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Coronavírus
NOTÍCIA

Pesquisadores citados pelo governo em plano de vacinação dizem não terem sido consultados

36 cientistas assinaram uma nota revelando que não tiveram acesso ao documento

19:47 | 13/12/2020
O plano de imunização contra a Covid-19 foi apresentado pelo Governo Federal na última semana (Foto: Victoria Jones / AFP)
O plano de imunização contra a Covid-19 foi apresentado pelo Governo Federal na última semana (Foto: Victoria Jones / AFP)

No último sábado, 12, um grupo de pesquisadores divulgou uma nota conjunta revelando que não foram consultados sobre o plano de imunização contra a Covid-19, apresentado pelo Governo Federal. O documento foi assinado por cientistas que, no plano encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), foram citados como colaboradores.

A nota, que foi assinada por 36 pesquisadores, revela que parte dos colaboradores do plano não tiveram acesso ao material e que o mesmo não obteve a anuência dos integrantes do grupo.

De acordo com cientistas, eles tinham solicitado uma reunião para debater o plano, além de terem “manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes”.

O grupo reiterou a recomendação técnica para que todas as populações vulneráveis, inclusive a carcerária, sejam prioridades de vacinação. Eles também pediram a ampliação dos grupos prioritários, abrangendo todos os trabalhadores da educação e de áreas essenciais.

Nas redes sociais, o não reconhecimento do plano também foi denunciado, pela professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e epidemiologista, Ethel Maciel, que foi intitulada como colaboradora do plano.

"Nós, pesquisadores que estamos assessorando o governo no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, acabamos de saber pela imprensa que o governo enviou um plano, no qual constam nossos nomes e nós não vimos o documento", escreveu Ethel no Twitter. Ela destacou: "É algo que nos meus 25 anos de pesquisadora nunca tinha vivido!", escreveu.

 

ESCLARECIMENTO DO GOVERNO

O Ministério da Saúde, por meio de comunicado divulgado neste domingo, 13, alegou que os pesquisadores citados no “Plano de Imunização contra a Covid-19″ são “técnicos escolhidos como convidados”, indicados apenas para debates de cunho opinativo, além de que os especialistas “não tinham qualquer poder de decisão” no programa de imunização.

CONFIRA A NOTA DOS PESQUISADORES NA ÍNTEGRA

Nota pública do Grupo Técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19”


12 de dezembro de 2020

O grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da COVID-19 pelo Ministério da Saúde ao STF. Nos causou surpresa e estranheza que o documento no qual constam os nomes dos pesquisadores deste grupo técnico não nos foi apresentado anteriormente e não obteve nossa anuência. Importante destacar que o grupo técnico havia solicitado reunião e manifestado preocupação pela retirada de grupos prioritários e pela não inclusão de todas as vacinas disponíveis que se mostrarem seguras e eficazes.

Reiteramos nossa recomendação técnica para que todas populações vulneráveis sejam incluídas na prioridade de vacinação, como indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, privados de liberdade e pessoas com deficiência. Além dessas, também as outras populações e grupos populacionais já incluídos e apresentados no plano inicial do governo. Outro ponto importante a ser considerado é a ampliação do escopo para todos os trabalhadores da educação e também a inclusão, nos grupos de vacinação, para os trabalhadores essenciais.

Novamente, vimos solicitar do governo brasileiro esforços do Ministério da Saúde para que sejam imediatamente abertas negociações para aquisição de outras vacinas que atendam aos requisitos de eficácia, segurança e qualidade, inclusive com laboratórios que reúnam condições de produção e oferta de doses de vacina e com outras empresas também com oferta de vacinas seguras e eficazes. Portanto, é mister considerar que um atraso na campanha de vacinação significa vidas perdidas e precisamos nesse momento utilizar a ciência para a tomada de decisão que norteará o que mais importa, a preservação de vidas de milhares de brasileiros e brasileiras. Essa é a mais importante tarefa de nosso tempo e todos os esforços devem ser envidados para a sua realização oportuna, segura e efetiva.

Participantes do Grupo Técnico do “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional da Vacinação contra Covid-19”.