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Canal de filmes adultos lança produções com legenda e narração para público cego e surdo

Ainda este ano a Sexy Hot Produções espera lançar mais seis filmes, todos com audiodescrição e legendas descritivas

13:55 | 12/08/2020
Foto dos bastidores do filme (Foto: Divulgação)
Foto dos bastidores do filme (Foto: Divulgação)

Chegou ao mercado de filmes adultos as duas primeiras produções do Sexy Hot, maior canal adulto do Brasil, o recurso de audiodescrição (para cegos) e legendas descritivas (para surdos). As versões adaptadas de "Desejo proibido", vendido como o primeiro filme de época da Sexy Hot Produções e de "Sugar daddy" estrearam em 6 de agosto. A iniciativa é pioneira no mercado nacional do segmento e os planos são tornar o conteúdo mais acessível.

A locução é uma das ferramentas da audiodescrição, a tradução das imagens em palavras. Já a legenda descritiva sinaliza, em forma escrita, ruídos, sons, música, falas, seja sussurros ou gemidos. As informações são do portal G1. Ainda este ano, a Sexy Hot Produções espera lançar mais seis filmes, todos com audiodescrição e legendas descritivas.

"O mais importante é a responsabilidade social – nossa marca quer ser inclusiva. É uma parcela da população muito importante, e a gente quer atender. Todo mundo tem desejo, libido. E vimos que teria um mercado", afirma ao G1 Cinthia Fajardo, diretora geral do grupo Playboy do Brasil, que controla o Sexy Hot e outros canais do segmento.

Ela conta que a empresa tem trabalhado na diversidade, tentando sair de clichê. Dentro desse cenário, segundo ela, buscam incluir deficientes auditivos e visuais na gama de consumidores.

Antes das estreias, a audiodescrição de "Sugar daddy" foi mostrada a um grupo de 15 pessoas cegas. A diretora geral explica que o objetivo era saber o que o público achou. "Se o tom de voz e a velocidade da narração estavam bons", afirma. Os produtores contaram também que é preciso ter cuidado para que a narração não "anime" demais, a ponto de dar informações antes do tempo. "Todos gostaram muito e ficaram muito satisfeitos de ver que vai ter esse tipo de conteúdo. Falaram que, antes, não tinham acesso a isso. Aí, a gente percebeu que pode ter uma demanda reprimida."

A diretora da Conecta Acessibilidade, que produz e adapta conteúdos audiovisuais e que trabalhou no projeto do Sexy Hot , Joana Peregrino, conta também que um consultor cego acompanhou o processo de adaptação do roteiro à gravação. Ele estuda a área de audiodescrição em filmes eróticos. "Não pode fazer juízo de valor, tem de dizer o que tá acontecendo. Se você tem vergonha de falar P., B., não pode fazer esse tipo de trabalho. Às vezes, alguém ri olhando aquelas cenas. Mas se você está constrangido ou não, tem de guardar para você", diz Joana.