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Coronavírus
NOTÍCIA

Ceará: casos de Covid-19 aumentam 121% entre as duas primeiras semanas do ano

O número de óbitos regrediu em todas as regiões do Estado, mas especialistas alertam que a identificação de nova variante da pandemia pode agravar a situação do Estado. Medidas preventivas devem ser intensificadas para controlar a contaminação

Leonardo Maia
23:01 | 22/01/2021
Em Fortaleza, o número de casos subiu 107,2% entre a segunda e a primeira semana epidemiológica de 2021. (Foto: Aurelio Alves)
Em Fortaleza, o número de casos subiu 107,2% entre a segunda e a primeira semana epidemiológica de 2021. (Foto: Aurelio Alves)

O número de casos confirmados de Covid-19 cresceram 121% na segunda semana epidemiológica de 2021 em comparação com a primeira do ano, afirma boletim epidemiológico da Secretária de Saúde do Estado (Sesa) divulgado nesta sexta-feira, 22. Proporcionalmente, o maior aumento foi registrado na região do Sertão Central, com incremento de 264% no total.

Aumentos expressivos também foram registrados na região Norte e no Cariri, com 201% e 167% de aumento, respectivamente. O número de óbitos, no entanto, caiu em todas as regiões do Estado. Em Fortaleza, a Secretaria de Saúde Municipal alerta que a circulação viral acontece em toda a Cidade. O índice de aumento da positividade de exames RT-PCR, considerado o mais confiável para o monitoramento, tem sinalizado a maior disseminação.

Entre os dias 1º e 16 de janeiro, ocorreram 138 óbitos por Covid-19 no Ceará, com uma média de 8,6 mortes por dia. Nesse período, morreram mais cearenses em decorrência da pandemia no dia 5 de janeiro — 21 óbitos confirmados. 75% das mortes aconteceram em pessoas de 60 anos ou mais e 68% das vítimas apresentavam doenças crônicas pré-existentes.

 

Desde o início da pandemia, 10.320 cearenses morreram em decorrência da Covid-19, de acordo com dados da noite desta sexta-feira, 22, do IntegraSUS, plataforma da Sesa. O número de casos confirmados chega a 360.973 e o nível de ocupação de leitos de UTI já é de 74,5% — índice considerado como alerta moderado pela administração estadual.

Possível circulação de nova variante do vírus preocupa especialistas

As incertezas acerca da nova variante do coronavírus que circula em localidades do Brasil, como Manaus e Rio de Janeiro, têm preocupado estudiosos da área. Lígia Kerr, epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), observou que a nova cepa pode transmitir uma carga viral maior e parece romper mais facilmente a barreira imunológica. “Até pessoas fora do grupo de risco estão evoluindo muito mal. Precisamos mais do que nunca usar a máscara e não aglomerar”, argumenta.

Nesta quinta-feira, 21, o secretário da Saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto, afirmou em entrevista coletiva que o Estado está investigando a existência de infecções no Estado pela nova variante do novo coronavírus. Parte deles veio de Manaus para se tratar em um hospital da rede privada de Fortaleza.

José Macêdo, cientista-chefe de dados da transformação digital do Governo do Ceará, ponderou que, além das ações do poder público, é necessário que as pessoas voltem a ter uma responsabilidade individual. “As pessoas estão relaxando, eu saio e vejo muitas pessoas já sem usar a máscara. Como existe muita movimentação das pessoas, já era esperado que houvesse espalhamento, não é nada de anormal”, afirma.

A segunda onda do ciclo epidêmico, como é definido pela Sesa, cresceu a partir de cadeias de transmissão iniciadas entre jovens dos bairros mais favorecidos do município em outubro e seguiu se disseminando para o resto da cidade. “Esse é o comportamento esperado. No início da pandemia, acompanhamos a doença surgir em bairros como Aldeota e Meireles e depois se espalhar para o resto da Cidade”, pontua.

Com a tendência de crescimento e espalhamento da doença, Kerr defende que já é hora de voltar a fechar bares e restaurantes, como ocorreu no nível mais crítico da pandemia. Ela observa ainda que é preciso rever as recorrentes aglomerações do transporte coletivo, que pode representar uma ameaça para a contaminação. "Não adianta ter a economia aberta se as pessoas vão morrer”, assinala.