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Futebol
NOTÍCIA

Fisiologista Lucas Oaks avalia cuidados com volta do futebol sob os aspectos físico e psicológico

Profissional com passagem por Seleção Brasileira de base explica situações que vão ser fundamentais para o atleta no retorno do esporte

Gerson Barbosa
19:09 | 23/04/2020
Jogadores do Ferroviário treinam antes da pandemia 
 (Foto: Fco Fontenele/O POVO)
Jogadores do Ferroviário treinam antes da pandemia (Foto: Fco Fontenele/O POVO)

O futebol brasileiro está paralisado desde o meio de março e os jogadores confinados em suas casas de quarentena. Embora continuem treinando em suas residências, não é a mesma coisa de uma atividade no clube. O Esportes O POVO procurou o fisiologista do Ferroviário, Lucas Oaks, para buscar respostas quanto a parte física dos atletas quando o esporte retornar.

No momento que os clubes pelo Brasil tiverem o sinal verde da CBF para voltar aos treinos, cada equipe vai montar o planejamento físico que entende como o mais adequado. Uma semelhança, porém, deve existir entre os times e envolve o protocolo que a entidade máxima do futebol brasileiro está formatando. Segundo Lucas Oaks, a instituição faz pesquisas com federações pelo mundo, incluindo a espanhola e portuguesa.

De acordo com o protocolo, os jogadores serão divididos em grupos de no máximo quatro atletas por pelo menos cinco dias. Os atletas vão vim de casa já com a roupa de treino, sair do carro e ir direto para a atividade. Após, voltam aos veículos e retornam para suas casas.

"Cada atleta terá sua bola, sua garrafinha e etc. No fim do quarto dia, se não der nenhum problema após testes, voltam a treinar todos juntos, mas ainda evitando espaços. No final do quinto dia, podem treinar normal", acrescenta o fisiologista com passagem por Seleção Brasileira de base.

Outro ponto para se destacar é a perda física que os jogadores tiveram com a paralisação do futebol. Antes, alguns já estavam próximo de atingir o auge físico, outros com ritmo de jogo estabelecido. Segundo Lucas Oaks, essa perda de ritmo aliado à importância dos jogos quando voltarem pode atrapalhar os atletas.

"Atrapalha o jogador porque além de perder ritmo de treino, ele também está perdendo ritmo de jogo. Por mais que haja orientação em casa, não é a mesma intensidade. Temos que lembrar que quando tu voltar, estará em fase finais de competições. Vai se atropelar muita coisa, aumenta a possibilidade de lesão do jogador, eles vão ser expostos a um risco maior. Atrapalha mais pela densidade dos jogos e por entrarem de cara numa fase decisiva", relata o profissional que já passou pelo Ceará e futebol chinês.

Essa situação descrita pelo fisiologista pode ser comparada com o início de ano e os primeiros jogos após pré-temporada. A diferença é que no cenário normal, há tempo de se corrigir situações táticas e físicas, além de poupar jogadores em partidas menos relevantes. Lucas reforça que a grande diferença vai estar na importância dos embates, porque cada time deve querer utilizar o que tem de melhor nesses jogos.

TEMPO PARA ATINGIR BOA CONDIÇÃO FÍSICA E INCÓGNITA: O PSICOLÓGICO DOS JOGADORES

Uma parte que se discute bem sobre o retorno do futebol para os atletas é o tempo necessário que eles vão levar para voltar a ter boa condição física. Lucas Oaks explica que é possível o jogador atuar em alto nível novamente após três semanas de atividades que envolvem recondicionamento.

"Do ponto de vista fisiológico, em três semanas os jogadores vão estar bem aptos, principalmente os atletas que vinham jogando antes da paralisação. Ele vai poder desempenhar um bom futebol, na minha opinião. Essa parte é a que podemos controlar e saber como que o jogador vai responder", explica o profissional.

Contudo, há uma parte que os fisiologistas e preparadores físicos não têm controle: a psicológica. Lucas Oaks encara com uma condição nova, porque tudo vai ser diferente no começo, até mesmo fora dos treinos. Ele entende que alguns atletas podem ser afetados com essa diferença.

"Imagina hábitos normais na vida de um atleta não poderem acontecer, como o abraço no companheiro, a vivência no vestiário... não sabemos como que isso vai repercutir entre eles. Não sabemos como aquele cara que está desde os 13 anos de idade dentro de um vestiário vai se comportar ao saber que não vai poder estar lá no começo. É esperado um novo aumento da curva de infectados, isso pode acontecer, e o atleta pode ficar sem torcida também. Como isso tudo vai alterar na parte psicológica de um atleta é uma incógnita", relata Lucas Oaks.

Fato é que os treinamentos podem retornar o mais breve possível, talvez ainda no mês de maio como se especula. Marcelo Paz, presidente do Fortaleza, garantiu que até o fim do decreto estadual que impede abertura do comércio, não deve haver treinos no Leão, e isso deve valer para outras agremiações. Mas mesmo quando voltar, muitas coisas serão diferentes.