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Coronavírus
NOTÍCIA

Aulas ao ar livre na Holanda para evitar "miséria digital"

Ao pé de uma bela igreja do centro histórico de Middelbourg, a capital da província de Zelande, na Holanda, um professor de Ciência demonstra um experimento em um banco, diante de 25 estudantes concentrados

08:29 | 10/09/2020

O professor holandês Edward Nieuwenhuis, da Roosevelt College University, dá uma introdução científica ao vivo para 25 alunos do lado de fora, em uma praça no centro histórico de Middelburg, na Holanda (Foto: AFP)
O professor holandês Edward Nieuwenhuis, da Roosevelt College University, dá uma introdução científica ao vivo para 25 alunos do lado de fora, em uma praça no centro histórico de Middelburg, na Holanda (Foto: AFP)

Uma universidade holandesa organiza aulas ao ar livre para os estudantes em um parque, uma praça, ou um estacionamento, para limitar o número de aulas on-line devido ao novo coronavírus.

 

Ao pé de uma bela igreja do centro histórico de Middelbourg, a capital da província de Zelande, na Holanda, um professor de Ciência demonstra um experimento em um banco, diante de 25 estudantes concentrados.

 

O barulho de um veículo de limpeza e a caminhada de um casal de aposentados e de alguns turistas obrigam Edward Nieuwenhuis a aumentar o tom da voz.

 

Pela primeira vez ele dá o curso de Introdução às Ciências da Vida a céu aberto. Antes, a aula da University College Roosevelt era dividida em duas: metade dos estudantes presentes, e a outra metade, em casa, para respeitar as medidas contra a Covid-19 na Holanda, país que registra oficialmente mais de 75.000 casos e 6.244 mortes.

 

Diante da perspectiva de um semestre inteiro de aulas on-line e salas parcialmente vazias, a universidade identificou mais de 20 lugares da cidade para organizar turmas ao ar livre.

 

Agora não é raro observar em Middelbourg um professor à sombra de uma árvore falando sobre a filosofia de Sócrates, ou recordando, em um estacionamento, a história da queda do Muro de Berlim.

 

"É realmente genial, porque podemos nos ver sem telas, ou interfaces digitais. É mais relaxado, você tem a impressão de não estar em sala, e os estudantes se distraem menos", afirma Nieuwenhuis.

 

O professor acredita que as aulas ao ar livre podem virar uma nova forma de ensinar: "Espero que isto continue, mesmo depois do desaparecimento do vírus. Tenho certeza de que vamos continuar dando muitas aulas a céu aberto".

 

O professor trabalha desde maio na Universidade de Middelbourg, que tem 60% dos estudantes procedentes do exterior.

 

"Gosto muito da sensação de estar do lado de fora, e conseguirmos manter uma distância suficiente entre nós, o que é impossível na sala", comenta Anje Boswijk, uma estudante holandesa de 21 anos.

 

"Depois de meses de quarentena e de cursos on-line, é realmente inspirador e divertido ter aulas do lado de fora", afirma Ediz Klont, estudante de 18 anos que deseja se tornar um cirurgião.

 

O único problema é o clima, nem sempre propício na Holanda, onde o vento e a chuva podem prejudicar a iniciativa.

 

Para Anje Boswijk, a solução é fácil. Para prosseguir até o fim do semestre, em dezembro, com as aulas ao ar livre basta que "todos coloquem agasalhos suficientes e carreguem guarda-chuvas".

 

Edward Nieuwenhuis, em tom de brincadeira, imagina cobertores e uma fogueira. "Depois de todas as aulas virtuais, nos acostumamos aos eternos problemas técnicos, de conexão, de som", lamenta.

 

Por isso, conclui o professor, "em comparação com a miséria digital em que estávamos, alguns arrepios de frio, o barulho dos carros, ou o som da torre da igreja, tudo é realmente maravilhoso".