Jovem com doença crônica reivindica vacinação contra Covid-19 em Fortaleza
Carolina tem espondilite anquilosante, um tipo de artrite, autoimune inflamatória crônica, e precisa utilizar um medicamento que como efeito colateral baixa sua imunidade. Ela está incluída na terceira fase da campanha de imunização e espera há um mês para ser contemplada
Fortaleza começou a vacinar nesta semana a população geral contra a Covid-19, logo após esforço da Prefeitura em concluir a imunização da quarta e última fase dos grupos prioritários. No entanto, mesmo com o avanço, a fortalezense Carolina Beatriz Gonçalves, 27, que está incluída na terceira etapa da campanha, ainda espera receber a primeira dose do imunizante. A jovem tem uma doença crônica e há pelo menos um mês aguarda ser vacinada, mas seu nome ainda não apareceu nas listas de agendamento.
Carolina fez o cadastro em março deste ano e foi incluída inicialmente na primeira etapa como profissional da saúde, uma vez que é psicóloga. No entanto, por estar afastada da área, ela mudou o cadastro e foi incluída na terceira etapa. Isso porque a jovem tem espondilite anquilosante, um tipo de artrite autoimune inflamatória crônica, e precisa utilizar um medicamento que como efeito colateral baixa a sua imunidade. Essa condição classifica o indivíduo como "imunossuprimido".
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Os imunossuprimidos fazem parte de um dos grupos contemplados na terceira fase da campanha estipulada pelo Plano Nacional de Imunização (PNI), que começou na Capital em maio. Quando soube que a etapa foi iniciada, Carolina suspendeu o medicamento que utilizava para evitar ficar com baixa imunidade- fator que impediria sua vacinação. Com a demora do agendamento, ela está sem utilizar o remédio há cerca de um mês.
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"Isso tá me trazendo malefícios, além da questão da doença tem as dores que eu tô sentindo", desabafa a psicóloga, explicando que o medicamento é necessário para frear o avanço da doença e evitar dores. Além de estar incluída no grupo dos imunossuprimidos, Carolina também é lactante.
Em busca de descobrir o motivo pelo qual ainda não foi contemplada com a vacina, a psicóloga afirma já ter "buscado todos os meios possíveis". Com a Prefeitura, a resposta que recebeu foi a de que aguarde ser chamada. "Já saiu da quarta fase, minha família já foi vacinada e eu não fui. Além da doença tem a questão de eu ser lactante, que também tenho prioridade", destaca a jovem.
O POVO procurou a Secretaria de Saúde do Município (SMS) para questionar sobre o motivo do atraso. Por meio de ligação, a pasta alegou que a psicóloga fez a mudança no cadastro, saindo do grupo de profissional da saúde para os imunossuprimidos quando as listas de prioridade por comorbidades já tinham sido "fechadas" para que o processo fosse aberto à população geral.
Por essa razão, a pasta informou que a jovem teria que esperar agora para ser vacinada por idade. No entanto, o órgão de saúde não informou o motivo pelo qual a psicóloga não foi contemplada nem como profissional da saúde, uma vez que para esse grupo o processo de imunização foi iniciado ainda no inicio deste ano e, conforme alegou a secretaria, a jovem só mudou a opção prioritária recentemente.