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Vida pelo esporte

SANTIAGO | Jovem é exemplo de amor ao desporto. Deficiente físico, ele chegou a viver rotina nômade, morando em duas cidades, para seguir nos treinos

01:30 | 27/09/2019
Caderno especial sobre inclusão no Esporte. Santiago Aprígio, paratleta
Caderno especial sobre inclusão no Esporte. Santiago Aprígio, paratleta(Foto: Alex Gomes / Especial para O POVO)

A paixão pelo esporte direcionou as escolhas de vida de Santiago Aprígio, 19. O sonho de se tornar atleta paralímpico o motivou a mudar de cidade, a sair do conforto da casa dos pais e foi combustível até para vivenciar um grande amor. Para manter os treinos, o jovem chegou morar um mês em Fortaleza, outro em Cascavel — distante 64,3 km da Capital.

Santiago nasceu com mielomeningocele — malformação congênita que afeta ossos da coluna e medula espinhal. Na infância, em Cascavel, costuma jogar futebol com os amigos e, mesmo na cadeira de rodas, fechava o gol. Para ele, o apoio dos colegas e da escola foi fundamental no processo de inclusão.

"Hoje, eu sou muito feliz pela minha deficiência", afirma.

Houve, entretanto, períodos de dúvida. Assistir ao futebol pela TV ou ver amigos correndo atrás da bola sem qualquer limitação física doía. "Antes, quando era pequeno, ficava muito triste, mas ao longo do tempo fui crescendo e entendendo", explica.

No processo de entendimento e de conhecimento da deficiência, Santiago percebeu que a paralisia dos membros inferiores não o impedia de buscar o sonho. Com consultas anuais no Hospital Sarah Kubitschek, referência no atendimento de reabilitação, o jovem descobriu os esportes adaptados.

Depois daí, a decisão já estava tomada. "Foi um amigo meu do Sarah (hospital), que treinava no Cepid (Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência) e me chamou. Então pensei: 'Vou só terminar meus estudos'. Quando terminei, falei com ele, perguntei como tinha feito, me informei e comecei, conta.

Após concluir o ensino médio, em 2018, tudo foi rápido. Para treinar, ele precisaria morar em Fortaleza. No início deste ano, combinou com a namorada, — hoje noiva dele —, que ficaria um mês na casa dela para participar dos treinamentos. No seguinte, retornaria a Cascavel e levaria essa rotina para lutar pelo sonho.

A mãe de Santiago foi contra no começo. "Pra mim, não foi muito bom porque sempre vivi com meus pais. Mas eu queria muito e tinha que fazer alguma coisa."

Hoje, Santiago mora em Fortaleza com a noiva. Treina quatro vezes por semana. Dedica-se a duas modalidades: o basquete em cadeira de rodas e o tênis de mesa. A meta para este ano é conquistar uma medalha e conseguir uma bolsa de paratleta.

"O esporte me ajudou na inclusão. Hoje, não me sinto excluído. Pelo contrário, me sinto muito bem como qualquer pessoa. E me motiva cada vez mais", diz.

A rotina de treinos é árdua. E começa antes mesmo de entrar em quadra. Morando no bairro Presidente Vargas, Santiago precisa de cerca de duas horas para chegar aos treinamentos, passando por dois terminais e pegando três ônibus. Mas no final vale a pena.

"O esporte é muito bom pra mim. Vou pegando resistência e tenho contato com outros cadeirantes. Conversamos bastante, e isso me deixa ainda mais feliz. Agora, eu posso praticar o esporte com outros cadeirantes. O lugar do cadeirante não é só na arquibancada (assistindo), mas ele também pode praticar", sintetiza.

 

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