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Felipe Neto admite "mea-culpa" por ter sido a favor do impeachment de Dilma e diz que "não há salvadores da pátria"

Com mais de 39 milhões de inscritos em seu canal no YouTube, o influenciador e empresário Felipe Neto disse não ter interesse de entrar no mundo da política. Confira esse e outros trechos de sua entrevista no Roda Viva (TV Cultura)

09:54 | 19/05/2020
Participação do influenciador ocorrerá na próxima segunda-feira, 18
Participação do influenciador ocorrerá na próxima segunda-feira, 18 (Foto: Divulgação/Play9)

O empresário e influenciador Felipe Neto admitiu, durante entrevista para o programa Roda Viva (TV Cultura), uma "mea-culpa" por ter sido a favor do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff.
Na ocasião, Felipe disse fazer mea-culpa sem nenhum problema, assim como não se envergonha de pedir desculpas.

"Errei muito no passado e aprendi com esses erros. E não afirmo aqui que hoje seja um adorador ou participante de um projeto petista, mas não tenho dúvidas de que no momento do impeachment, que podemos chamar de golpe, a minha colaboração, embora fosse nada comparável com a força que tenho hoje nas redes sociais, sem dúvida ela existiu e foi usada de maneira errada", afirmou o youTuber.


No início do mês, Felipe divulgou em rede social uma "vídeo-carta aberta para todos os artistas e influenciadores do Brasil". Nela, Neto cobrava a manifestação da classe a respeito das atitudes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).


Na entrevista, o influenciador disse ter noção da responsabilidade que tem na função, mas que se sente confuso com a importância política que lhe dão hoje: "Sinceramente, a força política que me dão hoje, a importância política que me dão hoje é uma importância que nunca pedi. Vale falar sobre isso, é uma importância que reflete um pouco do cenário brasileiro. Quando um youtuber, que está fazendo vídeos de humor, diversão, minecraft, se torna uma referência política no Twitter, isso é um sinal claro de carência, de carência de posicionamento de pessoas que deveriam se posicionar e não se posicionam", acrescentou.


O influenciador, questionado sobre sua mudança de postura com temas políticos nas redes sociais, disse que seu pensamento passado era "por falta de estudo, profundidade, por elitismo". Felipe desabafou que passou os últimos três anos "tentando corrigir esse erro". "E tentando afastar o máximo possível essa possibilidade de opressão que a gente vê hoje", disse.


Mundo da política


Felipe Neto negou interesse em entrar para o mundo da política. "Nesse momento não tenho qualquer interesse político. O 'nesse momento' é importante porque já falei tantas coisas que cravei e depois mudaram de cenário.... Não me imagino virando político", reforçou.


Hoje, ele tem mais de 39 milhões de inscritos em seu canal. "Não há salvadores da pátria", comentou. E continuou: "A gente não vai ter salvadores da pátria. O Bolsonaro não tem como salvar a pátria. O [ex-ministro e juiz da Lava Jato] Sergio Moro não tem como salvar a pátria e ninguém tem como, isoladamente, salvar a pátria. É importante que as pessoas assimilem isso de uma vez por todas", disse ele.


Nascido em 1988, Felipe disse ter crescido com a herança do período do regime militar. Durante a entrevista, o youtuber comentou que as gerações mais novas foram criadas com um distanciamento muito grande em relação à ditadura militar no país, o que as deixa menos preocupadas com o autoritarismo.

Para Felipe Neto, o Brasil vive momento de carência em relação à cultura e opinião, por exemplo. "Eu torço muito para que esses comunicadores comecem a falar mais. A gente teve durante período da ditadura militar, eu não estava vivo, mas nasci em 1988, o ano da criação de nossa Constituição, e lembro de crescer com medo da ditadura militar. Acho que a geração atual, mais recente, já cresceu com outra referência. Ela tem um desligamento tão grande do período da ditadura militar.... eles tratam diferente", concluiu.


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