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Niki Lauda o homem que enganou a morte

Quando Andreas Nikolaus Lauda retornou à Nürburgring, anos depois do inacreditável acidente, foi perguntado sobre o que fazia lá por um fã. "Procurando minha orelha", respondeu o austríaco. Humor e uma honestidade singular o marcaram. Na última segunda-feira, o ex-piloto faleceu na Suíça com problemas nos pulmões. Com 70 de idade, Niki teve um bônus de 43 anos. Além das perspectivas médicas após o acidente na Alemanha, em 1976. Ignorou a morte e voltou às pistas cinco semanas e meia depois. Lauda virou o super-homem das pistas que conseguiu ser campeão por duas grandes equipes e derrotou o mais difícil dos oponentes.

01:30 | 22/05/2019
Picture taken on November 30, 1983 in Germany shows Austrian Formula One pilot Niki Lauda in his racing dress. - Legendary Formula One driver Niki Lauda has died at the age of 70, his family said in a statement released to Austrian media early Tuesday, May 21, 2019. (Photo by Harry MELCHERT / dpa / AFP) / Germany OUT
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Picture taken on November 30, 1983 in Germany shows Austrian Formula One pilot Niki Lauda in his racing dress. - Legendary Formula One driver Niki Lauda has died at the age of 70, his family said in a statement released to Austrian media early Tuesday, May 21, 2019. (Photo by Harry MELCHERT / dpa / AFP) / Germany OUT Caption(Foto: Harry MELCHERT / AFP)

Rouen-Les-Essarts (França)

Correndo pela Fórmula 2, Niki Lauda venceu ultrapassando na última volta Ronnie Peterson, tido como superestrela da categoria em 1971. A corrida marcou a carreira porque foi nela que Alan Henry, jornalista que se tornaria amigo pessoal do piloto, viu o talento dele e reverberou.

Österreichring (Áustria)

Hoje conhecido como Red Bull Ring, o circuito da Áustria é histórico para a Fórmula 1. E não só por ter um traçado de alta velocidade e curvas velozes, mas também por ser a estreia de Lauda na categoria, em 15 de agosto de 1971, pela March. A escuderia não lutava na parte de cima do grid. O austríaco se classificou em penúltimo e acabou não terminando a prova.

Mosport Park (Canadá)

Antes do Grande Prêmio do Canadá ser realizado no circuito Gilles Villeneuve, em Montreal, a Fórmula 1 levava as corridas para o Mosport Park, em Ontário. Em 1973, depois de comprar uma vaga na equipe BRM, Lauda usou a pista para impressionar Enzo Ferrari - o comandante da equipe Ferrari.

Autódromo Municipal de Buenos Aires

Clay Reggazoni, companheiro de equipe de Lauda na BRM, foi para a Ferrari e falou maravilhas do austríaco. Enzo Ferrari contratou-o. No GP da Argentina, em 1974, Niki correu pela primeira vez no carro vermelho. Terminou em segundo. Era o início

da reconstrução da

escuderia italiana.

Watkins Glen International (EUA)

Depois de terminar a F1 em 4º, em 1974, Lauda chegou para o GP dos EUA, o último da temporada de 1975, com o título assegurado. Após o GP tudo começaria a mudar para 1976, um ano épico da história da F1. James Hunt, rival de Niki, ficou sem equipe após anúncio do fim da Hesketh. A Mclaren assinaria com o inglês.

Circuito de Interlagos (Brasil)

A temporada de 1976 começou diferente. James Hunt, em sua Mclaren, tomou a pole no primeiro Grande Prêmio da temporada. Mas foi Niki Lauda que viria a vencer, depois de abandono do inglês. Alí, porém, foi uma amostra do que a rivalidade de ambos, que existia desde as categorias de base, poderia oferecer à

Fórmula 1.

Old Nürburgring (Alemanha)

Na F1 de 1976, o circuito de Nürburgring causava temor aos pilotos. Niki Lauda chegou a prever um grave acidente e pedia mudanças. Em 1º de agosto de 1976, o austríaco não imaginava que a tragédia seria com ele. Após trocar pneus e tentar compensar tempo perdido, Niki acabou batendo na curva Bergwerk. Sua Ferrari subiu no alambrado, voltou para a pista e pegou fogo.

Circuito de Monza (Itália)

Cinco semanas e meia depois do acidente que quase tirou a vida, em 1976, Niki Lauda retornou à F1. Contra as recomendações médicas, decidiu correr na Itália, casa da Ferrari, para se tornar mito dos "tifosi" (torcida da escuderia). Com a pele desgrudando, sem a visão inteira, terminou em quarto. Na frente de Carlos Reutemann, argentino contratado para seu lugar.

Fuji Speedway (Japão)

Final da F1 de 1976. Comparável às condições de Nürburgring, Lauda tinha teve de tomar uma decisão. Ele abandonou a corrida, de propósito. A chuva tinha deixado a pista perigosa. James Hunt precisava terminar em terceiro para garantir o título. Conseguiu a posição e venceu Lauda por um ponto. "Minha vida vale mais que um título", declarou o austríaco anos depois.

Kyalami Racing Circuit (África do Sul)

Lauda venceu na África do Sul em 1977 no braço. Dirigiu nas últimas dez voltas um carro que não tinha óleo nem água, além de ter pego restos do monoposto de Tom Pryce, após acidente. A felicidade de Niki morreu no pódio depois de descobrir da morte do inglês. Esse circuito ficou conhecido como a primeira e a última pole de Lauda.

Circuit Île Notre-Dame (Canadá)

Antes do Grande Prêmio do Canadá, em 1979, Lauda surpreendeu todo mundo quando decidiu se aposentar. Apenas avisou à equipe, e a imprensa estranhou outra pessoa usando seu carro e vestimentas. "Quando uma pessoa deixa de se sentir bem fazendo algo, é como se aquilo tivesse acabado", explicou.

Circuito de Rua de Long Beach, California (Estados Unidos)

No Grande Prêmio dos Estados Unidos realizado no Oeste - havia outro no Leste -, em 1982, Lauda teria seu contrato com a Mclaren reavaliado após retornar da aposentadoria. A resposta? Uma vitória. Ele estava de volta.

Autódromo de Estoril (Portugal)

Em 1984, o Grande Prêmio de Portugal se tornaria o palco do terceiro e último título de Niki Lauda na F1. Disputando o título com Alain Prost, o austríaco precisava chegar em segundo para não depender de ninguém. E assim o fez, vencendo o título por apenas meio ponto. A menor margem na história da categoria.

Circuit Zandvoor (Holanda)

A última vitória aconteceria no ano seguinte ao tricampeonato. Alain Prost estava ficando cada vez mais rápido e batê-lo se tornava uma missão difícil para Lauda, que começava a se cansar novamente do esporte. Venceu o francês por apenas dois décimos, tornando essa rivalidade marcada por pequenas margens de diferença.

Circuito de Rua de Adelaide (Austrália)

Em 1985, Niki Lauda decidiu parar de vez. O palco foi o último Grande Prêmio daquela temporada, na Austrália. Niki não conseguiu completar a corrida, abandonando na volta 52 com problemas nos freios. Keke Rosberg venceu o GP.

Autódromo Hermanos Rodríguez (México)

Após a carreira como piloto, Lauda trabalhou como conselheiro na Ferrari e na Jaguar. Foi na Mercedes que passou a ser lembrado novamente. Com um cargo de honra desde 2010, Niki ajudou a equipe alemã a se tornar uma máquina de vitórias. O GP do México foi quando Lewis Hamilton selou o título de pilotos da temporada, era quinto seguido da escuderia.

 

Gerson Barbosa /ESPECIAL PARA O POVO

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