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Sevilla garante vaga na fase de grupos da Liga Europa

Nesta quinta-feira, o Sevilla confirmou com tranquilidade sua classificação para a fase de grupos da Liga Europa. Depois de uma partida de ida complicada, o time espanhol superou o Sigma por 3 a 0, com gols de Gonalons, Ben Yedder e Nespor contra, no estádio Ramón Sánchez Pizjuán. O placar agregado terminou em 4 a [?]
19:15 | Ago. 30, 2018
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Nesta quinta-feira, o Sevilla confirmou com tranquilidade sua classificação para a fase de grupos da Liga Europa. Depois de uma partida de ida complicada, o time espanhol superou o Sigma por 3 a 0, com gols de Gonalons, Ben Yedder e Nespor contra, no estádio Ramón Sánchez Pizjuán. O placar agregado terminou em 4 a 0. O sorteio da fase de grupos será realizado na sexta-feira.

O time da casa abriu o placar logo aos nove minutos, mas o lance foi anulado por causa de uma falta. Apesar disso, os comandados de Pablo Machín conseguiram abrir o placar aos 21 minutos da primeira etapa. Depois de tentativa de ataque, a defesa tentou sair da grande área carregando a bola e Guilherme Arana fez o desarme antes de dar a assistência. Gonalons arrematou cruzado da entrada da área e a bola entrou.

O segundo tento saiu aos 26. Após cobrança de escanteio, Franco Vázquez cabeceou para dentro da área e Nespor tentou afastar, mas desviou a bola para dentro de sua própria meta. O jogo estava em 2 a 0 para o Sevilla.

Jogando melhor, os mandantes conseguiram controlar a partida nos minutos restantes da primeira etapa e só viram o seu adversário assustar em uma oportunidade em um chute de Housca para fora.

O Sevilla seguiu tendo superioridade nos últimos 45 minutos do primeiro tempo e esbarrou no goleiro adversário, Buchta, algumas vezes. A um minuto, Nolito finalizou para fora. Já aos sete, André Silva bateu bem e o arqueiro defendeu.

O terceiro gol saiu aos 30 minutos. Após o time tcheco pressionar a saída de bola adversária, os espanhóis saíram tocando bola. Com a defesa aberta, Mesa arrancou do meio de campo até a entrada da área e tocou para Ben Yedder balançar as redes adversárias.

Confira outros resultados:

FC Astana 1 (1 x 2) 0 APOEL (1 x 1, no agregado)

Ufa 1 x 1 Rangers (1 x 2, no agregado)

AEK Larnaca 3 x 0 Trencin (4 x 1, no agregado)

FC Copenhagen 0 (4 x 3) 0 Atalanta (0 x 0, no agregado)

RB Leipzig 3 x 2 Zorya (3 x 2, no agregado)

Apollon 1 x 0 Basel (3 x 3, no agregado)

CFR Cluj 2 x 3 Dudelange (2 x 5, no agregado)

Ludogorets 4 x 0 Torpedo Kutaisi (5 x 0, no agregado)

Tel Aviv 2 x 1 Sarpsborg 08 (3 x 4, no agregado)

Molde 2 x 1 Zenit Petersburg (3 x 4, no agregado)

Qarabag 3 x 0 S. Tiraspol (3 x 1, no agregado)

Midtjylland 0 x 2 Malmö FF (2 x 4, no agregado)

Besiktas 3 x 0 Partizan (4 x 1, no agregado)

Shkendija 0 x 2 Rosenborg (1 x 5, no agregado)

Brondby 2 x 4 Genk (4 x 9, no agregado)

FCSB 2 x 1 Rapid Vienna (3 x 4, no agregado)

Trnava 1 x 1 O. Ljubljana (3 x 1, no agregado)

Bordeaux 2 x 0 Gent (2 x 0, no agregado)

Burnley 1 x 1 Olympiakos (2 x 4, no agregado)

Celtic 3 x 0 Suduva (4 x 1, no agregado)

Gazeta Esportiva

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Em parceria, UFC e UFMA criam o primeiro néctar de frutas probiótico

Nova patente
2021-07-31 11:39:44
Autor Lara Vieira
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Lara Vieira Autor
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Foi anunciada nessa sexta-feira, 30, a criação do primeiro néctar de frutas probiótico, um alimento funcional que serve como alternativa a bebidas lácteas para pessoas com intolerância a lactose ou veganas. A pesquisa é oriunda de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). O invento acaba de garantir para a UFC a sua 13ª carta patente.

Os probióticos estão associados ao controle dos níveis de colesterol, à estimulação do sistema imune, ao alívio da constipação e ao aumento da absorção de minerais, sem contar que ainda apresentam efeitos anticarcinogênicos e anti-hipertensivos. O néctar pode ser obtido de frutas como cupuaçu, açaí, cacau, ciriguela, caju, entre outras. Segundo carta patente expedida, o néctar probiótico tem potencial para ser usado pela indústria de alimentos no ramo de bebidas.

De acordo com a UFC, os estudos foram feitos inicialmente com cupuaçu, escolhido por ser uma fruta de alto valor nutricional. "Além disso, essa fruta apresenta excelentes características sensoriais, sendo bastante apreciada por seu sabor e aroma. Adicionalmente, essa fruta é produzida na região (Nordeste) e bastante consumida, mas não é matéria-prima convencional para a produção de sucos e néctares de frutas comerciais", explica a professora Ana Lúcia Fernandes Pereira, uma das autoras da pesquisa. 

Alternativa aos lácteos 

A pesquisa teve como principal motivação a busca de uma solução para pessoas com restrição ao leite na dieta. Isso porque probióticos tradicionalmente têm sido adicionados a produtos de base láctea, como leites, iogurtes e queijos.

Esses itens contribuem para a sobrevivência dos microrganismos probióticos ao suco gástrico, que é altamente ácido. O desafio no desenvolvimento das bebidas à base de frutas é fazer com que o probiótico mantenha sua viabilidade mesmo diante de sua alta acidez, que pode inibir o crescimento desse microrganismo.

A pesquisa foi desenvolvida pela professora Ana Lúcia, sob orientação da professora Sueli Rodrigues, juntamente com as professoras da UFMA Tatiana Lemos e Virgínia Abreu. O estudo começou em 2014, sendo executado pelo discente Wallaff Feitosa em seu trabalho de conclusão de curso na UFMA.

A pesquisa gerou o produto final esperado e, em 2015, foi solicitada a patente. Há cerca de um mês, o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) concedeu o documento, registrando os cinco pesquisadores como autores do néctar probiótico e de seu processo de produção.

Como o pedido da patente foi feito ainda em 2015, a professora informa que, ao longo desse período, já houve avanços nos estudos, a exemplo da avaliação da vida útil do néctar sob refrigeração, para nortear o prazo de validade do produto. Outro progresso foi o uso de adoçantes na elaboração dessas bebidas, com o objetivo de atender também o público com restrição de açúcar na dieta. 

Comercialização

O néctar ainda não começou a ser utilizado, pois os pesquisadores estavam à espera da expedição da carta patente pelo Inpi. "Ela representa o direito à exploração da invenção por seu titular, conferindo-lhe exclusividade de uso, comercialização e produção", explica a Sueli Rodrigues.

A pesquisadora afirma ainda que o próximo passo será a sondagem de empresas do setor de bebidas para dar visibilidade à tecnologia patenteada e ao licenciamento da tecnologia. "Há boas perspectivas de comercialização do néctar, tendo em vista que o consumo dos probióticos se configura como uma das tendências e oportunidades pós-Covid-19 identificadas pelo setor de alimentos", avalia a professora.

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Em virada histórica, Stefani e Pigossi ganham bronze inédito no tênis

Esportes
2021-07-31 11:37:35
Autor Agência Brasil
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As tenistas Luisa Stefani e Laura Pigossi fizeram história na Olimpíada de Tóquio (Japão). Neste sábado (31), as paulistas conquistaram a medalha de bronze das duplas femininas ao derrotarem Elena Vesnina e Veronika Kudermetova, do Comitê Olímpico Russo, por 2 sets a 1, com parciais de 4/6, 6/4 e 11.

É a primeira vez que o Brasil será representado no pódio olímpico do tênis. Nos Jogos de Atlanta (Estados Unidos), em 1996, Fernando Meligeni chegou à disputa do bronze, mas ficou na quarta posição. A medalha será entregue neste domingo (1º), após a decisão do ouro entre as tchecas Barbora Krejcíkova e Katerina Siniakova e as suíças Viktorija Golubic e Belinda Bencic, as algozes de Stefani e Pigossi na semifinal, em horário a ser definido.

As brasileiras tiveram a participação confirmada na Olimpíada faltando uma semana para o início, após várias desistências. Elas estrearam superando Gabriela Dabrowskim e Sharon Fichman, do Canadá, na primeira rodada. Em seguida, passaram pelas tchecas Karolina Pliskova e Marketa Vondrousova, de virada. Nas quartas, surpreenderam (também de virada) as favoritas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula, dos EUA, até a queda na semifinal para Golubic e Bencic.

"Não caiu a ficha do quanto é importante para gente essa medalha. Entramos aos 45 do segundo tempo na Olimpíada e só queríamos representar o Brasil da melhor maneira. Acreditem meninas, acreditem, sempre. Sonhem e trabalhem duro cada dia que vocês podem conquistar, é o meu recado. Escutei uma frase e escrevi no meu caderno antes de vir pra cá: 'jogue pelo amor e não pelo resultado'. E foi assim, estamos muito felizes de trazer essa medalha para casa, para o tênis brasileiro", celebrou Stefani, após o jogo, em comunicado à imprensa.

A partida contra Vesnina e Kudermetova foi de superação a todo instante. Stefani e Pigossi viram as russas abrirem 4 a 1, buscaram o empate, mas cederam uma quebra de serviço e perderam o primeiro set por 6/4. Na parcial seguinte, o cenário se inverteu, com as brasileiras fazendo 2 a 0 e administrando a vantagem para fecharem o set, também em 6/4.

A medalha seria decidida no match tie-break (melhor de dez pontos, em que os tenistas se alternam no serviço a cada dois saques). As russas começaram melhor e abriram 9 a 5 no placar, com quatro chances de fechar a partida. As brasileiras não desistiram, salvaram os match points, viraram o marcador e venceram o jogo após um erro de devolução das rivais.

A conquista de Stefani e Pigossi foi celebrada em publicações de Bruno Soares e Marcelo Melo - que também integram a seleção brasileira de tênis em Tóquio - no Instagram.

 

Além deles, o ex-tenista Gustavo Kuerten, o Guga, ex-número um do mundo, também comemorou o feito da dupla feminina brasileira pelas redes sociais.

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Órgão Nacional de Defensorias Públicas não reconhece eleição da Ouvidoria da DPCE

Ceará
2021-07-31 11:22:10
Autor Isabela Queiroz Especial para O POVO
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Em sessão realizada nessa quinta-feira, 29/8, 14 Ouvidorias de Defensorias Públicas do Brasil aprovaram o não reconhecimento da eleição para o cargo de ouvidor-Geral da Defensoria Pública do Estado do Ceará (DPCE). A decisão é do Conselho Nacional de Ouvidorias de Defensorias Públicas (CNODP).

Na última quarta-feira, 28, o processo eleitoral para o cargo de Ouvidoria Externa da Defensoria Pública contou com apenas uma candidatura, do advogado Francisco Alysson da Silva Frota, eleito para um mandato de dois anos.

Segundo o CNODP o Conselho Superior da Defensoria (Consup) adotou um “formalismo excessivo” quando decidiu homologar apenas uma candidatura para o cargo e eliminar do pleito outras três postulantes por questões meramente formais, após recurso.

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No entendimento do CNODP, isso teve como consequência a eliminação da participação social no processo eleitoral, pois com apenas uma candidatura as entidades da sociedade civil não tiveram o direito de formular a lista tríplice, para votar nos candidatos com melhor perfil e proposta.

Além disso, o CNODP avalia que a atitude do Consup “descortina” o enraizamento do racismo estrutural e sexismo institucional, já que foram eliminadas do processo três mulheres negras com trajetória na defesa dos Direitos Humanos e que reúnem as condições para o exercício da função.

O presidente do CNOPD, Willian Fernandes, afirmou em nota que a eliminação das três candidatas foi um duro golpe para a democracia do processo eleitoral e, se não houver revisão da decisão, haverá prejuízos de difícil reparação. Ele reforçou que o Conselho Nacional de Ouvidorias junto às entidades inscritas no processo que tiveram o direito de escolha eliminado, postularão, em todas as esferas, a revisão do indeferimento das candidaturas”. O Judiciário será acionado para rever a decisão do Consup.

A atual ouvidora-geral, Antônia Araújo, afirma que a eleição deveria ter sido adiada, pois houve dificuldade para que as instituições comparecessem à eleição presencialmente, além do fato de algumas não reconhecerem o candidato como defensor de Direitos Humanos. Ela questiona o indeferimento da inscrição de seis mulheres, e ainda o prazo para entrega de documentos, que poderia ter sido maior devido ao contexto de pandemia da Covid-19.

Além disso, cerca de 23 entidades e movimentos sociais do Ceará divulgaram carta aberta questionando o resultado da eleição da Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Estado (DPCE). As instituições apontam supostas irregularidades na organização do pleito e questionam o indeferimento de três candidaturas, pelo Consup, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira, 27, a menos de 24 horas da votação.

As postulações haviam sido barradas pela Comissão Eleitoral do órgão, que apontou inconsistências na documentação apresentada pelas candidatas. Na apreciação dos recursos, o colegiado decidiu, por quatro votos a dois, manter a rejeição dos registros e confirmar a data da eleição para o dia seguinte. Segundo as entidades que assinam a carta, a decisão do órgão inviabilizou a participação de instituições com direito a voto no processo.

A presidente da Comissão Eleitoral, a defensora pública Karinne Matos afirmou ao O POVO que as inscrições foram analisadas tecnicamente, de acordo com critérios do edital. As entidades e candidatos que cumpriram o edital foram deferidas, e as que não foram, podiam ainda entrar com recurso. “Trabalhamos dentro de quatro parâmetros: legalidade, regras claras, resolução de número 171/2019 do Conselho Superior da Defensoria (Consup) e edital 001/2021”, afirmou.

Ela ressalta ainda que o edital já previa que a eleição acontecesse no dia 28 de julho e que as inscrições, previstas para um mês antes da eleição, receberam material de candidatos até 10 horas da noite do último dia 28/6.

“A Comissão compreende a insatisfação, mas nossas decisões foram unânimes e com base no edital. Se nós tivéssemos feito algo de errado, certamente teria sido corrigido pelo Consup. Os candidatos e instituições tiveram direito de recorrer tanto à Comissão quanto ao Conselho", afirmou a defensora. 

A eleição aconteceu com apenas um candidato porque as outras candidaturas não cumpriram o que estava no edital, segundo a presidente da Comissão. “Gostaria que tivéssemos um leque maior de candidatos. A participação da sociedade civil é muito importante para a Defensoria. Não foi do jeito que a Comissão esperava”, afirmou.

Karinne finaliza afirmando que o único propósito dos defensores para participarem da Comissão Eleitoral é engrandecer a própria instituição e participação de uma representante da sociedade civil referendou e contribuiu para esse trabalho. 

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Pessoas gordas se unem para enfrentar barreiras no mercado de trabalho

ECONOMIA
2021-07-31 11:07:42
Autor Agência Estado
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Ao entrar na sala para uma seleção de emprego, Kátia Xangô ouviu: "Cadê a candidata?". Após a indicação com a mão, outra pergunta: "É para você essa vaga?". "É", respondeu. "Ah, mas o espaço é apertado para poder se locomover. Tem armário, fogões, geladeiras e não vai dar para entender quem é quem. Se é fogão, armário, se é você", disse a recrutadora.
O diálogo que parece extraído de algum filme nonsense foi uma das situações vividas pela baiana durante entrevista para vaga de balconista em uma lanchonete de Salvador. "Logo depois, ela (a recrutadora) falou que não precisaria mais, pois a vaga já tinha sido preenchida por uma menina magra, toda no padrão", completou. Aos 41 anos e com 140 quilos, a feirante diz sentir na pele o impacto do preconceito no mercado de trabalho.
A gordofobia pode-se entender como a discriminação contra um indivíduo por conta do seu peso, e essa forma de preconceito também não é nova. Pesquisa desenvolvida pelo Grupo Catho - empresa que funciona como um classificado online de currículos e vagas - em 2005, intitulada A Contratação, a Demissão e a Carreira dos Executivos Brasileiros, realizada junto a 31 mil executivos, identificou que 65% dos presidentes e diretores de empresas tinham alguma restrição na hora de contratar pessoas gordas.
Ainda conforme os dados do estudo, o mercado pagava melhor aos magros. Pelos cálculos, cada ponto a mais no Índice de Massa Corporal (IMC) - medidor internacional de obesidade adotado pela Organização Mundial da Saúde - de um funcionário significaria, para o gerente, a perda de R$ 92 por mês.
"Alguns anos atrás, fui chamada para uma entrevista para ser governanta em uma casa de luxo. Quando cheguei, a dona olhou, olhou, olhou e disse: ‘você não se enquadra’. Ela nem procurou saber se eu tinha as qualificações", prosseguiu Kátia. Sem oportunidades, partiu para a atividade informal e vende roupas na internet. "Me sinto bem discriminada, porque não sou incapaz de fazer nada daquilo. As pessoas ficam criando obstáculos, nem param para olhar minhas experiências só porque sou gorda."
Conforme a Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2020, 60,3% dos brasileiros com 18 anos ou mais - o que correspondia a 96 milhões de pessoas - estavam acima do peso em 2019. Além disso, o estudo constatou que a proporção de obesos na população com 20 anos ou mais no País passou de 12,2% para 26,8% entre 2003 e 2019. Já pesquisa realizada em 2017 pela Skol Diálogos, em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião e Estatística (Ibope), mostrou que 92% dos brasileiros admitiram sofrer com gordofobia no convívio social.
Para a psicóloga e especialista em transtornos alimentares Gabi Menezes, a discriminação às pessoas gordas no ambiente de trabalho causa marginalização. "Ela não se sentirá pertencente e os impactos psicológicos dessa violência afetam não só a saúde mental, mas muitas vezes também a física. Quando pensamos na saúde mental, podemos listar ansiedade, estresse, depressão, sentimento de negação, inadequação e até transtornos alimentares", descreveu.
Nesse sentido, uma forma de proteção seria a terapia. "É essencial entender que o problema de uma sociedade gordofóbica não está nela (pessoa), mas, sim, na própria sociedade. Fundamental é fortalecer a sua autoestima física, mental e intelectual, pois é uma falha na estrutura que faz com que esta pessoa seja vista como desleixada, preguiçosa e pouco apta", ressalta Gabi.
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No Brasil, não existe lei específica para punir quem pratica gordofobia. Entretanto, a Constituição Federal tem como princípios fundamentais proteger a dignidade de qualquer pessoa. "No mercado de trabalho, a gordofobia pode ser interpretada como assédio moral, seguindo assim os trâmites já pré-estabelecidos. Em casos de humilhação, as ofensas podem ser interpretadas como injúria, crime contra honra, previsto no Código Penal, o que também possibilita recursos judiciais para sua defesa", explicou a advogada Rayane Souza.
Ao lado da colega Mariana Oliveira, a pós-graduada em direito digital criou a página do Instagram Gorda na Lei, que presta auxílio contra a gordofobia. "A ideia sempre foi trazer de maneira muito dinâmica e acessível a informação sobre direitos básicos, que muitas pessoas ainda desconhecem, e dar atenção para essas pautas com a relevância que merece ser debatida", explicou. Rayane destacou ainda que a pessoa gorda precisa entender que seu direito como ser humano não é questionável e que as garantias estão previstas na Constituição Federal e nos demais ordenamentos.
"O corpo gordo é capaz e esse paradigma tem que ser rompido com urgência. As empresas devem ampliar suas visões de mercado e entender que somos plurais. Isso traz muito mais benefícios do que continuarmos insistindo em padrões e rótulos. Hoje, quem não investe em diversidade e representatividade fica para trás, além de correr um grande risco de sofrer juridicamente com eventuais situações de preconceitos", reforça.
Ações propositivas
Ao deslocar o olhar para as pinturas produzidas até o século 19, os corpos retratados eram volumosos e rotundos, pois ser gordo era sinônimo de saúde, beleza e nobreza. Contudo, a partir de 1830, surge um novo marco na visão estética, privilegiando a magreza. Com o avanço das tecnologias, anúncios de imagens das "novas belas mulheres" apareceram e nortearam os pensamentos da sociedade pré-industrial.
Na obra O Império do Efêmero: a Moda e Seu Destino nas Sociedades Modernas, de 1989, o filósofo francês Gilles Lipovetsky sintetizou: "As pessoas preferem assemelhar-se aos inovadores contemporâneos e menos aos seus antepassados". Junto a isso, as pesquisas científicas passaram a decretar o excesso de gordura como antítese de saúde.
Diante desse novo padrão, as pessoas gordas passaram a ser vistas como "preguiçosas, descuidadas e propensas a mais problemas de saúde". Por conta disso, entrar e permanecer no mercado de trabalho, para muitos deles, é uma batalha que vai além das qualificações técnicas exigidas. Frases como "você não se encaixa no perfil que procuramos" ou, ainda, "sinto muito, a vaga já foi preenchida" já estão no cotidiano desta parcela da população.
"A gordofobia no mercado de trabalho é uma realidade a partir do momento que se olha para o lado e não se percebe nas empresas a representatividade com pessoas gordas", apontou Matheus Santos, CEO da Escutaqui, psicólogo comunicador de diversidade e inclusão com foco em gordofobia.
"A gordofobia é muito velada e disfarçada com preocupação com a saúde. É fácil se esconder nessa justificativa da ‘saúde do outro’, mas ninguém diz que vai deixar de contratar alguém porque fuma. Então, será que é realmente uma preocupação com a saúde?", provoca. Experiente como gestor de recursos humanos, ele atenta que a mudança desse pensamento só será efetiva quando empresas trouxerem políticas que visem tornar o ambiente acessível.
"Devem refletir se o espaço de trabalho é adequado a todo mundo ou se alguém teria dificuldade em passar nas catracas da entrada, se os uniformes servem em toda equipe, se a cadeira irá quebrar e causar um constrangimento enorme. A pessoa gorda não pode ser considerada só quando ela emagrece", afirma.
Com o intuito de qualificar a pessoa gorda, ajudando-a a criar conexões e trazendo alternativas para colocação no mercado de trabalho, funcionando como rede de apoio, a turismóloga Carol Vayda criou o Meu Trampo+. "Buscamos fomentar a qualificação profissional, mas também dar ferramentas para os participantes enfrentarem a gordofobia", explica.
O projeto voluntário consiste em uma série de treinamentos ministrados por profissionais de diversas áreas, que visam capacitar, treinar e acompanhar a pessoa gorda durante a busca por uma vaga. "Já tivemos uma temporada presencial e outra online em que falamos sobre empreendedorismo, vendas, nutrição, criatividade, marketing digital e redes sociais", prosseguiu.
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Atletas devem ser acompanhados por psicólogos, defendem especialistas

Esportes
2021-07-31 11:07:31
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A saúde mental de atletas de alto rendimento tem ganhado destaque durante os jogos olímpicos de Tóquio. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil ressaltam a importância do acompanhamento psicológico durante a trajetória dos atletas e defendem a presença de um profissional especializado em psicologia do esporte nas equipes técnicas de treinamento, desde a base até a chegada a competições de maior visibilidade.

Os atletas estão sujeitos a pressões que afetam a saúde mental assim como qualquer outro profissional. No entanto, além de questões que afetam a população em geral, como a atual pandemia, dificuldades financeiras, o machismo e o racismo, eles enfrentam, de forma sobreposta, situações características inerentes à sua atuação, como pouca margem para erros, expectativas, prazos de competições, além da rotina exigente de treinos. Os prejuízos à saúde mental podem ser minimizados ou evitados se houver acompanhamento psicológico especializado.

“Considerando que o atleta é uma pessoa que não vive isolada das questões maiores da sociedade, tudo o que desestabiliza essa pessoa tanto no seu grupo social menor como as questões de ordem macrossocial interferem no rendimento do atleta. Por exemplo, a pandemia, a morte de um ente querido, uma lesão, às vezes até a mudança da data de uma competição é geradora de desestabilização para o atleta”, explicou a psicóloga Katia Rubio, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Como tais questões podem interferir no desempenho do atleta depende das competências emocionais de cada um e do acompanhamento profissional. Alguns lidam muito bem com o que não foi planejado, outros seguem à risca um projeto de treinamento e se desestabilizam diante de qualquer imprevisto. “É super importante [a presença do psicólogo] porque é possível acompanhar proximamente todas essas questões e a necessária correção de rota para que ele siga cumprindo com aquilo que foi planejado.”

Além disso, Katia ressaltou que a presença do psicólogo neste cenário ajuda a combater abusos sofridos pelos atletas. “A escuta do psicólogo é uma escuta privilegiada e, por isso, é preciso também preparar as instituições para lidar com aquilo que a escuta do psicólogo traz para as instituições. Isso porque muitas vezes as instituições são coniventes com o agressor, porque normalmente o agressor está em posição de poder”, disse Katia.

Baixa tolerância

Professora da Faculdade de Educação Física da Universidade de Campinas (Unicamp), a psicóloga Paula Teixeira Fernandes destacou que todo ser humano está suscetível à baixa tolerância, à frustração e que a grande questão do esporte de alto rendimento é saber lidar com as adversidades que acontecem no momento da prova.

“Um grande exemplo agora é o de Ítalo Ferreira, que no meio da prova, com o tempo rodando, teve a prancha quebrada. Tem pessoas que, com uma prancha quebrada, desistem. Ele foi lá, trocou a prancha e conseguiu”, disse.

Na final olímpica do surfe, em Tóquio, o atleta do surfe Ítalo viu sua prancha quebrar durante a prova. Ele voltou para a areia, pegou outra prancha e deu continuidade à sua participação na competição, levando a medalha de ouro ao final da prova.

Paula citou ainda a questão da satisfação em desempenhar determinada modalidade. “Quando você tem a felicidade e faz porque gosta, o rendimento fica melhor. Inclusive uma das estratégias para melhorar o desempenho que nós, psicólogos, usamos é exatamente isso, é você pensar em situações felizes, porque isso faz com que todo o nosso sistema cerebral se organize de uma maneira diferente e o rendimento aconteça. As pessoas ficam só preocupadas com resultado e nós vamos sempre nos preocupar com o processo”, explicou Paula.

Cuidados preventivos

Para a presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp), Thabata Castelo Branco Telles, é importante que o processo de preparação do atleta inclua o cuidado com a parte psicológica durante todo o treinamento, e não sejam realizados apenas trabalhos pontuais como palestras motivacionais ou uma preparação psicológica apenas semanas antes da competição.

“A ideia é que a gente tenha um processo preventivo, cotidiano, para que depois a gente não vá viver de apagar incêndio, para que não esperemos que uma coisa muito grave aconteça, que o atleta queira desistir do esporte, que não aguente mais, que chegue em um nível muito pesado para a gente começar a se preocupar com isso. Realmente [acompanhamento psicológico] precisa fazer parte dessa rotina mesmo do atleta”, disse Thabata.

A psicóloga observou que, além das adversidades características, questões como o machismo e o racismo podem afetar a saúde mental dos atletas, já que o esporte não existe apartado da sociedade, e são fatores que devem ser levados em consideração. “Se a gente tem situações frequentes de machismo e racismo ainda hoje na nossa sociedade, isso vai acontecer no esporte também. Se há situações de abuso e assédio, isso vai ocorrer no esporte também. O esporte está dentro de uma cultura, de uma sociedade, e tudo isso vai fazer parte da saúde mental daquele indivíduo.”

Para mitigar os impactos na saúde mental dos atletas, a professora da Unicamp, Paula Fernandes, afirmou que é preciso ter uma rede de apoio, desde a família até a comissão técnica, e um preparo de forma integral. “Nós sempre vamos pedir uma comissão técnica interdisciplinar, que trabalhe com diferentes áreas: preparador físico, treinador, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, médico, todo mundo que está ali envolvido, conversando com o atleta, tendo uma comunicação importante”.

Ela ressalta que, em alguns momentos de decisão no esporte, principalmente quando os fatores técnicos, táticos e físicos dos competidores são muito semelhantes, como é o caso de atletas olímpicos, o aspecto psicológico pode ser o diferencial durante as provas.

“Quando a gente tem todos os treinamentos integrados, conseguimos fazer com que o atleta desenvolva melhor todas as habilidades que ele tem. Quando a gente consegue trabalhar as competências psicológicas relacionadas ao esporte [atenção, foco, autoestima, autoconfiança], a gente está trabalhando as competências psicológicas relacionadas à vida, e isso é fundamental”, disse Paula.

A professora da USP, Katia Rubio, concorda com o papel importante de um psicólogo do esporte nas comissões técnicas. “Esse seria o melhor dos mundos, que toda equipe tivesse não só um psicólogo, mas um psicólogo especialista em esporte, porque nem sempre um psicólogo generalista, um psicólogo clínico, por exemplo, consegue entender a especificidade do esporte para poder orientar de forma apropriada um atleta.”

Avanços da psicologia do esporte

Já houve avanço na presença desses profissionais nas equipes, reconheceu Katia ao citar que especialistas em psicologia do esporte seguiram para Tóquio, acompanhando a delegação brasileira. Mas avaliou que esse acompanhamento deve vir desde o começo do desenvolvimento do atleta.

“Essa atuação [dos psicólogos do esporte] ainda tem que chegar aos clubes, à base. É fundamental que um atleta ou uma atleta cresça e se desenvolva compreendendo que esse é um trabalho tão importante quanto é a preparação física, a nutrição, a fisiologia, e que o trabalho psicológico é só mais uma das especialidades da ciência do esporte que contribuem para do desenvolvimento do atleta”, disse.

A presença de um psicólogo do esporte nas equipes de treinamento dos atletas de alto rendimento não deve ser vista como um bônus, mas como parte integrante da preparação daquele indivíduo, conforme avalia a presidente da Abrapesp. “Às vezes parece que estamos falando de uma coisa extra, como se fosse um bônus, mas na verdade não é isso. Ele [psicólogo] deve fazer parte, vai ter benefícios óbvios no sentido de que, se a gente entende o atleta como alguém que tem um corpo e uma mente, a gente precisa cuidar das duas coisas.”

O reconhecimento da importância do psicólogo do esporte no contexto de alto rendimento já ocorre atualmente, segundo Thabata, mas ainda há o que avançar. “O que falta hoje é termos um trabalho mais sistemático, um trabalho contínuo, que não seja com quebras - porque às vezes isso depende de ciclo olímpico, de verba. É comum encontrar um atleta que fez esse trabalho preparação psicológica em algum momento e depois não fez mais por conta dessas quebras.”

Thabata ressaltou a importância de que o trabalho seja feito de forma mais abrangente e acessível. “Porque, quando a gente fala em termos de Brasil, uma coisa é falar da realidade dos clubes do eixo Rio-São Paulo, outra coisa é falar disso no norte do país. Acho que tem que ter uma abrangência também, tem que ter uma sistematização e uma consistência dessa área [psicologia do esporte] em todo o país.”

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