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Coronavírus
NOTÍCIA

Pelo menos cinco veterinários foram agendados, mas não receberam a vacina em Fortaleza

A categoria reivindica que também faz parte da linha de frente da pandemia do novo coronavírus. Em nota, os profissionais citam pesquisa da Fiocruz que aponta maior prevalência do coronavírus em cães e gatos

Leonardo Maia
23:26 | 03/05/2021
Grupo se reuniu na entrada do Centro de Eventos na tarde desta segunda-feira. (Foto: Arquivo pessoal)
Grupo se reuniu na entrada do Centro de Eventos na tarde desta segunda-feira. (Foto: Arquivo pessoal)

Nesta segunda-feira, 3, um grupo de médicos veterinários protestou contra a falta de imunização da categoria na tarde desta segunda-feira, 3, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. Os profissionais consideram que também pertencem à linha de frente da pandemia e são responsáveis por evitar que o sistema de saúde fique ainda mais sobrecarregado.

Em Fortaleza, pelo menos cinco médicos veterinários já foram chamados pela Prefeitura para se vacinar contra a Covid-19, mas não receberam o imunizante. Ao chegar ao local de vacinação foram informados que a categoria a que pertencem não estava incluída na linha de frente dos profissionais da saúde, que tem direito à vacinação.

Em nota, eles citam ainda a preocupação com a maior prevalência do vírus da Covid-19 em cães e gatos, o que aumentaria a exposição dos veterinários ao risco. A informação foi recentemente publicada em uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Texas A&M.

Os pesquisadores das instituições identificaram anticorpos neutralizantes contra o coronavírus em um gato e um cachorro de rua do Rio de Janeiro. A presença das estruturas de defesa significa que eles foram expostos ao vírus e desenvolveram resposta imune. Isso significa que a transmissão de humanos para animais é possível, mas não há evidências científicas que o oposto possa ocorrer.

A médica veterinária Sâmia Roriz relatou que foi agendada para tomar a vacina na última sexta-feira, mas não conseguiu receber o imunizante. Ela conta que ao chegar ao Centro de Eventos, local onde os profissionais da saúde são vacinados, e passar por duas triagens, foi informada que não poderia receber o imunizante.

“Deixei minhas obrigações, gastei combustível e, o pior, expus-me desnecessariamente a contaminação”, reclamou Sâmia, afirmando que os profissionais que estavam conduzindo o processo de imunização no local disseram que os médicos veterinários não poderiam ser vacinados neste momento.

Gustavo Nogueira, que também é médico veterinário, disse que recebeu a mensagem de confirmação duas horas após o horário programado para a aplicação da dose. Com isso, ele ligou para o número disponibilizado pela gestão municipal para checar se realmente seria vacinado naquele dia e o agendamento foi reafirmado por telefone. “Peguei a fila e tudo, mas quando cheguei lá na frente disseram que não podia”, disse.

O POVO entrou em contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) na última sexta-feira, 30, sobre o caso, mas não foi respondido até a publicação desta matéria.

De acordo com o Plano de Operacionalização para Vacinação Contra a Covid-19, elaborado pelo Governo do Ceará, os médicos veterinários seguem fora da linha de frente. O documento foi atualizado pela última vez no dia 31 de março deste ano.

“Isso é muito descaso com a pessoa humana. Se não quisesse vacinar veterinário, tudo bem, a gente ia ter que lidar com isso. Mas fazer você ir para o local e chegar lá mandar você voltar, dizer que você não é profissional de saúde porque é médico veterinário… É um descaso total, estou inconformada com isso”, enfatizou Sâmia.