PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

De 291 agentes comunitários de saúde em Fortaleza, 98,1% tiveram sintomas de Covid-19

Desses, 60,8% não tiveram acesso ao teste. Informações foram divulgadas por boletim da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Gabriela Almeida
17:21 | 14/08/2020
Mais da metade dos profissionais não realizou testes (Foto: Jefferson Peixoto/Secom)
Mais da metade dos profissionais não realizou testes (Foto: Jefferson Peixoto/Secom)

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou, nesta sexta-feira, 14, um boletim que apontou as condições de saúde e de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) atuantes em Fortaleza, durante a pandemia da Covid-19. Levando em consideração os meses de abril e maio deste ano, balanço indicou que 98,1% dos 291 trabalhadores entrevistados sentiram algum sintoma da doença, ficando 60,8% desses sem acesso ao teste.

O boletim é o primeiro bimensal da Pesquisa de Monitoramento da saúde e contribuições aos processos de trabalho e a formação profissional dos ACS em tempos de Covid-19, coordenada pela fundação. Além de Fortaleza, foram avaliadas cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, e os totais da amostra foram ajustados aos totais populacionais para evitar enviesamento- uma vez que o número de entrevistados de cada região não corresponde ao geral.

LEIA MAIS | Dia Nacional da Saúde: conheça a história por trás da data, com significado reforçado pela pandemia

Ceará não registra morte de profissionais da Saúde por Covid-19 há quase um mês

Editorial: Os agentes comunitários de saúde e a pandemia

Referente aos dados da Capital, apenas 39,2% dos agentes que responderam a pesquisa e que alegaram sintomas da Covid-19 informaram que tiveram acesso a testagem, sendo a grande maioria desses serviços realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Até o momento da divulgação do boletim, 47,6% haviam recebido o resultado positivo para a doença.

Foram identificadas ainda problemáticas quanto a proteção desses trabalhadores e o meio como exercem o serviço. Dos 291 entrevistados, 86,3% alegaram que continuaram realizando visitas domiciliares durante o período - mesmo com os riscos da atividade.

Métodos de proteção

Entre esse trabalhadores que permaneceram em serviço, cerca de 84% informaram que receberam máscaras cirúrgicas - um dos principais meios de proteção contra o vírus. Desses, no entanto, 64, 1% alegaram que o material não era distribuído em quantidade suficiente e 65,4% ainda indicaram que a qualidade do equipamento não é "satisfatória" para a proteção. 

Agentes em visitas também denunciaram o fato de que o álcool em gel- outra medida preventiva de extrema importância, estava sendo distribuído em quantidades insuficientes nas unidades de saúde. Pelo menos 37,8% deles afirmaram esse fato e, ao todo, 91% garantiram estarem inseguros quanto a distribuição de Equipamentos de Segurança Individual (EPIs).

O acesso à água e ao sabão foi colocado como "não recorrente" por 25,1% dos entrevistados que ainda realizam atividades. Por fim, índice também apontou que quase todos esses trabalhadores relataram sofrimento emocional durante a pandemia, mediante exposição a casos recorrentes de mortes.

Em nota divulgada ao O POVO, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) garantiu que dá suporte psicológico aos agentes. O órgão ainda informou que presta toda assistência quanto aos equipamentos de proteção necessários e a execução do serviço dos trabalhadores dessa categoria.

Confira nota na íntegra:

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que não há ausência de EPIs nas unidades de saúde para os profissionais. São entregues semanalmente álcool em gel e máscaras cirúrgicas, protegendo os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de maneira efetiva e cumprindo corretamente as normas de proteção.

A SMS também afirma que, durante o pico da pandemia, as visitas realizadas pelos ACS foram reduzidas e limitadas às áreas externas das residências de pacientes de risco (idosos, gestantes, puérperas, diabéticos e hipertensos). As atividades têm sido retomadas de acordo com a melhora na situação epidemiológica do Município, sempre prezando pela segurança dos profissionais e da população.

Para dar suporte psicológico aos profissionais de saúde, desde maio, o Projeto Sintonia está disponível para os profissionais que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus. O serviço, que conta com cerca de 100 psicólogos, está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 21 horas, e no sábado, das 14 às 16 horas. A sessão dura em média 50 minutos e é realizada por meio de links de chamada de vídeo ou voz, dependendo da preferência do profissional atendido.