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Liberdade sob rodas

LAÍS | Laís Lima descobriu novas possibilidades com a cadeira de rodas ao ter contato com o basquete adaptado. Hoje, o paradesporto abre portas para a atleta

01:30 | 04/10/2019
Laís Lima, praticante de basquete e handebol
Laís Lima, praticante de basquete e handebol (Foto: Alex Gomes/Especial para O POVO)

Há quem olhe para uma cadeira de rodas e só veja limitação. A locomoção adaptada para muitos é sinônimo de dependência. Mas existem aqueles que ousam vislumbrar por outro prisma.

A educadora física Laís Lima, de 26 anos, optou pela ressignificação há quatro anos. Mesmo em condições físicas de andar sem auxílio de aparelhos, escolheu sentar numa cadeira de rodas, para, segundo ela, ganhar ainda mais liberdade.

"Quando você olha alguém que consegue andar sentando na cadeira de rodas, julga ser um passo para trás, mas eu não penso assim. Lá (na cadeira) eu posso correr e fazer o que eu quiser, tenho minha liberdade e por meio do esporte, dentro de quadra, consigo fazer coisas que pessoas ditas normais não conseguem. É ali que consigo brilhar e ser útil", explica.

O esporte adaptado devolveu para Laís a possibilidade de competir. Apaixonada por esportes desde criança, ela sofreu acidente, em julho de 2012, que quase a fez perder o pé esquerdo. Ao voltar de festa com um amigo, a moto em que estavam foi atropelada por uma carro que apostava corrida com outro. O responsável pelo abalroamento fugiu.

"Eu levantei parte do tronco e vi que meu pé estava esmagado. Imediatamente pedi para ir ao hospital porque eu já tinha noção da gravidade", conta Laís, que foi socorrida pelo outro homem que apostava corrida, mas não se envolveu diretamente no acidente.

Na emergência, a primeira solução era amputar o pé, mas ela refutou. Após muitos exames, teve a informação que poderia ser feita reconstituição — o que lhe custaria a retirada de parte da panturrilha e perda de sensibilidade em quase todo o pé. A partir daí, a missão era aprender a andar novamente.

"Eu mudei radicalmente minha vida depois do acidente. Antes você quer muita coisa, vislumbra sempre mais. Depois, pequenos detalhes fazem a diferença, como quando botei o pé no chão ou entrei novamente numa piscina. A maior felicidade da minha vida foi quando entrei de novo no mar", relembra.

Um passeio em um shopping em 2014 mudou essa realidade. Ainda usando muletas à época, Laís recebeu convite de um instrutor do Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência (Cepid) para conhecer o local. Decidiu aceitar, desde que não fosse nada ligado ao atletismo, por ser o que praticava quando se acidentou.

Laís foi fisgada pelo basquete adaptado, primeiro esporte que experimentou como paratleta. Para jogar, no entanto, ela tinha de se reconciliar com a cadeira de rodas, de forma a se igualar aos demais.

"O esporte na vida de pessoas com deficiências (PCDs) é uma válvula de escape. Cada um tem suas dificuldades, seu problemas, seu jeito de aceitar ou não as deficiências, mas quando está dentro de quadra é só a gente".

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