ao novo coronavírus. O encontro será feito à distância, e tem o objetivo de discutir medidas para diminuir os danos de pagar os jogadores sem que haja competições. A informação foi antecipada pelo colunista Rodrigo Mattos, do Uol, e confirmada por Esportes O POVO.

Uma das propostas é antecipar as férias, dando 15 dias fracionados em um primeiro momento e outros 15 dias futuramente, mas também existe a opção de dar logo os 30 dias para que os jogadores tenham tempo livre para jogar em dezembro, quando as competições ainda devem estar acontecendo devido à paralisação.

Outra proposta é suspender o pagamento dos direitos de imagem dos atletas, já que eles não estariam sendo expostos durante os jogos. Porém, além de alguns clubes estarem usando os atletas para campanhas publicitárias e de conscientização frente à pandemia, Rodrigo Mattos nota que o Profut determina que os direitos estejam ligados a no máximo 40% do salário. A reportagem apurou que a redução de tributos para os clubes também deve estar em pauta.

Em contato com Esportes O POVO, o diretor financeiro do Fortaleza, Maurício Guimarães, afirmou que as pautas da reunião devem ir além dessas propostas. Na opinião do dirigente, que não reflete necessariamente a do clube, uma opção viável seria a suspensão do pagamento de imagem, mas com a ressalva: “(Seria) apenas um ‘paliativo’ diante da situação, tendo em vista que alguns atletas recebem suas remunerações 100% na carteira (assinada, CLT) e a grande maioria recebe parte na carteira e outra no direito de imagem”.

Portanto, para Maurício, não faria um sentido um jogador receber o salário integral, pago na carteira assinada, e outra ter parte dos vencimentos cortados por conta dos direitos de imagem. O diretor reforça que a reunião tem caráter de urgência, e que ainda há muitas indefinições sobre qual será o posicionamento dos clubes e da CBF em meio à crise.

A reportagem também entrou em contato com o diretor financeiro do Ceará, João Paulo Silva, que afirmou que ainda não tem um posicionamento em relação às pautas da reunião. Porém, segundo o dirigente, a Associação dos Diretos Financeiros deve protocolar uma série de solicitações junto à CBF para amenizar o impacto da crise, como prorrogação da cobrança de impostos e de parcelas do Profut.

João Paulo também afirmou que “a posição do Ceará é aguardar, o que pode vir pra somar nesse momento é importante”. O diretor assume uma postura de tranquilidade em relação às paralisações: “A minha visão é que o futebol vai voltar logo e que as coisas vão se normalizar. A gente precisa ter um pouco de paciência. Em termos financeiros, é lógico que vai respingar em todo mundo, mas eu não tenho ainda uma opinião formada. Na minha cabeça, isso vai voltar logo e as coisas vão se normalizar”.