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CoronaVac tem forte resposta imune em crianças e adolescentes, aponta pesquisa

Nas duas primeiras fases de testes clínicos, mais de 96% dos participantes que receberam as duas doses desenvolveram anticorpos contra o coronavírus. Quanto às reações, eles tiveram sensações leves ou moderadas
23:06 | Jun. 28, 2021
Autor Mateus Brisa
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Mateus Brisa Estagiário
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Tipo Notícia

A vacina CoronaVac gera forte resposta imune em crianças e adolescentes, segundo pesquisa publicada nesta segunda-feira, 28, na revista inglesa The Lancet Infectious Diseases. Nas duas primeiras fases de testes clínicos, mais de 96% dos participantes que receberam as duas doses desenvolveram anticorpos contra o coronavírus.

550 chineses saudáveis de três a 17 anos participaram do estudo. Eles foram divididos em três grupos: 219 receberam doses de 1,5 micrograma da CoronaVac, 217 tomaram doses de 3 microgramas e 114 receberam um placebo, composto por substâncias inativas.

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Na primeira fase, realizada com apenas 27 voluntários, todos receberam 1,5 micrograma da vacina e geraram anticorpos, apresentando títulos médios geométricos (GMTs) de 55. Os GMTs indicam a quantidade de anticorpos capazes de neutralizar o vírus. Ainda na etapa inicial, 26 jovens tomaram 3 microgramas e apresentaram número maior: GMT de 117.

Na segunda fase, 97% dos 186 participantes do grupo 1,5 micrograma desenvolveram GMT de 86, enquanto 100% dos 180 voluntários do grupo de 3 microgramas apresentaram forte reposta imune, com GMT de 142. Por fim, os pesquisadores constataram que mais de 96% das pessoas analisadas produziram anticorpos contra o coronavírus. Após 28 dias da segunda dose, os GMTs variaram entre 78 e 146.

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“A descoberta de que a CoronaVac foi bem tolerada e induziu forte resposta imune é bastante encorajadora”, disse Qiang Gao, da farmacêutica Sinovac Life Sciences CO, empresa chinesa que desenvolveu a CoronaVac. No Brasil, ela é produzida pelo Instituto Butantan. Ela destaca que a imunização dos mais novos é importante porque esta faixa etária ainda pode transmitir o vírus, mesmo não tendo geralmente quadros graves de Covid-19.

Os pesquisadores recomendam que sejam aplicadas duas doses de 3 microgramas da CoronaVac para crianças e adolescente de três a 17 anos, tendo em vista as diferenças significativas nas taxas de GMTs percebidas no estudo. Os autores também alertam para a necessidade de estudos com outras etnias e número maior de voluntários. A imunidade a longo prazo também é passível de análise, por isso os participantes serão acompanhados por pelo menos um ano.

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Quanto às reações, os participantes tiveram sensações leves ou moderadas durante os testes. Dor no local da injeção foi o sintoma mais comum, apresentado por 13% dos jovens. O único caso grave registrado foi uma pneumonia no grupo que recebeu um placebo, portanto, não está relacionado com a vacina.

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